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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O que não pode faltar na mesa de Natal

Seja em Portugal seja na China, o Natal dos Portugueses não muda muito de tradição. A nossa cultura natalicia mantem-se intacta e muitas vezes esta quadra dá-nos a oportunidade de matar saudades de iguarias que passamos o ano sem ter. A acompanhar o bacalhau com as batatas, que faz a tradição da maioria das localidades de Portugal, são comuns alguns doces muito particulares nesta época do ano. Aqui deixamos as receitas para que não hajam desculpas:
  1. Estas Rabanadas também conhecidas como Fatias Douradas. 
  2. Um arroz doce que pode ser este 
  3. Um Bolo Rei com tudo o que tem direito 
  4. Para quem não gosta de fruta cristalizada, como eu, fica a opção do Bolo Rainha.
  5. As deliciosas Azevias, de grão ou de batata-doce
  6. Os imprescindiveis Sonhos de cenoura e os de abóbora  
  7. Esta Aletria
  8. Os Coscorrões, também muito populares em algumas regiões. 
  9. A Lampreia de ovos também tem ganhado terreno na mesa da ceia de Natal
  10. E por fim, para adornar a mesa, o Tronco de Natal.
E se ainda couber alguma coisa na mesa, faz-se uns Formigos, umas Filhós alentejanas, broas, farófias... e muito bom apetite!

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A relação avós e netos nas famílias emigradas


Se era rotina ver os avós que moravam a alguns minutos de casa e que tanto apreciavam as brincadeiras e gargalhadas das netas, quando se emigra a vida toma outra proporção. A verdade é que, quando emigramos não temos a verdadeira noção do quanto a presença diária dos avós pode ser importante e útil. 
Os avós passam a ser pessoas menos presentes e com os quais se partilha algumas horas do dia, da semana ou do mês para quem tem sorte e saber em usar as novas tecnologias. Não há como evitar, as relações entre avós e netos mudem e por muito que os avós não sintam da mesma maneira os netos com certeza vão sentindo menos a falta e quem acaba por notar mais a ausência dos avós/seus pais são mesmo os pais das crianças, não só por falta de opções no que diz respeito a coisas práticas como onde deixar os miúdos quando se trabalha, ou quem os pode ir buscar à escola quando se atrasam, mas também no que diz respeito a gerir a saudade crescente dos avós com o crescente desinteresse dos netos.
É talvez difícil para os avós conseguirem entender e mesmo aceitar mas é inevitável que aconteça. As crianças vão crescendo e, mesmo sem quererem, os laços familiares vão se distanciando e muitas vezes perdendo. Os avós passam a ser pessoas que não participam da vida da criança e esta tende a esquecer os poucos momentos que tem oportunidade de passar com eles. Das suas vidas fazem parte outras pessoas com quem convivem diáriamente e que melhor conhecem as suas necessidades e rotinas. 

Por sua vez, os avós, sedentos pelos netos, procuram algum apoio, carinho e atenção nos breves minutos que as tecnologias e o tempo disponível dos pais permitem. Tantas vezes vivem à espera do dia de os ver, mesmo que à distância, criam expectativas elevadas e ganham tantas vezes apenas um "olá" e um "adeus". Sentem-se muitas vezes incompreendidos e também eles têm dificuldade em pôr-se no lugar da família que emigrou e tentar compreender que também para a família toda esta mudança não é pacifica.
Vai cabendo assim aos pais a difícil, e tantas vezes (quase) impossivel, tarefa de tentar manter algum tipo de ligação entre estas duas gerações a par com tudo o resto: educar, aturar humores da adolescencia, saber lidar com as carências do seus pais (os avós), ajustar a agenda e todos os afazeres com os minutos diários ou semanais de skype, trabalhar, ter tempo para eles próprios, etc, etc, etc...

