Mostrar mensagens com a etiqueta viver no estrangeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta viver no estrangeiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Natal [também] emigrou.


Esta é uma quadra da saudade para quem está emigrado ou tem familiares e/ou amigos a viver no estrangeiro. Nem sempre é possível voltar a "casa" nesta altura do ano. Muitos de nós já esgotaram todos os dias de férias, o ano está a acabar, o tempo é inconstante e viajar com frio, chuva e neve nem sempre é a melhor ideia. Os voos estão pela hora da morta e são imensas as vezes que são cancelados ou atrasam. Muitos de nós optam assim, por aproveitar esta época para ficar no país de acolhimento e descansarem da loucura constante dos dias. Eu assim o farei. Porém, por muito que se tente parar e descansar, há sempre muitos jantares combinados, muitas festas e convivios e claro está a azáfama das compras. Temos sempre esta ideia de que vai ser um Natal tranquilo, talvez solitário, no conforto do sofá mas, no fim, muitas vezes, tem muito pouco disto tudo.

Num país como a Inglaterra, onde há tanta emigração, a ceia e o almoço de Natal são estendidos aos amigos, nesta empatia que todos conhecemos de uma época que em tempos foi familiar e que muitas vezes nos aperta o coração de saudade e solidão, ninguém quer ver ninguém passar o Natal sózinho, num quarto humido e escuro, numa casa deserta, de um bairro numa cidade parada, porque Londres [Inglaterra] de facto pára no Natal. Assim, não se juntam as famílias mas juntam-se os amigos, que tantas vezes são a familia que vamos tendo aqui.

O meu Natal também vai ser assim. Entre as horas de descanso que nos impusemos na noite de Natal e a agitada presença daqueles amigos que nos aquecem a alma durante todo o ano. E na falta da família, que apenas vai marcando presença graças às novas tecnologias, come-se e bebe-se, bem acompanhados, como manda a tradição. E com novas memórias vamos mudando o que, em tempos, foi tradicional no Natal português, aquele que a minha infância conheceu mas que a infância das minhas filhas não vai conseguir imaginar... "um Natal sem os amigos? Isso faz algum sentido?" - vão dizer - "...na altura fazia todo o sentido..." - direi eu.

Background photo | Foto de fundo: Amy Kim

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mercado Português [ Marias Portugal ]


Hoje as portas do mercado abrem-se às Marias e há tantas em Portugal... e aqui em Inglaterra ainda se nota mais. Marias Portugal é uma marca divertida que, com juvealidade, nos aproxima de cada região portuguesa, de cada tradição e costume. Madalena Martins é a autora e designer desta marca tão portuguesa com certeza.
A Maria de Ponte dá entrada à marcha das Marias onde não faltam andorinhas, cadernos de escamas, candeeiros cabeçudos, muita cor, luz e alma.
Com caracter artesanal e rigor na produção as peças da Madalena saiem para as lojas com uma componente social, são, na sua maioria, desenvolvidas por reclusos de Estabelecimentos Prisionais do Norte de Portugal e utentes de associações de reinserção social que tomam também parte nos lucros que advêm das vendas. Uma marca preocupada com o ambiente, não só no que diz respeito ao processo de produção, como também na utilização de desperdícios de insdustrias e museus como matéria-prima para novas peças.
A produção das Marias está deliciosamente ilustrada no site da marca para o qual deixo aqui o link: http://www.mariasportugal.pt/


As Marias podem ser adquiridas em vários formatos, desde camisolas, malinhas para crianças, pins, peças de barro, etc. E podem ser compradas tanto online na loja da artista no Esty como em lojas de rua espalhadas de Norte a Sul de Portugal.

Fotos por | Photos by: Madalena Martins [facebook]

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Prenda de Natal para o amigo que vai emigrar

São poucos os que não têm um amigo ou familiar que emigrou ou está de malas feitas para o fazer. Hoje trazemos ideias para a prenda de Natal que ele nunca mais esquecerá. Para matar as saudades ou para se preparar para a nova aventura que se avizinha por terras de sua Majestada, aqui vos deixo 9 ideias para uma prenda perfeita.


  1. Um bom casaco com um bom capuz para o frio e para a chuva é a peça de vestuário fundamental a quem vive ou vem viver para o Reino Unido, mais do que um guarda-chuva, cachecol ou luvas. Um casaco que possua um bom capuz, seja quente, impermeável e se possível com uma gola subida quando apertado, será o essecial para quem chega a terras britânicas em tempo de Inverno. É a forma mais prática e eficaz de andar na rua ou nos transportes públicos sem levar um monte de tralha atrás. - Este da Zara adapta-se na perfeição às exigências.
  2. E porque a palavra "saudade" vai andar amarrada ao coração, torna-se impossível fugir-lhe. Escolhi esta agenda cheia de palavras com alma e cunho dos nossos melhores escritores. A ferramenta certa na contagem decrescente para as tão desejadas férias a Portugal.
  3. As clássicas galochas cada vez mais na moda e tão úteis neste país. Estas são das melhores e das mais conhecidas por estas bandas, um icon de uma nação que se veste todos os dias para a chuva. A melhor companhia para o casaco acima.
  4. Trouxe dois comigo na bagagem na última ida a Portugal. O último CD da Mariza é uma prenda que recomendo vivamente a quem sente o fado com alma.
  5. E porque aqui é mesmo a terra do chá, uma caneca com uma mensagem motivadora faz todo o sentido.
  6. Um "kit de sobrevivência", da "A Vida Portuguesa", para os dias mais frios e solitários. Matar saudades da cultura e da nossa história e relembrar a pessoa fantástica que ofereceu um dos melhores presentes de Natal!
  7. Na falta da sardinha fresca e dos santos populares, esta conserva vai saber a caviar quando a saudade apertar. Uma prenda da "Portugal Heart", escolhida com o coração.
  8. Se há algo que me deixa mais saudade na hora de dizer adeus, é o nosso mar a poente a refrescar as nossas belas praias de areia fina. Uma imagem que vale a pena ter sempre presente nas paredes da nossa casa. A minha escolha recai para esta praia extraída da lente da fotografa Ingrid Beddoes, uma inglesa a viver em Portugal.
  9. Na cidade cosmopolita que é Londres, sentar para beber café ou chá é um luxo que nem todos têm. A combinação de um café take away com o mapa do metro parece-me perfeita para quem está de chegada à capital inglesa.
Compras feitas... feliz Natal!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Transferir dinheiro para Portugal


São inumeras as razões que nos podem levar a precisar de enviar dinheiro para portugal, as nossas raízes estão lá e vimos com intensão de nos mudarmos definitivamente.
Eu própria já o tive de fazer e após pesquisar um pouco sobre esse assunto constatei que algumas agências de transferência de dinheiro como Moneygram, Moneyone, LCC e Western Union cobram uma taxa de serviço que varia entre £3 a £12 (valores para um envio de 100£) e não podemos deixar de ter em conta que a taxa de câmbio varia.

