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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Natal [também] emigrou.


Esta é uma quadra da saudade para quem está emigrado ou tem familiares e/ou amigos a viver no estrangeiro. Nem sempre é possível voltar a "casa" nesta altura do ano. Muitos de nós já esgotaram todos os dias de férias, o ano está a acabar, o tempo é inconstante e viajar com frio, chuva e neve nem sempre é a melhor ideia. Os voos estão pela hora da morta e são imensas as vezes que são cancelados ou atrasam. Muitos de nós optam assim, por aproveitar esta época para ficar no país de acolhimento e descansarem da loucura constante dos dias. Eu assim o farei. Porém, por muito que se tente parar e descansar, há sempre muitos jantares combinados, muitas festas e convivios e claro está a azáfama das compras. Temos sempre esta ideia de que vai ser um Natal tranquilo, talvez solitário, no conforto do sofá mas, no fim, muitas vezes, tem muito pouco disto tudo.

Num país como a Inglaterra, onde há tanta emigração, a ceia e o almoço de Natal são estendidos aos amigos, nesta empatia que todos conhecemos de uma época que em tempos foi familiar e que muitas vezes nos aperta o coração de saudade e solidão, ninguém quer ver ninguém passar o Natal sózinho, num quarto humido e escuro, numa casa deserta, de um bairro numa cidade parada, porque Londres [Inglaterra] de facto pára no Natal. Assim, não se juntam as famílias mas juntam-se os amigos, que tantas vezes são a familia que vamos tendo aqui.

O meu Natal também vai ser assim. Entre as horas de descanso que nos impusemos na noite de Natal e a agitada presença daqueles amigos que nos aquecem a alma durante todo o ano. E na falta da família, que apenas vai marcando presença graças às novas tecnologias, come-se e bebe-se, bem acompanhados, como manda a tradição. E com novas memórias vamos mudando o que, em tempos, foi tradicional no Natal português, aquele que a minha infância conheceu mas que a infância das minhas filhas não vai conseguir imaginar... "um Natal sem os amigos? Isso faz algum sentido?" - vão dizer - "...na altura fazia todo o sentido..." - direi eu.

Background photo | Foto de fundo: Amy Kim

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mercado Português [ Marias Portugal ]


Hoje as portas do mercado abrem-se às Marias e há tantas em Portugal... e aqui em Inglaterra ainda se nota mais. Marias Portugal é uma marca divertida que, com juvealidade, nos aproxima de cada região portuguesa, de cada tradição e costume. Madalena Martins é a autora e designer desta marca tão portuguesa com certeza.
A Maria de Ponte dá entrada à marcha das Marias onde não faltam andorinhas, cadernos de escamas, candeeiros cabeçudos, muita cor, luz e alma.
Com caracter artesanal e rigor na produção as peças da Madalena saiem para as lojas com uma componente social, são, na sua maioria, desenvolvidas por reclusos de Estabelecimentos Prisionais do Norte de Portugal e utentes de associações de reinserção social que tomam também parte nos lucros que advêm das vendas. Uma marca preocupada com o ambiente, não só no que diz respeito ao processo de produção, como também na utilização de desperdícios de insdustrias e museus como matéria-prima para novas peças.
A produção das Marias está deliciosamente ilustrada no site da marca para o qual deixo aqui o link: http://www.mariasportugal.pt/


As Marias podem ser adquiridas em vários formatos, desde camisolas, malinhas para crianças, pins, peças de barro, etc. E podem ser compradas tanto online na loja da artista no Esty como em lojas de rua espalhadas de Norte a Sul de Portugal.

Fotos por | Photos by: Madalena Martins [facebook]

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mercado Português [ Toino Abel ]

Mercado Português é a nova rubrica aqui do Sunny Dot. Surgiu da minha última ida a Portugal, das coisas tão tradicionais que me vieram parar às mãos e desta forma original e contemporânea que vamos tentando manter vivas as nossas origens.
Em jeito de lançamento vamos abrindo portas à TOINO ABEL, uma marca cheia de história e carisma que nasceu da vontade do Nuno, neto do Toino Abel e do Zé Esteireiro, de fazer perdurar e divulgar ao mundo a arte de fazer cestas do seu avô Zé.
Criada em 2010, ano da morte do seu avô Toino Abel, na aldeia de Castanheira, Alcobaça, esta empresa vai deixando a sua marca na cultura tradicional Portuguesa. Antigamente pelas mãos de José Custódio Barreiro, hoje pelas de Cidália Ricardo e Emília Pimenta e pelo coração de Nuno Henriques,[re]nascem as populares "cestas de palha", pedacinhos da nossa história e tradição.
Com um design contemporâneo e já a correr mundo e passarelas por aí fora. Estas cestas passam por um processo absolutamente artesanal. Cidália e Emília (as tecedeiras) começam por cortar os fardos de junco com um machado, sendo posteriormente divididos em pequenos fardos que são lavados, secos e branqueados numa arca de madeira onde arde enxofre. Daí, o junco é escolhido fio a fio, e formam-se dois molhos, os claros e os escuros. Os escuros vão a tingir em panelas sobre uma fogueira a lenha.
Acontece então o trabalho no tear. As tecedeiras de serviço tecem o junco num tear manual em diferentes tamanhos e padrões tal e qual uma tapeçaria. A cesta típica é composta por três tapeçarias cosidas formando a ceira, sendo depois entrelaçada a asa de verga. O fecho da cesta é feito a partir de pele de curtimento vegetal. Um processo tradicional e artesanal que usa os taninos vindos de cascas de árvores, raízes e folhas, uma fase demorada porém ecológica.
A minha opinião é tendenciosa no que respeita a estas cestas. Sou fã delas era eu ainda uma gaiata. Recebi a minha primeira pequena cesta colorida em criança, não sei se saída das mãos do avô Zé, mas era sem dúvida uma peça querida que serviu de abrigo a legos, bonecas, novelos de lã, mil e um tesouros que nela fui querendo guardar.
Hoje, ao cruzar-me de novo com elas pelas "mãos" da Toino Abel, vem a saudade... sem dúvida um artigo para a minha "wish list".
Com maior popularidade nos Estados Unidos, Austrália e Japão, estas magnificas peças podem ser no entanto adquiridas em qualquer parte do mundo através do website da Toino Abel: www.toinoabel.com ou www.toinoabel.etsy.com e o seu custo vai desde €49.