Isto de ser emigrante tem os seus prós e contras, como tudo na vida, se se ganha em certas coisas, perde-se noutras. A separação que a emigração tem proporcionado às famílias, e agora falo também entre marido e mulher, pais e filhos, avós e netos, primos... é sem dúvida uma parte muito negativa de uma necessidade (a de emigrar) cada vez mais proiminente nas famílias (especialmente) portuguesas.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Emigrar com animais [actualização]


Compramos casa, assentamos, temos filhos e arranjamos um cão ou um gato, ou vice-versa,  de  repente somos dispensados do trabalho, não temos dinheiro para pagar o empréstimo da casa, dar de comer aos filhos e pagar as vacinas do cão ou gato. Vimo-nos forçados a emigrar e vamos. 
Se somos realmente apaixonados pelos nossos companheiros de 4 patas não queremos deixá-los mal. Iremos querer que eles também façam parte desta nossa nova aventura até porque não queremos nós próprios abrir mão da sua amizade e lealdade.
Não existem muitas formas de fazer chegar o nosso amigo ao seu novo destino, também depende muito da forma como nós humanos encaramos cada forma de o transportar e respectivos custos. Já abordámos este assunto aqui mas entretanto houveram actualizações nas leis e a entrada de animais em Inglaterra ficou um pouco menos complicada. Eu própria trouxe os meus dois gatos de Portugal antes da lei mudar em 2012 e da minha experiência posso dizer que nunca consegui imaginar deixar os meus peludinhos para trás, vê-los serem transportados no porão de um avião como se fossem carga ou permitir que passassem meses em quarentena. 
Por não os conseguir ver a serem despachados quase como bagagem e não estarem própriamente ao alcance do nosso olhar durante toda a viagem, o transporte foi feito numa viagem de 24 horas (aproximadamente) de carro. Se tivermos em atenção que nos voos para o Reino Unido os animais com peso superior a 6kg/8kg já serão considerados carga e há mesmo algumas companhias aereas e/ou aeroportos que não permitem de todo os animais na cabine exceptuando animais de acompanhamento ou assistência de cegos, surdos, etc. (consultar www.defra.gov.uk/pets para mais informações), trazê-los no nosso carro foi a única opção que mereceu a nossa consideração. Foi uma viagem cansativa mas valeu a pena. Chegaram sãos e  salvos e estiveram sempre debaixo do nosso olho e mimo. O nosso gato mais nervoso tomou metade de um calmante e a viagem fez-se sem incidentes de maior. A melhor opção para passar o canal da mancha é o comboio. É mais rápido, cerca de meia hora e não precisamos de sair de perto dos nossos peludos. No caso de preferirem o barco fiquem a contar com cerca de 2 horas e meia afastados dos vossos amigos de 4 patas (eles ficarão no carro enquanto os passageiros terão de ir para o convés do navio).
Assim, as opções não são muitas quando se quer trazer o nosso amigo para terras de sua majestade, mas seja qual for a escolhida certifica-te que os requisitos para este entrar no Reino Unido são cumpridos. Para o teu animal de estimação (seja ele gato, cão ou furão) entrar em terras britânicas desde Janeiro de 2012 ele precisará de:

  1. Estar identificado com "microchip"
  2. Estar vacinado contra a raiva
  3. Ter sido vacinado após ter sido identificado com o "microchip"
  4. Possuir passaporte da União Europeia emitido por um médico veterinário clínico que certifique a colocação do microchip primeiro e posteriormente a vacinação contra a raiva
  5. Terem decorrido 21 dias após a data da vacinação contra a raiva
  6. Desparasitação em dia
Os valores para transportares o teu fiel amigo podem variar dependendo do meio de transporte que usares e do peso do animal. Seja como for certifica-te sempre que ele passará o menor stress possível e que viaja da forma mais confortável que lhe conseguires proporcionar.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Como escolher o país certo para emigrar