Relativamente ao envio de dinheiro através de Bancos Portugueses presentes no Reino Unido, bancos como Banif, BCP, BES (Novo Banco), CGD, BPI, Montepio e Santander nenhum deles cobra taxa de serviço para Portugal mas para tal precisarás de uma "conta fantasma" aqui em Inglaterra que possa servir de intercambio quando envias para a conta do mesmo banco em Portugal. Esta será a melhor opção para quem quer transferir dinheiro da sua conta inglesa para a sua conta portuguesa. O processo é simples: trasferimos dinheiro directamente para a nossa "conta fantasma" e alguns dias mais tarde este ficará disponível na nossa conta do banco do mesmo nome em Portugal, temos apenas de ter em consideração as taxas de conversão da moeda.

Outro serviço muito utilizado nos dias de hoje é o Paypal sendo este um sistema electrónico de transacção de dinheiro. Este sistema permite fazer pagamentos de bens e serviços assim como transferir dinheiro para outros usuários paypal. Em geral as contas paypal encontram-se ligadas a contas bancárias para as quais o dinheiro poderá posteriormente ser transferido. É um sistema prático, gratuito e acessível em toda a parte do mundo.

Recentemente utilizei a Transferwise para fazer uma transferência para Portugal. Posso dizer-vos que fiquei satisfeita com o serviço e o valor pago foi bastante acessível.

Background photo by | Foto de fundo por: Ben Giesbrecht

terça-feira, 7 de julho de 2015

Do que temos saudades ao emigrar?


aqui falámos do quanto nos pode mudar esta experiência de emigrar. Do quanto nos é difícil deixar o nosso país, as pessoas de quem gostamos e os locais que nos marcaram e criaram memórias jamais esquecidas. O tempo ajuda a mentalizarmo-nos, habituarmo-nos e, ao fim e ao cabo, haverá sempre um avião que nos leva até ao outro lado para visitar a família e os amigos quando assim o desejamos e/ou podermos. E as saudades que sentimos das pequenas/ grandes coisas que não encontramos no país que nos acolhe?
Depois de emigrarmos damos por nós a sentir falta de coisas que até aqui não demos importância ou talvez o devido valor. Em conversa com amigos descobri tantas coisas que nos fazem falta e tantas coisas que acabam por entrar na nossa vida talvez para nos lembrarmos das nossas origens ou simplesmente porque só sentimos verdadeira falta quando deixamos de ter ao dispôr, ao alcance da nossa vontade. Resolvi reunir neste texto algumas coisas de que tenho conhecimento que os Portugueses, e neles me incluo, sentem falta quando estam longe do seu país.
  • O mar: o seu cheiro, a sua cor, a sua relação com o azul do céu que define tão bem a linha do horizonte e as esplanadas que nos proporcionam momentos inesqueciveis de contemplação.
  • As praias: a areia fina, as rochas que quebram a nostalgia ou as dunas imóveis cobertas de vegetação rasteira.
  • O sol: a sua luz a iluminar casas, ruas e vidas
  • A gastronomia: temos uma gastronomia tão rica, farta e diversificada que ficaria aqui o dia todo a inumerar os vários pratos de que sinto saudade. Mesmo quando mantemos uma alimentação idêntica dentro das nossas casas, como é o meu caso, nunca é a mesma coisa, a carne não sabe igual, o peixe é caro e raramente fresco, a fruta não tem o mesmo sabor...
  • O pastel de nata: o bolo que provávelmente tem mais adeptos no estrangeiro do que no território nacional. Uma iguaria que passei a gostar mais desde que estou deste lado.
  • O Fado: ganha significado. A sua nostalgia e a sua saudade que tantas vezes é também a nossa, acabamos por nos identificar muito mais com o seu lamento do que nas raras vezes que o ouvimos no país do nosso coração.
  • As confeitarias: o seu cheiro a pão fresco, café acabado de moer e os bolos a sair do forno 
  • O café bem tirado: a menos de um euro e com o açucar a vencer lentamente a sua espuma até imergir por completo.
  • O tempo: o que temos e que tantas vezes não sabemos aproveitar e a falta que ele nos faz aqui, de tão apressado que passa sempre
  • Os piqueniques à beira da estrada e a forma descomplicada e básica de como tudo é preparado.
  • As praias fluviais que nos refrescam a alma quando o mar está mais longe.
E depois há sempre o modo ligeiro como levamos lá a vida e que, se por um lado nos poderá deixar mais felizes e leves, por outro pode ser fatal quando pensamos no futuro. O certo é que antes de emigrarmos tudo era visto como algo adquirido, depois de emigrarmos essa mesma perspectiva muda e damos por nós a sentir saudades do que nunca sentimos falta lá.
E tu? Do que sentes mais saudades? O que valorizas ou gostas mais agora e que antes de emigrares não apreciavas?

terça-feira, 16 de junho de 2015

O que fazer com as crianças em tempo de férias


Não trago nenhuma informação que provávelmente não saibas ou resolução milagrosa para o problema que hoje levanto aqui. A verdade é que, quem vive longe da família, em especial dos avós (pais), não tem grandes alternativas no que diz respeito às férias de Verão das crianças, ou tiramos férias ao mesmo tempo que elas (se tivermos essa possibilidade), ou tentamos enviá-los para Portugal com o coração apertado e desejando que o mês acabe pois as saudades são muitas, ou vimos aqui pedir sugestões de ocupações para os mais pequenos enquanto os pais vão trabalhar.
No tempo em que nós eramos da idade deles, em Portugal, lembro-me que havia as colónias de férias, OTLs, etc., este vai ser o meu primeiro ano em que me vou deparar com este problema mais realisticamente e a verdade é que não encontro grandes soluções para deixar as crianças durante um dia de trabalho e as que há não são propriamente baratas. Se tiverem ideias do que fazer com os nossos filhos em tempo de férias estando nós a trabalhar, se também se sentirem perdidos como eu sem saber muito bem o que fazer, se já passaram por isto e encontraram uma solução à vossa medida, por favor partilhem, deixem o vosso comentário, quem sabe se reunindo as vossas ideias não conseguiremos fazer um post cheio de soluções milagrosas, até lá... vou deixar aqui uma lista de locais onde podemos encontrar actividades para tornar as nossas férias com os mais pequenos menos stressantes para nós e mais excitantes para eles.
  • No website do teu município e centros turísticos de informação
  • Centros comunitários da tua localidade
  • As bibliotecas públicas também  têm eventos como leitura de histórias, trabalhos manuais e artes. As bibliotecas possuem igualmente outros suportes como computadores, uma grande variedade de livros assim como de filmes que podemos requisitar.
  • Nas piscinas dos municípios, na altura de férias fazem muitas vezes preços simpático e atractivo.
  • Visitar museus e galerias, que têm regularmente exibições e eventos para toda a família, pode ser também uma forma de estimular as crianças e mote para posteriores brincadeiras e trabalhos manuais.
Não se esqueçam, deixem as vossas ideias, sugestões e experiências sobre o que fazer com os mais pequenos quando eles estão de férias e nós não.