Para não perderes pitada do mundo Toino Abel não deixes de seguir a sua página no Facebook.

Fotografias de: Toino Abel

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O meu doce Natal...

Dia 25 de Dezembro, dez e meia da manhã, FELIZ NATAL!!!!

Há uns 30 anos atrás a esta hora já a cozinha da minha avó tinha o chão coberto de papel de embrulho rasgado. Já eu tinha pulado para cima do meu irmão morta para que acordasse porque não queria abrir as prendas sózinha. Já eu tinha feito as honras de pai Natal e distribuido as prendas que o verdadeiro homem das barbas brancas tinha deixado em cada um dos sapatinhos deixados por baixo da chaminé, na noite anterior. Já eu vestia a roupa nova e brincava com os recém chegados sonhos que tinha pedido no meu mais intimo desejo.
Foram assim os meus primeiros Natais e aqueles que mais saudades deixaram. Depois, a minha bisavó fechou os olhos para sempre e a magia perdeu-se um pouco. Mais tarde, o meu avô teve problemas de saúde e, o sol que brilhava todos os Natais, deixou de ser tão quente e os Natais passaram da casa dos avós para a casa dos pais. Já não havia chaminé e não me parece que o pai Natal entrasse pela porta do prédio.


Mas voltando atrás... no primeiro fim-de-semana de inicio das férias escolares lá ía eu passar quinze dias para casa dos meus avós maternos. A árvore de Natal esperava por mim na despensa para ser montada, assim como as figurinhas do presépio. Era assim que passava a semana que antecedia o Natal. Comprando os presentes que queria dar, nas lojinhas que haviam por baixo da casa dos meus avós. Não me esquecia de ninguém, fosse o que fosse, todos tinham uma lembrança minha, mesmo o meu irmão que nunca me dava nada... nesse aspecto, 30 anos depois e pouco mudou... Fazia a árvore de Natal com a ajuda do meu avô e era espectadora assídua na cozinha da avó. 
No dia 24 esperávamos a chegada dos meus pais e irmão que chegavam ao fim do dia queixando-se do imenso trânsito que tinham apanhado na ponte sobre o Tejo. Para minimisar a minha ansiedade eu própria punha a mesa cheia de requintes e perfeição. Na cozinha já havia tacinhas de arroz doce aqui e ali, sonhos, rabanada e o perú já estava no forno. Por fim eles chegavam encasacados e queixosos.
A refeição era feita de forma tranquila e demorada. Quando finalmente nos levantávamos da mesa já era hora de ir para a cama mas... quem é que me convencia a dormir quando a excitação era gigantesca?
A muito custo lá ia eu para o meu canto fingir que fechava os olhos mas na verdade contava carneirinhos, tentava ler... mas nada afastava o meu pensamento que já estava na manhã seguinte. A noite de 24 era passada a contar os minutos e às 7 da manhã eu já achava que tinha esperado o suficiente, mas mais ninguém parecia ter a mesma opinião que eu, o silêncio permanecia e eu revirava-me na cama numa longa e interminável espera.

Trinta anos depois, longe do meu país, a minha adoração por esta quadra festiva mantem-se. No final de Agosto de 2009 pisava eu terras Britânicas na companhia do D., nesse Dezembro já tinha a árvore de Natal montada e a mesma vontade de distribuir as prendas que tinham tomado lugar em redor dela. 
O ano passado foi o primeiro Natal em que a nossa filha mais velha (um ano e 2 meses na altura) participou de forma mais consciente. As prendas foram abertas na manhã de dia 25 e a excitação dela transportou-me para o passado, quase ouvia o riso suave do meu avô. É esta a tradição que procurarei manter, mesmo sabendo que um dia a L. e a C. farão pressão para esperar pela meia-noite porque assim fazem os colegas de escola, a mesma pressão que um dia eu fiz mas que, quando as passei a abrir à meia-noite, quebrou-se a magia e eu cresci.