Para onde emigrar? A pergunta é pertinente, complexa e pode ter inúmeras respostas possíveis, mas talvez nem todas prováveis ou ideais.
O local eleito, país e cidade/localidade, deve ser escolhido mediante uma decisão consciente, principalmente se nela incluir família.
Não basta apenas analisar o top de melhores países para emigrar ou mesmo a lista de melhores países para trabalhar. Existem alguns factores determinantes a considerar quando se emigra como pessoa individual ou em contexto familiar.
Se a resposta à pergunta "em que país recomeçar a vida?" não aparecer de forma óbvia então sugerimos-te que analises bem a tua situação em particular e faças uma lista com todos os factores que gostarias de ver satisfeitos. Pergunta-te a ti mesmo qual o verdadeiro motivo pelo qual decidiste sair do teu país. O que esperas conseguir. Que futuro pretendes conquistar e viver. Só então estarás em condições de finalmente procurares o teu destino ideal onde te sentirás mais confortável para assentar.
Nesta procuro deves ter em conta alguns factores, de acordo com as respostas que deste às perguntas acima, escolhe os que melhor se adquam à tua realidade e começa a tua pesquisa:
  • Oportunidades de trabalho, dependendo do que queres fazer a nível profissional convêm estares informado se existem saídas para a tua área profissional. Lembra-te que por vezes não é só chegar concorrer às vagas. Primeiramente terás de te informar se o teu curso te reconhecimento imediato em determinado país ou que procedimentos terás de tomar para o ter.
  • Salário médio, um salário pode ser bom, dependendo de país para país e até mesmo dentro de determinado país de destino. Por exemplo o salário pode ser bom mas arrendar uma casa com despesas acrescidas pode ficar ainda mais dispendioso. Pelo que se torna pertinente analisares também o ponto a seguir.
  • Custo de vida (renda, água, gás electricidade, Internet...) tem em conta que muitas vezes o custo de vida de um país está acima da média e que o que te pareceu à partida um bom vencimento acaba por não conseguir colmatar as despesas essenciais. Tem inclusive em atenção que normalmente, se optares por viver foras dos grandes centros urbanos, o custo de vida tornar-se-á menos pesado principalmente no que diz respeita ao arrendamento da tua futura residência.
  • Escola para os filhos, lembra-te que é essencial que inscrevas as crianças de imediato numa escola para que as consequências de uma mudança tão grande nas vossas vidas sejam as mínimas possíveis. É fundamental perceber quão complicado pode ser o processo e se terás facilidade em conseguir vagas.
  • Língua do país de destino, caso emigres para um país com uma língua diferente da tua e não tiveres um conhecimento mínimo da língua com a qual terás de conviver futuramente, o ideal será voltares à escola e aprenderes a língua local. Dependendo do percurso profissional que tens em mente dependerá também o nível de língua, falada e escrita, que te será exigido. Porém um mínimo de entendimento irá decidir uma mais fácil ou menos fácil integração no país.
  • Se tens alguem conhecido num dos países da tua lista de escolhas possíveis, essa será com certeza uma mais valia determinante na hora de decidires. Porém não faças deste o ponto mais importante da tua escolha, lembra-te para o que vais e o que pretendes conseguir. Lembra-te sempre das respostas às perguntas acima. Se o teu objectivo é construíres carreira na tua área de formação tens de estar perto do local onde existem essas oportunidades e não necessariamente perto da família ou amigos espalhados pelo mundo.
  • Segurança, não sendo um factor determinante na tua procura, pode no entanto ( principalmente se tiveres filhos envolvidos nesta mudança ) ser um factor decisivo. Por muito trabalho ou dinheiro que possas ganhar em determinado país nada compensará pores a tua família em risco. Às vezes nem precisas abdicar da escolha do país que já tens no topo das tuas preferências, basta optares por não residires nas grandes cidades onde o índice de criminalidade é maior. Mesmo que isso te faça perder mais tempo a chegares ao provável local de trabalho, compensará saberes que os teus ficarão mais seguros enquanto tu te ausentas para trabalhar.
Hoje em dia emigrar é mais do que a dificuldade de passar a fronteira. Há muitos pros e contras a considerar e no que diz respeito à escolha do local onde vais reconstruir a tua vida é importante que faças uma escolha acertada e consciente. Há muitos emigrantes que retornam ao seu país porque não se conseguem adaptar a um estilo de vida provavelmente diferente do que estão habituados. Já basta a família e os amigos que deixamos para trás. Mudarmo-nos para um país que não gostamos e nada nos diz é penoso e acabará por nos fazer regressar às origens com a sensação vazia de que não fomos suficientes, mas na verdade a culpa não está em nós e sim na decisão da escolha do país no qual decidimos embarcar. Toma atenção aos detalhes e vai em frente!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Top 10 essenciais a levares contigo para o Reino Unido