Background photo by | Foto de fundo de: Paul & Paula

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que muda [em nós] quando emigramos


Não pense, quem nunca saiu do seu canto, que é fácil deixar tudo e ir em busca de uma vida melhor. Os primeiros anos são difíceis, a adaptação a uma nova vida e cultura é desafiante e nem sempre pacifica. É uma decisão que nem todos conseguem realizar. Todavia, quem emigra não muda apenas de país muda também um pouco de identidade:
  • Redescobres-te a ti próprio, a mudança para um país modifica-nos como pessoas, torna-nos diferentes. Por vezes o processo é muito doloroso mas no final será certamente uma grande aprendizagem.
  • O "nosso" mundo fica maior, fica literalmente maior a nossa mente, a nossa visão sobre a realidade fica também mais rica.
  • As amizades ficam mais diversificadas, conhecer gente com outras culturas expande também a nossa aprendizagem sobre outros países.
  • No início sofremos um choque cultural, especialmente para quem vem de meios mais fechados e isolados o choque pode ser drástico mas nada que o tempo não apazigúe. O que fica é uma mentalidade mais condescendente e com maior respeito pela diversidade
  • Por muito que mudemos, que nos tentemos fundir na vida e cultura do novo país, seremos sempre estrangeiros e isso faz-nos às vezes sentir que não pertencemos a lado nenhum. Já não nos vemos a viver no lugar que deixámos mas também sentimos que, na verdade, este onde estamos está-nos apenas emprestado e talvez por isso cultivemos tantas vezes este desapego das coisas. O que antes fazia sentido possuirmos hoje já não faz.
  • Aprendemos a ir à luta e a dependermos apenas de nós. Desenvolvemos a nossa autoconfiança e capacidade de improvisação.
São muitas as mudanças pelas quais passamos. Ganhamos novas resistências, uma nova mentalidade, um novo comportamento... Ou muitas vezes simplesmente passamos a ser o que realmente queremos ser sem medo de desagradar os outros. 
Se esta aventura também te mudou, partilha connosco o que se alterou em ti.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Emigrar na pele de uma adolescente

Hoje temos uma publicação muito especial aqui no Sunny Dot. Tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas a uma adolescente que se mudou para Inglaterra há menos de um ano. Quisemos saber um pouco o que passa pela cabeça dos mais novos quando os pais tomam esta decisão tão difícil de abandonar tudo e recomeçar de novo longe da família, amigos e de realidades que já conhecem tão bem. A Alice (nome ficticio) tem 12 anos e um dia ficou a saber que a sua vida iria mudar para sempre. Mãe da Alice: “Foi num dia de Verão que disse à Alice que em Outubro iria para Inglaterra. Sabia que a mudança iria ser drástica para todos. Nós estávamos muito apegadas.
Um dia, já a pensar na partida, disse-lhe: Imagina um barco no mar, ele durante a sua viagem tem de navegar estável e seguro, por mais que as ondas balancem, para chegar a bom porto. Assim seremos nós!”

  • Alice, como te descreves? Sou uma pessoa calma, quando não me irritam. Sou sonhadora, meiga e super teimosa.
  • És uma boa estudante? Sim. Tens boas notas? Normalmente, sim.
  • Consideraste uma rapariga com inteligência acima da média, ou tudo o que tens conseguido devesse ao fruto do teu trabalho e empenho? Eu não acho que seja uma rapariga inteligente mas acho que também não sou burrinha, mas sou aplicada e gosto de estudar.
  • Quais os teus passatempos favoritos? Os meus passatempos favoritos são ouvir musica, ler, ver televisão, gosto de escrever quando estou inspirada e estar com a família e amigos. Também gosto de passear e conhecer novas terras
  • Um dia a tua mãe disse-te que iriam morar noutro país. O que pensaste? Na altura não tinha bem noção do que era ir morar para outro país por isso estava um pouco confusa. Que dúvidas tiveste? Não tive dúvidas porque não conseguia imaginar não sabia a gravidade que era para ter duvidas porque nunca me tinha acontecido tal coisa. Que emoções sentiste? Muita coisa, senti-me muito confusa e não sabia que fazer, eu sentia-me incerta e as coisas estavam incertas.
  • E quando a tua mãe te disse que ela iria primeiro e depois te viria buscar a ti e à tua irmã, o que sentiste? Senti que a minha mãe ia fazer o que estava a dizer uma vez que temos uma relação muito próxima. E ela não nos iria deixar porque o que ela estava a fazer era também a pensar no nosso futuro quando crescermos.
  • Em algum momento tiveste medo? Sim. No primeiro dia que ela partiu. Sentia-me muito  sozinha e sem o suporte que ela me dava, sem os seus conselhos e avisos. Tinha medo que a nossa relação mudasse para sempre.
  • Era claro para ti que ela te iria buscar?  Sim, sem dúvidas. Sonhavas com esse dia? Sonhei que me iria encontrar com a minha mãe, e daríamos um grande abraço, que ela iria agarrar-me e nunca mais me largar.
  • Como descreves a tua mãe? A minha mãe é aventureira, sonhadora, amiga, teimosa, é a  minha confidente. Ela é, ás vezes, misteriosa.
  • Em algum momento quiseste ficar em Portugal? Sim. Nos dois últimos dias antes de vir para Inglaterra. Eu ouvia os meus amigos a falar de planos e coisas para o próximo ano, eu também queria participar mas não podia porque iria partir noutra aventura.
  • Como foi a partida para Inglaterra? Foi calma, tudo normal eu pensava que ia andar agitada mas estive muito calma.  O que esperavas encontrar? Esperava encontrar a minha mãe e frio.
  • Como viste e sentiste o teu primeiro dia em Inglaterra? O meu primeiro dia foi estranho,  não parava de olhar para as pessoas, as casas, a paisagem. Estava eu concentrada a admirar tudo quando olho para o lado e vejo um camião sem ninguém a conduzir, entrei quase em pânico porque o camião podia causar um acidente. Mas na verdade as pessoas conduzem cá ao contrário.
  • Ao fim de 10 meses em terras Britânicas, achas que te adaptaste a esta nova vida? Foi, ou tem sido, uma adaptação difícil? Sim. Adaptei-me melhor do que esperava. Quando iniciei a escola em Inglaterra estava com muito medo, não conhecia ninguém e era outra língua. Aos poucos fui-me integrando na escola. Os professores eram simpáticos e ajudaram muito. Hoje já tenho mais amigos.
  • Que diferenças encontraste nas meninas da tua idade inglesas em relação às portuguesas? As meninas de Inglaterra são muito mais descontraídas, mais para a brincadeira, são um pouco mais chiques. Enquanto que as meninas Portuguesas são um pouco mais stressadas porque a escola é mais exigente.
  • Na tua perspectiva achas que mudaste com a vinda para Inglaterra? Sim. Mudei a minha maneira de pensar, e estou a aprender outra cultura. Posso dar um exemplo, quando estava em Portugal se visse uma pessoa com cabelo verde era uma loucura. Aqui ver uma pessoa com o cabelo verde é normal, é uma opção dela.
  • Tens saudades de Portugal? Sim, tenho saudades da família que vive lá, do tempo ameno, do cheirinho do mar.
  • Conhecendo agora as duas realidades distintas onde te sentes mais feliz?Sinto-me mais feliz onde estou, em Inglaterra. Porquê?Não sei bem explicar, eu amo este pais e acho que um iman me atrai aqui e não me apetece mudar, sinto-me bem. Não consigo explicar, talvez porque vejo uma luz lá ao fundo. Sinto que aqui é melhor para mim.
  • O que dirias a uma menina portuguesa que estivesse de malas feitas para vir para Inglaterra? Diria "Vai e não tenhas medo. Viver noutro país não é tão difícil como parece."
  • O que achas que te reserva o futuro? O futuro reserva-me muitos desafios e coisas novas. Sei que vou aprender muito. Mas respondendo mais à pergunta o meu futuro ainda é incerto.
  • Descreve o que, para ti, seria um dia perfeito. Seria ir ao Algarve, à praia, enterrar-me na areia tal como fiz quando era pequena e divirtir-me à grande com a minha família.
Às vezes achamos que os nossos filhos vão sofrer com uma mudança tão grande nas suas vidas. Que vão ficar traumatizados ou frustrados. A verdade é que quanto mais crescidos somos mais difícil é para nós mudar-nos e desapegarmo-nos das coisas qua achamos ter como garantidas. Os mais novos adaptam-se muito melhor que nós a uma nova realidade e aprendem a viver nela com uma facilidade inspiradora. Somos nós, os adultos, que sobredimensionamos as emoções, a dor, a saudade, a tristeza, a necessidade. Eles acabam por viver com a nova realidade e a encontrarem, com grande facilidade, a parte positiva da mudança centrando as suas energias apenas nela.

