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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Emigrar com animais [actualização]


Compramos casa, assentamos, temos filhos e arranjamos um cão ou um gato, ou vice-versa,  de  repente somos dispensados do trabalho, não temos dinheiro para pagar o empréstimo da casa, dar de comer aos filhos e pagar as vacinas do cão ou gato. Vimo-nos forçados a emigrar e vamos. 
Se somos realmente apaixonados pelos nossos companheiros de 4 patas não queremos deixá-los mal. Iremos querer que eles também façam parte desta nossa nova aventura até porque não queremos nós próprios abrir mão da sua amizade e lealdade.
Não existem muitas formas de fazer chegar o nosso amigo ao seu novo destino, também depende muito da forma como nós humanos encaramos cada forma de o transportar e respectivos custos. Já abordámos este assunto aqui mas entretanto houveram actualizações nas leis e a entrada de animais em Inglaterra ficou um pouco menos complicada. Eu própria trouxe os meus dois gatos de Portugal antes da lei mudar em 2012 e da minha experiência posso dizer que nunca consegui imaginar deixar os meus peludinhos para trás, vê-los serem transportados no porão de um avião como se fossem carga ou permitir que passassem meses em quarentena. 
Por não os conseguir ver a serem despachados quase como bagagem e não estarem própriamente ao alcance do nosso olhar durante toda a viagem, o transporte foi feito numa viagem de 24 horas (aproximadamente) de carro. Se tivermos em atenção que nos voos para o Reino Unido os animais com peso superior a 6kg/8kg já serão considerados carga e há mesmo algumas companhias aereas e/ou aeroportos que não permitem de todo os animais na cabine exceptuando animais de acompanhamento ou assistência de cegos, surdos, etc. (consultar www.defra.gov.uk/pets para mais informações), trazê-los no nosso carro foi a única opção que mereceu a nossa consideração. Foi uma viagem cansativa mas valeu a pena. Chegaram sãos e  salvos e estiveram sempre debaixo do nosso olho e mimo. O nosso gato mais nervoso tomou metade de um calmante e a viagem fez-se sem incidentes de maior. A melhor opção para passar o canal da mancha é o comboio. É mais rápido, cerca de meia hora e não precisamos de sair de perto dos nossos peludos. No caso de preferirem o barco fiquem a contar com cerca de 2 horas e meia afastados dos vossos amigos de 4 patas (eles ficarão no carro enquanto os passageiros terão de ir para o convés do navio).
Assim, as opções não são muitas quando se quer trazer o nosso amigo para terras de sua majestade, mas seja qual for a escolhida certifica-te que os requisitos para este entrar no Reino Unido são cumpridos. Para o teu animal de estimação (seja ele gato, cão ou furão) entrar em terras britânicas desde Janeiro de 2012 ele precisará de:

  1. Estar identificado com "microchip"
  2. Estar vacinado contra a raiva
  3. Ter sido vacinado após ter sido identificado com o "microchip"
  4. Possuir passaporte da União Europeia emitido por um médico veterinário clínico que certifique a colocação do microchip primeiro e posteriormente a vacinação contra a raiva
  5. Terem decorrido 21 dias após a data da vacinação contra a raiva
  6. Desparasitação em dia
Os valores para transportares o teu fiel amigo podem variar dependendo do meio de transporte que usares e do peso do animal. Seja como for certifica-te sempre que ele passará o menor stress possível e que viaja da forma mais confortável que lhe conseguires proporcionar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Emigrar com os patudos para Inglaterra


Para mim, um animal de estimação faz parte da família. Neste caso concreto falo do meu Freddy (golden cocker spaniel), meu companheiro, na altura com 12 anos. Quando pensei emigrar NUNCA coloquei a hipótese de abandonar o meu fiel amigo.

Informei-me de imediato, do que seria necessário tratar para trazê-lo comigo. Devo dizer que a informação disponível na altura (2008) era pouca, o veterinário também não tinha a certeza de muita coisa. Só sabiam dizer que devia ser caro, que os ingleses eram muito chatos e que seria uma dor de cabeça. Enfim, o pessimismo vinha sempre ao de cima. Mas sou o tipo de pessoa que, quanto mais dizem que não sou capaz, mais força tenho para mostrar o contrário.
Com o marido emigrado na Inglaterra, foi mais fácil recolher informações.
Ficámos a saber que teriamos que colocar um chip, tirar sangue ao cão e pedir o passaporte internacional. As análises de sangue iriam provar que o cão tinha a vacina anual válida. Na altura ainda tivemos que esperar 6 meses de quarentena em Portugal. Na prática víemos primeiro e ele acabou por ficar 7 meses em casa dos meus pais. Ficou com as melhores pessoas possíveis, mas sei que ele sofria de ansiedade, ele de um lado e eu de outro. Emagreceu e andava triste, mesmo com a minha mãe a fazer-lhe arroz com cenoura e galinha, que ele tanto gostava.
Os meses foram passando e eu sentia angústia por não o ter comigo. Pedia a Deus para ele se aguentar até ao dia que eu o fosse buscar. Afligia-me o facto de ele se sentir abandonado. Lembro-me desse dia, como se fosse hoje. Eu ainda não tinha chegado a casa dos meus pais e já ia de lágrima no olho.
Quando lá chegámos, fui direitinha a ele e ele ignorou-me por completo. Estava magoado comigo e com o meu filho mais velho, eramos os mais chegados a ele. Em vez disso, fez muitas festas ao meu marido e à minha filha. Fiquei decepcionada, mas no fundo, e sabendo que eles tem sentimentos e o quanto era apegado a mim, tudo se encaixava. Olhava para mim com um olhar sisudo e de desprezo, no fundo estava a mostrar o quanto eu o tinha desiludido. O meu coração estava partido. Só ao fim de 3 dias é que ele se aproximou de boa vontade. Depois disso, foi um 31 deixá-lo outra vez.
Já na Inglaterra, sugeriram interná-lo para análise de uma situação e eu perguntei se podia ficar, como não pude ficar, expliquei que a saúde dele poderia piorar se sentisse que o estava a abandonar de novo. Eles compreenderam.

Mas o que queria mesmo deixar aqui explicito, é que a lei hoje em dia está menos exigente, já não é preciso período de quarentena. Resumindo, é colocar chip, ter vacinas em dia, tirar passaporte e na hora de viajar, é apenas preciso desparasitar. Para passar a alfândega, a toma do desparasitante tem que ter mais de 24 horas e não pode exceder as 48 horas. Já agora, um último conselho, verifiquem, antes de partir, se consta no passaporte, a data, hora e carimbo do veterinário certificado. Muito importante!! Sem estes 3 registos o animal não entra no Reino Unido.

Se pensam em emigrar, não os abandonem! Não vou dizer que é fácil, mas havendo vontade há sempre solução. Pode não se encontrar à primeira, casa que permita a entrada de animais, mas é tudo uma questão de persistência, porque conheço uma mão cheia de pessoas que trouxeram os seus bichinhos.

Link útil:
https://www.gov.uk/government/publications/bringing-pets-into-the-uk-after-1-january-2012