Muitas vezes somos confrontadas com a pergunta: "Em breve estou de partida para terras de sua majestada. O que devo MESMO levar na bagagem? Como está o tempo por aí? Levo roupa quente? Levo botas?" Infelizmente não podemos levar a casa atrás mesmo achando que "isto" e "aquilo" vai fazer falta, por via das dúvidas, não vá o diábo tece-las, e vamos assim justificando as mil e uma coisas que vamos acrescentando à mala.
Regra número um: fazer a mala com tempo para que nada do que é essencial fique para trás. Regra número dois: Não importa a estação do ano em que se viaja porque se vens para viver vais passar por elas todas e apesar de serem 4, como em Portugal, o nosso comportamento perante elas em Inglaterra é diferente do que estamos habituados em Portugal. Assim deixamos-te algumas dicas que te irão ajudar a organizar o que não deves esquecer de colocar na tua bagagem.

  1.  Entre €1000 a €2000, irá depender se vieres já com trabalho assegurado e se irás receber o teu vencimento semanal ou mensalmente. Este valor irá permitir-te dares resposta ás primeiras despesas, o aluguer de um quarto/apartamento/casa, água, luz, gás e 1 a 4 semanas de alimentação, conforme tragas mais ou menos dinheiro.
  2. Um roteiro da zona onde irás ficar, para que te possas orientar desde o primeiro momento em que pises terras britânicas.
  3. Um bom casaco com capuz, porque este é o país das 4 estações num dia e vais descobrir depressa que esta será a peça de vestuário mais requisitada do teu guarda-roupa. Nunca saias de casa sem ele mesmo que esteja um sol radiante quando meteres os pés a caminho. Não adianta trazeres camisolões de lã e camisolas de gola alta. Se trouxeres um bom casaco  este compensará os períodos em que estarás na rua, os demais momentos que passares "indoors" não precisarás de mais do que uma camisola ou camisa. Aqui os ambientes são aquecidos e normalmente possuem temperaturas que permitem às pessoas que lá trabalham usarem manga curta o ano inteiro (mesmo estando a nevar na rua). Depressa perceberás também que não é necessária muita roupa. O capuz permitirá estáres sempre preparado para os famosos aguaceiros mesmo sem andares a passear o guarda-chuva a toda a hora.
  4. Um par de botas, o tempo é imprevisível, como já mencionámos, se de manhã está um sol lindo, à tarde pode vir chuva.
  5. Sapatos confortáveis, para além das referidas botas um outro par de sapatos, sejam sabrinas ou ténis (sapatilhas), farão todo o calçado essencial nos primeiros tempos de emigração. Este calçado permitir-te-á fazeres as tuas longas caminhadas, caracteristicas dos primeiros meses de quem emigra, nos dias mais quentes.
  6. Computador portátil, essencial não só para enviar currículos e responder a emails mas também para matares saudades e falares com a família via Skype, etc
  7. Telemóvel livre (desbloqueado) (e respectivo carregador) assim que aqui chegares vais sentir necessidade de possuir um número inglês que será o teu "passaporte" para seres contactado por empregadores assim como por qualquer outro serviço governamental. Para não teres de investir num telemóvel, podendo mais tarde com tempo e um trabalho fixo ser mais vantajoso adquirires um por assinatura, se trouxeres um telemóvel livre de operadora poderás por £5 adquirir apenas um cartão SIM.
  8. Adaptador de tomada electrónica, não sei se já tomaste conhecimento mas aqui as tomadas têm 3 buracos em vez de 2. 
  9. Trazer um objecto motivador, algo que te faz lembrar a razão essencial da tua decisão em emigrar, que te lembre o teu objectivo, de onde vieste e para onde queres ir. Por exemplo um desenho do filho, uma fotografia, um talismã, o saldo negativo da conta bancária em Portugal,...
  10. Alguns CVs imprimidos, para que os possas entregar na tua procura de trabalho "porta a porta". Aqui também há locais onde os poderás imprimir, como é óbvio, mas nos primeiros dias numa terra desconhecida se não precisares de te preocupares com isso para conseguires o teu primeiro trabalho, que te permita organizar a tua nova vida, será uma mais valia, não achas?
A nossa vida não cabe numa mala, disso não há dúvidas, pelo que não te preocupes em tentar trazê-la toda. É importante cingirmo-nos ao que é essencial e fazer a tua viagem  o mais leve possível. Não sabes o que te espera, nem quantas vezes precisarás mudar de casa até acentares, nem mesmo se precisarás mudar de localidade, portanto faz-te leve e prático.
Existem porém coisas que não ocupam espaço físico e que são determinantes para quem embarca numa aventura destas. Falo da Coragem para enfrentar cada desafio. Motivação para agarrar esta oportunidade como se não houvesse amanhã. Da inesgotável Vontade de alçançar o teu objectivo maior. Disposição para vencer os obstáculos. Muita Humildade para abraçar novas aprendizagens e experiências. Enorme Capacidade de Adaptação a uma nova vida, um novo começo. E, por último, Mente Aberta para enxergar outras visões da vida e do mundo, não ficando rotulado àquilo que só os olhos querem e estão habituados a ver.
Tem uma optima viagem! 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Pagar estacionamento de matricula portuguesa