terça-feira, 7 de abril de 2015

9 Passos a dar antes de saires de Portugal


Quando se pensa em emigrar deixa-se para trás a vida que se tinha. Muito há que pensar e preparar. A pensar nisso decidimos dar continuidade a esta publicação feita há algum tempo atrás complementando-a com mais 3. Esta será assim a segunda publicação e tem como objectivo alertar-te para alguns pontos a teres em conta antes de fazeres as malas. 
Como consequência de iniciares uma nova vida num outro país, alguns assuntos não podem ser ignorados sob pena de existirem surpresas desagradável no futuro.
Para que tudo corra bem deixamos-te algumas acções essenciais a tomar antes de saires de Portugal:
  1. Ter a certeza de que o Cartão de Cidadão (i.d.) está dentro da validade. Regra básica, nunca viajar sem um documentos de identificação. Parece-te obvio mas com a abolição das fronteiras na Comunidade Europeia se calhar até já foste a Espanha meter gasolina sem levares o Cartão de Cidadão.
  2. Certifica-te de que não precisas de outro tipo de documentação para entrar no país de destino, por exemplo um Visa, e se for caso disso tratar o quanto antes pois normalmente são burocracias morosas.
  3. Independentemente do país para onde vais emigrar, o ideal é saires do país com duas formas de identificação; Cartão de cidadão (já referido atrás) e o passaporte ou a carta de condução válidos será a opção mais segura. Em certos casos, como por exemplo um emprego, épode ser solicitado mais do que uma forma de identificação.
  4. Obrigatório ir ao Departamento de Finanças informar que irás emigrar. Este procedimento levar-te-á a teres de denominares uma pessoa que possa responder por ti nas Finanças, em qualquer circunstância que possa surgir. Isto evitará tributações indevidas durante o tempo em que estiveres emigrado.
  5. Quem tiver filhos, for emigrar para um país da Comunidade Europeia e os pretenda levar consigo, é importante cancelar os respectivos abonos na Segurança Social em Portugal, para que os possa posteriormente registar no país de destino e recebê-los lá.
  6. Se vieres de carro, é fulcral que faças uma revisão ao veículo, assim como a inspecção. Não esquecer também o autocolante com o P na traseira do carro.
  7. Caso tenhas um curso superior e pretendas procurar trabalho no ramo para o qual te formaste, um Certificado de Curso traduzido para inglês ou para a lingua corrente do país de destino darte-á a possibilidade de te inscreveres nas Associações Profissionais respectivas à tua área de formação a fim de certificares o teu curso e desta forma poderes exercer.
  8. Se tiveres casa própria o ideal será tentares vendê-la ou alugá-la a fim de anular qualquer despesa que possa advir disso. Se achares conveniente faz mesmo uma procuração para delegar poderes de intervenção a terceiros.
  9. Por último, mas não menos importante, se saíres de Portugal sem trabalho garantido faz previamente o CV em inglês, ou na lingua do país de destino, e leva alguns já imprimidos para que possas iniciar a tua procura assim que chegues ao teu destino. A distribuição do CV porta-a-porta ainda é dos meios mais bem sucedidos na hora de procurar alguns tipos de emprego.
Sim, é verdade, emigrar é uma luta. Uma luta que começa quando tomas a decisão de o fazer. Uma luta que muitas vezes te obriga a deixares a família e amigos para trás. Uma luta na conquista dos teus objectivos. Uma luta para te adaptares a novos costumes. Porém, parte dessa batalha pode ser atenuada se houver uma boa preparação e nós estamos aqui para te ajudar nisso.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

O ponto parágrafo.


Sabes quando a razão te diz não e o coração te grita sim? Sabes quando sabes que queres abraçar um mundo novo e desconhecido mas falta-te a confiança para saires da tua zona de conforto e dares o teu salto de fé? Quando toda a vida fizeste uma coisa que sabes que não te completa totalmente porque sentes que não alcanças o grau de exigência que precisas para te sentires motivada e plena? Quando sabes que podias ser mais e melhor num canto oposto do que estás, mas também sabes que terás um longo caminho a percorrer até lá chegar?
Hoje saio da minha zona de conforto. Dou o salto de fé. Começo a caminhada para o outro canto do quadrado. Bem, não começou hoje, para ser sincera, começou há cerca de duas semanas, mas hoje materializam-se as duas semanas de trabalho feliz. De motivação a 1000. De sorriso no coração, mesmo que cheia de receios e inseguranças mas absolutamente preparada para lutar contra eles.
Hoje retomamos, eu e a Sandra, o também conhecido como CPI mas com contornos de Sunny Dot. Porque os pontos não têm de ser finais, nenhuns. Nem o deste projecto, nem o das vidas que não são plenas, nem o dos futuros supostamente traçados... Porque há sempre um lado mais ensolarado e a escolha será sempre nossa, de cada um de nós.

Se conheceste o CPI saberás que a distância entre Inglaterra e Portugal ficou muito mais curta por um ano. O Sunny Dot não pretende encurtar só a distância física entre estes dois países como também a distância sensorial. Do teu lado esquerdo encontras três categorias principais: 
  • MOTIVAR
  • MUDAR
  • ORGANIZAR. 
Três verbos de acção: Motivar-te para a conquista dos teus sonhos. Acompanhar a tua Mudança.  Ajudar-te a Organizar e planear a conquista dos teus objectivos. Cada categoria reune ferramentas que te ajudarão nesta tua caminhada. Muitas ferramentas ainda serão adicionadas. E muito ainda estará por vir. Sunny Dot fará, sem dúvida, parte do lado ensolarado da tua vida... fica por aqui!

Foto  publicada em | Photo featured on: KATRIN ARENS

sábado, 11 de janeiro de 2014

Quando a razão da saudade é (em parte) a razão da mudança


No outro dia, estava a ler um artigo  muito interessante, num blogue sobre a emigração. O artigo escrito pela autora, referia o quão é difícil controlar a saudade para quem vive noutro país. A autora sugeria que a saudade deveria ficar a hibernar como os micróbios para não se multiplicarem. Assim, em temperaturas negativas, eles estagnam e não se desenvolvem mais. Também a saudade de quem está longe, deveria ser colocada a hibernar, parada, estagnada!

Confesso, que o que li deixou-me a pensar! Particularmente, na minha situação. Dei comigo a perguntar-me: "Mas que raio de Mãe és tu? Sais do teu país e deixas as tuas filhas?!" Como pude ser capaz? Este é o meu coração de mãe a falar. Em seguida, a cabeça chama o coração à razão "Não, na verdade não tinhas outra opção! E o sacrifício vai valer a pena! E o futuro delas irá compensar."
É um misto de emoções por vezes difíceis de controlar. Se por um lado queremos agarrar esta oportunidade com todas as nossas forças, por outro lado não é fácil gerir a saudade, sem dúvida a parte mais dificil e negativa de quem decide emigrar.
Porém, em tudo na minha vida tento tirar partido do lado positivo. Olhar para o que aparentemente possa ser um obstáculo, ou uma coisa menos boa, e perspetivar o lado positivo. Assim o tenho feito neste caso. Assim tenho conseguido gerir a saudade. O pensamento está nelas, no futuro, e se delas sinto tanta saudade, nelas me inspiro e motivo para superar mais um dia, para vencer mais uma batalha, para chegar mais perto do dia em que voltaremos a estar juntas.

Uma coisa é certa, a saudade mostra realmente quem é importante para nós!
Os amigos, mesmo à distância, estão lá, as conversas mantêm-se regularmente seja por escrito ou via Skype/redes sociais. Mas a família... percebemos o quanto realmente a amamos e quanta falta nos faz. Não chega falar, precisamos tocar, sentir o cheiro, abraçar. Só damos real valor ao que temos quando estamos longe e então tomamos consciência do quanto são importantes para nós.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cinco desejos de Feliz Natal!

A noite mais especial do ano chegou! Para uns trará harmonia, a família reunida, o barulho alegre das crianças... para outros acredito que não passará da noite mais difícil do ano, onde a solidão se acentua e o frio arrefece até a alma.
É com estes últimos no pensamento que me sinto uma previligiada. É certo que estou longe dos meus pais e irmão. Não teremos, com certeza, a árvore carregada de prendas nem a mesa farta em iguarias Natalicias, que vão sendo "namoradas" entre conversas calorosas com entes queridos que já não se vê há meses. Mas não sinto frio, nem no corpo nem na alma. Muito menos solidão.


Nesta noite de consoada, deitam-se as filhas à hora do costume (21:00). De pijamas vestidos, põe-se a toalha na mesa, pão acabado de cozer, um queijo português, quem sabe se um chouriço assado, as azevias de grão que tanto adoro, as rabanadas acabadas de fritar, o arroz doce ainda morno, uma pequena travessa de camarões assados no forno e um jarro de sangria. Nao faltarão os crackers a dar o toque britânico à noite. Cá em casa seguimos apenas uma tradição, a nossa.
A dois, brindamos a nós e às nossas pérolas que nos vieram enriquecer a vida. Fazemos planos para o futuro próximo, partilhamos sonhos, trocamos postais renovando sentimentos por vezes diminuidos com o correr da vida... e ao fim de dois copos de sangria é chegada a hora de subir as escadas antes que as pernas pesem demais. Nesta noite, de paz e amor, não se trocam prendas... trocam-se carinhos, palavras e sentimentos.
Assim será hoje cá em casa, longe da terra que nos viu nascer e crescer mas sem solidão, tristeza ou saudade, apenas fisicamente longe.

Desejo a todos aqueles que nos têm vindo a acompanhar, conhecer e ver crescer, um Natal calmo e acolhedor na companhia de quem não vos permita sentir sós, seja em que canto do Mundo for.

Escrito por Cris

----------------

Já lá vai o tempo que esta era uma noite agitada e repleta de animação. Uma noite em que crianças e adultos sonhavam com a magia do Natal. Noite em que um adulto se vestia de Pai Natal e entregava uma prendinha a uma das crianças da família. O Pai Natal tocava à campainha e as crianças excitadíssimas corriam pela casa. O Pai Natal apenas entregava uma prenda, essa seria a prenda solicitada por carta pela criança, sempre organizadas com a ajuda da mãe ou pai. Sim porque a última vez que nos reunimos todos (Natal 2009), eram 13 crianças e 15 adultos e toda a ajuda é pouca. Sinto falta dessas noites, mas não sendo possível este ano irmos a Portugal estar junto dos nossos, resta-me as memórias desses natais.