  
Esta semana eu e a minha querida amiga combinámos logo pela manhã ir ao "Centre Civic".
Estava marcada uma reunião para esclarecer umas dúvidas sobre leis e procedimentos correntes.
Fomos então as duas no meu carro português. Estacionámos no local mais perto do edifício onde pretendíamos ir que por acaso era a pagar. Naturalmente lá fui eu à máquina a fim de tirar um ticket que me permitesse abandonar o carro em segurança. Surpresa minha, ao registar a matrícula portuguesa do meu carro o sistema não a reconhecia e, consequentemente, não me facultava o bilhete do pagamento. Nessa altura aproximou-se de nós um cavalheiro com intensão de também ele pagar o seu estacionamento. Apercebendo-se da nossa situação, prontamente ofereceu-se para ajudar.
Foi assim que fiquei a saber que, posteriormente a inserir a matrícula do carro, temos de acrescentar um 0 (zero) e validar. Só assim o sistema reconhece, permite o pagamento e imprime o ticket. E esta em...?

E vocês? Já sabiam? Contem-me tudo! 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

E já lá vão 5 anos ...


Faz hoje precisamente 5 anos que viémos viver na Inglaterra ... mas antes disso, deixem-me contar como foi o antes de ... fazia 6 meses que o meu marido estava a viver na Inglaterra e eu estava a trabalhar a tempo inteiro e com duas crianças e um cão. Era um cão de casa e por isso, equivalente a um terceiro filho, a quem eu tinha que passear no minimo 2 vezes por dia.
Corria tudo bem quando não era altura de cio das cadelas, aí era a loucura total. O que queria era ir para a rua, atrás do rasto e às vezes andava desaparecido horas, perdia sempre o apetite e emagrecia. Mas lembro-me de uma semana em particular, nunca o tinha visto assim, chorava durante a noite, pedia-me que lhe abrisse a porta da rua, não só não me deixava dormir como temia que acordasse as crianças. Como passei umas quantas noites sem dormir o necessário, comecei a ter enxaquecas, já sem recursos, pedi ao veterinário que me receitasse alguma coisa para o 4 patas para que ele acalmasse. Nesse mesmo dia, e sem a dita medicação, ficou tudo mais calmo, pude finalmente respirar de alivio e dormir uma noite completa.