As crianças tinham um papel activo na noite, as mais velhas organizavam actividades com as mais novas, havia côro com músicas natalícias,  peça de natal ou poesia à mesa. Depois da meia-noite e acabados os comes e bebes, dava-se a distribuição de prendas durante uma hora ou duas.
Nesta noite, o bacalhau é sempre presença assídua na nossa mesa. Não somos apreciadores de bacalhau tradicional, pelo que costumamos fazer uma variante, bacalhau espiritual, com broa ou com natas. No entanto, como gosto de roupa velha, peço à minha mãe para cozer bacalhau com couves, para no dia 25, poder comer antes do prato de carne.
Mas voltando à temática da magia do Natal, e vivendo agora sob a influência inglesa, vejo agora alterada algumas rotinas, como por exemplo, para além de deixar o copo de leite e uma 'mince pie' para o Pai Natal, não posso esquecer de deixar também uma cenoura para a Rena que traz o Pai Natal. A minha R. de 9 anos, ainda acredita e faço questão de continuar a alimentar esta fantasia.

Por aqui espero ter uma noite bem calma na companhia da minha família mais directa, marido e filhos e também de uma amiga, também ela longe da sua família e da sua terra. Ficam por isso, os meus mais sinceros votos de uma noite santa para todos os nossos leitores e um beijinho especial para os emigrantes longe dos seus entes mais queridos.

Escrito por Carla

----------------------

Este dia de tamanha importância para mim e para os meus, este ano vai ser passado de uma maneira diferente. Com muito menos pessoas, por diversas circunstâncias, mas nunca esquecendo as nossas tradições, os nossos costumes, as nossas origens! De certo que quem faz o Natal para mim são as crianças, e este ano apenas terei na minha companhia o meu piolho, que com certeza fará a nossa alegria. É um dia que gostamos de fazer coisas em família e claro começa-mos pelos comes e bebes, falamos muito, rimo-nos imenso e pela noite dentro fazemos alguns jogos também.


Pelas 7h, começamos a preparar a mesa para a consoada, com diversas iguarias. Estando fora do nosso país de origem por vezes dificulta um pouco ter tudo o que mais gostamos nesta época à mesa, mas com o que conseguimos arranjar, muitas vezes encomendando e comprando nas lojas portuguesas em Londres, fazemos com que a diferença não se note tanto. Na nossa ementa nunca faltam o camarão cozido ou frito, o prato de bacalhau, seja ele cozido, frito, desfiado, ou assado, é presença assídua neste dia, e os doces típicos da época também, tais como as rabanadas, filhoses, azevias, molotoff e lampreia de ovos. A harmonia e o calor são evidentes. E as saudades dos entes mais queridos também. Mas não há tempo para a tristeza, pois neste dia é celebrado o renascer de uma nova luz que nos dá alento e força para continuar! Não posso esquecer de mencionar que também neste dia gostamos de vestir algo novo, na cor vermelha ou branca. Cores que significam para mim, Natal e pureza! À meia-noite, já dia 25, abrem-se os presentes e depois disso vamo-nos deitar.

Desejo a todos os que nos acompanham e nos apoiam um Santo Natal, se possível na companhia de quem mais amam!

Escrito por AnaF

------------------------

Desde que me conheço como gente, sempre me lembro de A-D-O-R-A-R o Natal… para mim é de longe a época com mais magia do ano!!!! Começo sempre a pensar no Natal super cedo, no inicio de Outubro já costumo começar a comprar os meus presentes, contudo o povo inglês supera- me e devo confessar que este ano até me aborreci, porque receber postais a desejar boas festas em Agosto é cedo demais!!!!!
Sempre tive Natais com muita gente, rodeada da família toda, no natal de 2010, o ano em que perdi o meu pai, como estava de coração vazio resolvi juntar 60 pessoas… pobre pai natal, quase nem jantou pois esteve quase a noite toda a separar os presentes para as crianças que eram mais de 20.


Contudo este ano será em tudo diferente… mas estou muito entusiasmada na mesma…. As diferenças começam logo pelo facto de que este ano pela primeira vez na minha vida estou a trabalhar no dia 24 até às 10 da noite logo, vai ser um natal dividido entre colegas de trabalho e família, mas como vejo sempre que “o copo está meio cheio e não meio vazio” estou feliz pois vou ter um triplo natal…. e isto porquê?? Porque vou ter um natal com as tradições polacas (a grande maioria dos meus colegas de trabalho são polacos), inglesas (sim, porque eu já encarnei no espirito british) e como não podia deixar de ser, portuguesas, com o pão, vinho, bacalhau e café sobre a mesa. Contudo em vez de 60 vamos passar a ser 6… enfim, mas o coração vai estar cheio e os outros 54 também vão cá estar!!!
Depois do trabalho venho a voar até casa onde vou comer as rabanadas da minha mãe primeiro que tudo, porque só assim é que começa o natal, depois vou ter que responder de 5 em cinco minutos à minha filha que já falta pouco… sentar na mesa, comer como se não houvesse amanhã, esperar que o pai natal venha (fazer a cena do costume de alguém se mascarar de pai natal mas ser sempre apanhado pelo meu filho), e por último, a cereja no topo do bolo, ver a cara deles de alegria e excitação a abrir os presentes… e uns minutos depois, quando tudo acaba, fico sempre a pensar que foi tudo tão rápido.

No fim da noite é hora de deitar fora os papeis e os cartões todos (sabendo bem que no dia seguinte vou ter que ir ao lixo e remexer tudo outra vez porque deitei fora livros de instruções, peças e acessórios, alguns microscópicos outros nem tanto dos presentes dos meninos), tomar 2 Renies, ir para a cama, dormir sentada porque comi demais e pedir muito, mas mesmo muito, ao pai natal que, antes de regressar ao polo norte, mande a fada da limpeza cá a casa e deixe tudo limpinho para o dia seguinte. Por fim, mas o mais importante de todo este meu ritual natalicio, começar a torcer para que ainda falte muitíssimo para o dia de desfazer a árvore de natal, tarefa que D-E-T-E-S-T-O!!!!

Desejo a todos um natal maravilhoso, cheio de coisas boas, com muita tranquilidade, paz de espirito e principalmente muita saúde!!!! Ho ho ho!!! Merry Christmas…

Escrito por Ana Dias

-------------------------

O Natal trás consigo uma carga emotiva muito grande, além de toda a sua história com o nascimento de Jesus, transporta-nos à nossa infância e trás consigo a alegria de recordar os momentos vividos na nossa meninice. O dia começava bem cedo, e a agitação entre irmãos e primos fazia-se sentir pelo corredor de casa dos meus pais, era lá que a família se reunia pelo jantar. Onde se compunha a mesa com iguarias tradicionais, e não faltava o bacalhau, o peru assado e as filhóses que só a avó, deliciosamente, fazia. O momento mais esperado era à meia-noite quando a criançada podia abrir as prendas e, ali, reinava a alegria, a harmonia, a magia do Natal…



Este ano o Natal será, para mim, diferente, mas não menos importante.
Diferente porque pela primeira vez, vou estar fisicamente longe da minha família mas, com certeza, presente em pensamento e não menos importante, porque vou estar entre amigos de coração e por isso também bem acompanhada.
Desejo a todos um Santo Natal, repleto de muito Amor, Alegria e Esperança. Que a magia do Natal reconforte os vossos corações.


Escrito por Sandra

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

12 aspectos a ter em conta antes de emigrar


Ao longo da nossa vida, somos confrontados por situações ou acontecimentos que nos obrigam a tomar a decisão de ter que deixar o nosso país. Falamos concretamente da falta de emprego, da falta de perspetivas futuras, a crescente falta de recursos económicos, a dificuldade constante de  poder proporcionar aos nossos filhos uma vida confortável, mas também falamos daqueles que pensam em progredir na carreira, em continuar os estudos fora da sua zona de conforto, da vontade de ser independente e, por vezes, da curiosidade de viver num país diferente que nos permite ter contacto directo e diário com outros povos, novas culturas e formas de estar, diferentes crenças, raças e religiões.
Com certeza que todos nós nos identificamos mais com um ou outro motivo, mas seja qual for a razão que nos leva a deixar o nosso país, uma coisa que nunca devemos fazer é partir em busca de uma nova vida sem estarmos previamente preparados e informados sobre os país que escolhemos para viver, sendo E-S-S-E-N-C-I-A-L fazermos o trabalho de casa e, partindo do geral para o particular, devemos inicialmente tentar perceber quais são os costumes, hábitos e tradições do país de destino: 
  1. qual a língua oficial e dialetos principais
  2. a moeda
  3. o funcionamento do sistema de saúde
  4. o sistema escolar, se o público funciona bem ou se temos que recorrer ao privado.
  5. o fundionamento do sistema de segurança social, que benefícios poderemos ter direito, quanto iremos receber e se o processo é muito moros.
  6. qual o preço dos bilhetes de avião, ou outros transportes que nos permitam viajar para o país que escolhemos. 
  7. o preço, qualidade e disponibilidade das habitações/quartos
  8. facilidade de inscrição em escolas/creches
  9. preço e periodicidade dos transportes públicos
  10. o custo da alimentação
  11. qual a documentação que teremos que levar, se temos que tratar de vistos, quais os documentos necessários para entrar no país, processo de tradução e autenticação de diplomas, certificados e outros documentos.
  12. por último, mas igualmente importante, se teremos facilidade em comunicar através de telemóveis e internet.
O que referi, são apenas alguns aspectos práticos a ter em conta, contudo, seja qual for o motivo que nos leva a mudar de país, o que não nos pode nunca faltar é, a coragem, a força, a perseverança, a motivação e o espirito vencedor, deixando para trás as nossas inseguranças, permitindo-nos embarcar numa nova aventura, numa nova vida tendo a convicção que só pode dar certo!!!!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Países no top das preferências para trabalhar e viver


Quando decidimos tirar um curso superior temos em vista um futuro mais promissor, com mais e melhores oportunidades de trabalho e, supostamente, melhor qualidade de vida. Vão longe os tempos em que acabavamos o curso já integrados no mercado de trabalho. Vão longe os tempos em que a necessidade de estudar, trabalhar ou viver fora de próprio país era para quem queria mesmo visitar mundo mais do que por necessidade. Hoje não é bem assim e são muitos os estudantes que, de canudo na mão, reconhecem o futuro longe do país que os viu nascer.
De acordo com uma pesquisa feita pela Universum (uma marca de recrutamento global) em finais de 2012 principios de 2013, dos mais de 4.300 estudantes de todo o mundo entrevistados 26% elegeu os EUA como o melhor país para viver e trabalhar, optando no entanto por fazer os estudos noutro país. Ainda na lista dos países favoritos dos estudantes estão o Reino Unido (12%), Austrália (8%) e o Canadá (6%) o que se pode explicar pelo facto de todos fazerem uso da língua inglesa.
Nos destinos de língua não inglesa, a Alemanha surge em primeiro lugar (6%), seguida de França, Suíça, Suécia, Japão e Espanha.
Melissa Bauiley, presidente da Universium, diz que os EUA continuam a ser uma terra de oportunidades. Porém uma das razões para os estudantes elegerem aquele país vai mais além do que a já conhecida fama dos EUA como terra de oportunidades. O facto de ser uma das maiores potências económicas mundiais, com grandes empresas que oferecem oportunidades únicas para crescer profissionalmente. está na visão ambiciosa de um recém formado, a busca de uma carreira de sucesso.
Sobre este ponto de vista é natural que Nova Iorque apareça como a cidade que ocupa o topo da preferência de quem quer viver fora do seu país de origem, especialmente pelos estudantes da área económica e financeira. 
Londres e São Francisco vem em segundo e terceiro lugar procuradas especialmente pelos estudantes das áreas de tecnologia. 
Na realidade portuguesa sabe-se que o Reino Unido está no topo das preferências com 30 mil portugueses emigrados este ano. Os números não páram de crescer e Inglaterra começa a adoptar medidas de desincentivo à entrada de estrangeiros no seu território. É difícil imaginar uma Europa de fronteiras fechadas de novo mas já se esteve mais longe disso.

E neste contexto surge a pergunta: Estás a pensar em fazer o teu futuro fora de Portugal? Então tem em atenção que as medidas estão a ser postas em prática em vários países da Europa e mesmo que não seja vedada a entrada de emigrantes é cada vez mais dificultada a sua vida e permanência nestes países de emigração.

Nota: Os inquiridos do estudo acima designado têm uma média de idades 23,7 anos e as suas áreas de atividade são negócios (32%), engenharias (20%), humanidades (17%) e ciências naturais (12%).

Background photo by | Foto de fundo por: Paul Jung

domingo, 17 de novembro de 2013

Matar Saudades: Tarte de Pastel de Nata

Já passaram umas semanas de quando fiz esta tarde pela primeira vez.
Esperava receber alguns amigos portugueses em casa. Um casal que havia emigrado para estas paragens fazia cerca de um mês na altura.
Desde que eu própria emigrei que comecei a dar um valor diferente ao pasteis de nata, valor que não dava quando vivia em Portugal. O certo é que esta iguaria é a mais famosa da doçaria portuguesa por estas bandas e são muitas as culturas e nacionalidades que já a conhecem das confeitarias e restaurantes portugueses que a fazem questão de divulgar. Um doce que não falta em nenhum café português por terras de sua majestade.