Os míudos com 4 e 8 anos, precisavam ainda de quem lhes desse banho e fizesse jantar, organizar roupas, trabalhos de casa e tudo o resto inerente à organização de uma família e casa. Isto para dizer, que pouco tempo tinha para pensar que estava tudo ao meu cargo e nem assim cruzei os braços.
Importante era mesmo manter a rotina, pois assim o tempo passava mais depressa e os míudos não sentiam tanto a ausência do pai. Era sempre uma luta para conseguir ter tempo para estar em frente ao pc a determinadas horas para falar com a cara metade pelo skype. Naturalmente também ele queria falar com os meninos e com escola no dia seguinte, as conversas eram curtas. Nada fácil para quem está longe nem para quem ficou. Mas o que é certo, é que se iam alimentando sonhos e o tempo ia passando.
O dia começava bem cedo, a passear o cão na rua, depois os pequenos-almoços aos meninos e depois a deixar um deles em casa dos meus pais e outro na creche, depois um trajecto de 1 hora na IC19. Depois seguiam-se 8 horas de trabalho (minimo), com interrupção na hora de almoço para correr ao supermercado ou ao banco tratar de algum assunto. Ao final do dia, era outra correria, buscar os dois aos avós, seguia-se novo passeio do 4 patas, banho e jantar. Meninos na cama e mais um último passeio do 4 patas. Seguiam-se alguns telefonemas com a família e amigos, algumas tarefas da casa e finalmente tempo para estar ao pc. Uff ... todos os dias uma correria.

O futuro ia sendo desenhado através de pesquisas no pc e em conversas com a cara metade, mesmo por Skype. Recordo-me da procura pelo apartamento certo, tentavamos visualizar o mesmo apartamento e discutir as condições de aluguer, um de um lado do pc e o outro do outro lado a 2200 km de distância. O mesmo se passou em relação à escola dos míudos e planeamento de viagens.

Era chegada a véspera do grande acontecimento, mas antes havia ainda lugar a um jantar de natal com os colegas de empresa. O meu último dia de trabalho, que foi tudo menos calmo, o tempo voou e quando dei conta estava na hora de fechar o pc e retirar os bens pessoais. Já o pessoal estava a anunciar as suas saídas para o restaurante escolhido pela Administração e eu ainda a tentar refletir se nao havia deixado algo para trás. O jantar correu às mil maravilhas, o ambiente estava deveras acolhedor e animado.O fim da noite fez também anunciar a hora de despedida e eu só queria parar e saborear aquele momento. Ouvi mensagens muito calorosas dos patrões, colegas e amigos, daqueles que pensamos às vezes que passamos indiferentes e afinal têm muito carinho por nós. O meu coração estava derretido! Não queria despedir-me nem acabar com aquele momento. Foi muito bom! Fui muito feliz neste emprego, os colegas eram excepcionais.
O meu coração estava dividido, já cheia de saudades pelos que ia deixar para trás e espectante pelo que se iria seguir nas próximas horas.
No dia seguinte, era dia de ir ao aeroporto de Lisboa buscar a cara metade que já não via há 3 meses. Os míudos excitadíssimos, não havia quem os sossega-se, na verdade também eu estava com borboletas na barriga, as mesmas que há 14 anos me visitavam quando ainda namoravamos. Esta é mesmo a parte boa de 2 pessoas que vivem com distância. Sim,  O reencontro foi vivido com muita emoção e carinho. Sim, é mesmo possível ter um relacionamento à distância quando é alimentado.
O Natal passou e o dia 27 chegou! Os poucos detalhes de que me lembro, foi ter malas abertas e andar perdida a tentar enfiar mais isto e aquilo que me podia fazer falta, já que nem saberia quando estaria de volta a minha casa. Houve tempo ainda de uma grande amiga aparecer lá em casa e se despedir. O dia passou rápido e as despedidas sucederam-se em casa de familiares. Ficou o sentimento de que iriam sentir muito a nossa falta, e que estavam a torcer por nós. Lembro-me que o dia estava muito feio, muito vento, escuro e com chuva violenta. Houve momentos de dor física, de sentir um nó na garganta e de não querer prolongar algumas despedidas de tão doloroso que estavam a ser.
Lembro-me de a viagem ser rápida e chegarmos a Londres já no fim da noite. Estavam 2º e não parecia ser tão mau assim. Estavamos todos espectantes por uma vida nova, por esta nova aventura que ninguém sabia ao certo que destino havia de ter.
Hoje, passados 5 anos, só nos arrependemos de não termos vindo mais cedo. Adoro o meu país e tentamos ir lá 1 a 2 vezes por ano, mas não me vejo a viver lá de novo, pelo menos num futuro tão próximo. Gostamos muito de aqui estar. Os piores momentos são quando temos alguém doente e pouco podemos fazer para ajudar, é um sentimento de impotência, mas a vida não é perfeita e há que ser positiva e ver o lado bom das situações. Quero deixar aqui uma mensagem de esperança para quem como eu também deseja mudar de vida. Sou filha única e muito agarrada aos meus pais, na altura não foi fácil, mas hoje acredito que cresci muito e Portugal tem agora um espaço mais especial no meu coração. Tenho muito orgulho de ser portuguesa e tento manter esse sentimento entre os meus. Lembrem-se se há alguém que pode mudar a vossa vida, são vocês mesmos! Como se diz na giria portuguesa, o caminho é para a frente. Lancem-se sem medos!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O meu doce Natal...