Pois eu, sendo daquelas pessoas que adora fazer doces, talvez pelo principal motivo de que os adoro comer,  procuro como requisito essencial, além do paladar, receitas práticas e simples. Daí, nunca me dispus a fazer pasteis de nata pela trabalheira que é forrar as forminhas com massa folhada. Quando encontrei a receita da tarte de pastel de nata pensei: um pastel de nata gigante é uma excelente forma de não forrar forminhas e reduzir o tempo de execução para menos de um terço.
E foi assim que conquistei os meus convidados que mataram saudades do pastel de nata e, é assim que, eu própria, tenho matado saudades do mesmo sempre que não tenho oportunidade de me deslocar a um café português.


Tarte de Pastel de Nata

Ingredientes:
1 embalagem de massa folhada
60gr de farinha Maizena
500ml leite
150ml água
2 cascas de limão
1 pau de canela
6 gemas de ovo
300gr açucar

Preparação:
Forrar uma tarteira com a massa folhada e picar o fundo com um garfo.
Dissolver a farinha num pouco de leite e reservar o restante.
Num tacho, deitar a água, o açucar, as cascas de limão e o pau de canela e deixar ferver cerca de 3 minutos.
Juntar a farinha Maizena previamente dissolvida no leite e o restante leite, misturar bem. Deixar em lume brando até engrossar.
Retirar do lume e deixar arrefecer um pouco.
Numa tigela à parte, bater as gemas e verter sobre o preparado anterior mexendo energicamente até ficar tudo bem ligado.
Colocar na tarteira e levar ao forno, pré-aquecido a 180º, até aloirar.

Prontinho para matar saudades polvilhado, ou não, com canela.
Bom apetite!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Entrevista com...

Hoje recebemos aqui no CPI para mais uma partilha de experiências a Gracinda Cabral Roças de 40 anos. A Gracinda é casada e mãe de 3 crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Emigrante em França há 2 anos a nossa entrevistada é dona de casa a tempo inteiro e cheia de objectivos para cumprir. Bem-vinda ao CPI Gracinda!



O que te motivou a emigrar?
Na verdade foi uma decisão do meu marido. No início seria apenas ele a emigrar, mas depois de 5 meses ele já tinha tudo preparado para a nossa chegada e estadia, então foi só fazer as malas e virmos para cá.

Porquê a escolha de França?
Foi um convite. Um amigo já havia feito esse convite várias vezes e naquela altura o meu marido estava desempregado e eu também. Ir para França foi uma luz no fundo do túnel.

Como foi o teu princípio?
No início tudo era novo então estava entusiasmada, mesmo sabendo que o meu francês era terrível e teria muitos problemas! No entanto a esposa do amigo do meu marido deu-me o apoio necessário, assim como o patrão do meu marido que também é português.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Eu comecei a ver tudo negro do meu lado! Precisava inscrever os meus filhos nas escolas, precisava fazer compras… ou seja, precisava organizar-me e, o facto de não saber falar e de não os perceber, complicou a minha vida no primeiro mês.
Em Portugal eu vivia em Lisboa e tive de me mudar para Aveiro, mas a mudança não foi tão dolorosa como vir para cá. Sentimo-nos perdidos,  como se fossemos de um outro planeta.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O meu filho de 5 anos não se adaptou muito bem à escola e a minha filha adoeceu, isso para mim foi terrível, mas pude ver que o sistema de saúde aqui é do melhor. Quanto à escola, penso que Portugal tem mais e melhores condições a oferecer aos alunos.

O que aí conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Eu em Portugal não tinha nada, ao ponto de não saber como matar a fome dos meus filhos no dia seguinte ou na semana seguinte. Hoje, depois de um ano, os meus filhos não têm necessidade de nada e vivemos razoavelmente bem.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
9, porque tenho objectivos para alcançar!

Do que mais sentes falta?
Sinto falta de pessoas perto de mim, tenho vizinhos mas a falta de comunicação ainda existe. Então praticamente vivo em silêncio!

De que forma matas a saudade de Portugal?
Bem, por 2 anos tenho ido a Portugal nas férias e também, quase que diariamente, telefono para lá, mas é fácil encontrar aqui comerciantes portugueses a vender produtos portugueses.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Sim claro. Todo o Português vivendo fora do seu país representa-o. Agora parte de cada um se o vai representar bem ou mal!

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Bem! Logo no início, eu e o meu filho fomos às compras, e ao colocar os produtos na mesa rolante da caixa, a senhora que estava ao meu lado deixa uma garrafa de tomate juntar-se às minhas compras, e a senhora da caixa também registra como minha. Eu, apercebendo-me disso, tento dizer à senhora que o frasco não é meu! Tudo parou naquele momento e toda a atenção foi para mim, porque eu gaguejei, fiz gestos e nada! Eu do pouco que aprendi do francês tentei explicar-lhe de que não falava francês e que não estava a perceber o que ela estava a dizer. Entretanto, o gerente apareceu e vocês nem imaginam a festa que eu fiz quando aquele homem abriu a boca e falou português! Bem a partir dali começou a ser mais fácil fazer compras!
Tenho uma outra situação, por exemplo: Os canais de tv aqui são todos franceses ou dobrados para francês, um dia de manhã estavamos a ver as noticias e percebo que: "duas crianças disparu...”; Eu entretanto chamo o meu marido e digo-lhe: - "Olha marido parece que uma criança disparou sobre outra criança.” Bom... durante o dia só falava disso com o meu filho. À noite, quando o meu marido viu as notícias, desata às gargalhadas porque disparu quer dizer desapareceu e não disparou, como eu entendera. A verdade é que as palavras francesas confundem um pouco por serem parecidas às portuguesas mas com significado diferente.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Claro que faria tudo de novo, talvez escolhesse outro pais, mas deixaria Portugal para trás.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Já pensei nisso, mas se isso acontecer será um dia bem lá na frente.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei dizer onde, mas com alguns dos meus projectos realizados, esse é o meu objectivo.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Que comecem a preparar-se, tanto no idioma como psicologicamente, e que não dêem ouvidos ao que as pessoas falam que é para não virem iludidos. Ir para um pais estranho é como ir para a selva, encontramos de tudo, e não é fácil encontrar alguém que nos ajude, temos de ser nós a ir à luta, tomar a iniciativa. Estarem consciente de que não vai ser fácil nos primeiros tempos. No meu caso depois de quase 1 ano e meio é que comecei a ver melhoras na minha vida, porque sem o apoio do estado não conseguimos sobreviver.

Muito obrigada pela partilha Gracinda! Boa sorte e determinação na concretização dos teus objectivos.

Código Postal Internacional - BLOG