Dia 25 de Dezembro, dez e meia da manhã, FELIZ NATAL!!!!

Há uns 30 anos atrás a esta hora já a cozinha da minha avó tinha o chão coberto de papel de embrulho rasgado. Já eu tinha pulado para cima do meu irmão morta para que acordasse porque não queria abrir as prendas sózinha. Já eu tinha feito as honras de pai Natal e distribuido as prendas que o verdadeiro homem das barbas brancas tinha deixado em cada um dos sapatinhos deixados por baixo da chaminé, na noite anterior. Já eu vestia a roupa nova e brincava com os recém chegados sonhos que tinha pedido no meu mais intimo desejo.
Foram assim os meus primeiros Natais e aqueles que mais saudades deixaram. Depois, a minha bisavó fechou os olhos para sempre e a magia perdeu-se um pouco. Mais tarde, o meu avô teve problemas de saúde e, o sol que brilhava todos os Natais, deixou de ser tão quente e os Natais passaram da casa dos avós para a casa dos pais. Já não havia chaminé e não me parece que o pai Natal entrasse pela porta do prédio.


Mas voltando atrás... no primeiro fim-de-semana de inicio das férias escolares lá ía eu passar quinze dias para casa dos meus avós maternos. A árvore de Natal esperava por mim na despensa para ser montada, assim como as figurinhas do presépio. Era assim que passava a semana que antecedia o Natal. Comprando os presentes que queria dar, nas lojinhas que haviam por baixo da casa dos meus avós. Não me esquecia de ninguém, fosse o que fosse, todos tinham uma lembrança minha, mesmo o meu irmão que nunca me dava nada... nesse aspecto, 30 anos depois e pouco mudou... Fazia a árvore de Natal com a ajuda do meu avô e era espectadora assídua na cozinha da avó. 
No dia 24 esperávamos a chegada dos meus pais e irmão que chegavam ao fim do dia queixando-se do imenso trânsito que tinham apanhado na ponte sobre o Tejo. Para minimisar a minha ansiedade eu própria punha a mesa cheia de requintes e perfeição. Na cozinha já havia tacinhas de arroz doce aqui e ali, sonhos, rabanada e o perú já estava no forno. Por fim eles chegavam encasacados e queixosos.
A refeição era feita de forma tranquila e demorada. Quando finalmente nos levantávamos da mesa já era hora de ir para a cama mas... quem é que me convencia a dormir quando a excitação era gigantesca?
A muito custo lá ia eu para o meu canto fingir que fechava os olhos mas na verdade contava carneirinhos, tentava ler... mas nada afastava o meu pensamento que já estava na manhã seguinte. A noite de 24 era passada a contar os minutos e às 7 da manhã eu já achava que tinha esperado o suficiente, mas mais ninguém parecia ter a mesma opinião que eu, o silêncio permanecia e eu revirava-me na cama numa longa e interminável espera.

Trinta anos depois, longe do meu país, a minha adoração por esta quadra festiva mantem-se. No final de Agosto de 2009 pisava eu terras Britânicas na companhia do D., nesse Dezembro já tinha a árvore de Natal montada e a mesma vontade de distribuir as prendas que tinham tomado lugar em redor dela. 
O ano passado foi o primeiro Natal em que a nossa filha mais velha (um ano e 2 meses na altura) participou de forma mais consciente. As prendas foram abertas na manhã de dia 25 e a excitação dela transportou-me para o passado, quase ouvia o riso suave do meu avô. É esta a tradição que procurarei manter, mesmo sabendo que um dia a L. e a C. farão pressão para esperar pela meia-noite porque assim fazem os colegas de escola, a mesma pressão que um dia eu fiz mas que, quando as passei a abrir à meia-noite, quebrou-se a magia e eu cresci.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Receita de Natal: Rabanadas

 Background photo | Foto de fundo: Recipe Tin Eats
 
Nem acredito que estamos com o Natal à porta... até parece que foi ontem que saudava o novo ano e agora já ele está no fim e cá em casa já somos mais um.

Desde que eu me conheço por gente que há rabanadas à mesa pela altura do Natal. Quando era pequena eram iguarias feitas pelas mãos da minha avó. Quando o Natal passou a ser comemorado em casa dos pais, as rabanadas saíam da pastelaria do bairro. Agora, aqui, longe de Portugal, do calor familiar e do cheiro a canela, açucar e fritos, as rabanadas passaram a sair da nossa cozinha. Porquê? Porque as da pastelaria não são a mesma coisa, porque é bom sentir o cheiro do açucar e da canela a invadir a casa anunciando a quadra festiva e porque é bom pensar no prazer que a minha avó tinha quando passava o dia 24 na cozinha a preparar isto e aquilo para a chegada da filha, genro e neto (porque a neta [eu] já lá estava a ajudar ou desajudar...), porque no fundo é esse prazer que sinto com uma tarde de trabalho que culmina numa noite aconchegante, mesmo que apenas entre marido e filhas, nada substitui o matar saudades desta doce iguaria tão portuguesa e tão Natalicia que começa logo com a sua confecção.

A receita que deixo aqui é a que faço há 2 anos para cá. Não é dificil de fazer mas requer algum tempo pois é um processo que tem de ser levado do inicio ao fim sem interrupções, mas vale a pena!


Rabanadas

Ingredientes:
leite q.b.
1 pão de forma
5 a 6 ovos
açucar a gosto
casca de meio limão
2 paus de canela
óleo para fritar
açucar e canela em pó q.b.

Preparação:
Normalmente faço as rabanadas um pouco a olho por isso não consigo dizer exactamente as quantidades certas que serão necessárias mas, como o processo é simples, não há muito que enganar.
Deitar num tacho o leite, eu uso cerca de 500ml para que as fatias fiquem bem molhadinhas e por vezes ainda chego a acrescentar mais, a casca de limão, os paus de canela e o açucar, aqui terás de provar à medida que juntas o açucar de forma a obteres o suficiente para conseguir uma mistura doce ao teu gosto. Levar ao lume até levantar fervura. Tirar do lume, retirar os paus de canelas e casca do limão, e deixar arrefecer.
Entretanto corta-se o pão de forma em fatias de aproximadamente um dedo de espessura.
Num recepiente bater os ovos com um garfo e reservar. Noutro recepiente preparar uma mistura de açucar e canela em pó.
Pôr um pouco de óleo a aquecer e quando este estiver quente passar a fatia de pão primeiramente pelo leite, depois pelos ovos batidos e levar a fritar dos dois lados.
Deixar a escorrer em papel absorvente e passar pela mistura de açucar e canela.
Repetir o processo para todas as fatias de pão.

Quando acabar verá que a casa cheira mesmo a Natal!
Bom apetite e Feliz Natal!