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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mercado Português [ Toino Abel ]

Mercado Português é a nova rubrica aqui do Sunny Dot. Surgiu da minha última ida a Portugal, das coisas tão tradicionais que me vieram parar às mãos e desta forma original e contemporânea que vamos tentando manter vivas as nossas origens.
Em jeito de lançamento vamos abrindo portas à TOINO ABEL, uma marca cheia de história e carisma que nasceu da vontade do Nuno, neto do Toino Abel e do Zé Esteireiro, de fazer perdurar e divulgar ao mundo a arte de fazer cestas do seu avô Zé.
Criada em 2010, ano da morte do seu avô Toino Abel, na aldeia de Castanheira, Alcobaça, esta empresa vai deixando a sua marca na cultura tradicional Portuguesa. Antigamente pelas mãos de José Custódio Barreiro, hoje pelas de Cidália Ricardo e Emília Pimenta e pelo coração de Nuno Henriques,[re]nascem as populares "cestas de palha", pedacinhos da nossa história e tradição.
Com um design contemporâneo e já a correr mundo e passarelas por aí fora. Estas cestas passam por um processo absolutamente artesanal. Cidália e Emília (as tecedeiras) começam por cortar os fardos de junco com um machado, sendo posteriormente divididos em pequenos fardos que são lavados, secos e branqueados numa arca de madeira onde arde enxofre. Daí, o junco é escolhido fio a fio, e formam-se dois molhos, os claros e os escuros. Os escuros vão a tingir em panelas sobre uma fogueira a lenha.
Acontece então o trabalho no tear. As tecedeiras de serviço tecem o junco num tear manual em diferentes tamanhos e padrões tal e qual uma tapeçaria. A cesta típica é composta por três tapeçarias cosidas formando a ceira, sendo depois entrelaçada a asa de verga. O fecho da cesta é feito a partir de pele de curtimento vegetal. Um processo tradicional e artesanal que usa os taninos vindos de cascas de árvores, raízes e folhas, uma fase demorada porém ecológica.
A minha opinião é tendenciosa no que respeita a estas cestas. Sou fã delas era eu ainda uma gaiata. Recebi a minha primeira pequena cesta colorida em criança, não sei se saída das mãos do avô Zé, mas era sem dúvida uma peça querida que serviu de abrigo a legos, bonecas, novelos de lã, mil e um tesouros que nela fui querendo guardar.
Hoje, ao cruzar-me de novo com elas pelas "mãos" da Toino Abel, vem a saudade... sem dúvida um artigo para a minha "wish list".
Com maior popularidade nos Estados Unidos, Austrália e Japão, estas magnificas peças podem ser no entanto adquiridas em qualquer parte do mundo através do website da Toino Abel: www.toinoabel.com ou www.toinoabel.etsy.com e o seu custo vai desde €49.

Para não perderes pitada do mundo Toino Abel não deixes de seguir a sua página no Facebook.

Fotografias de: Toino Abel

terça-feira, 19 de maio de 2015

Como ser Residente Permanente no Reino Unido



Com o último resultado das eleições no Reino Unido começa a ficar preocupante o futuro dos imigrantes por estes lados, mesmo os pertencentes à Comunidade Europeia. 
Por mim falo, estou há mais de cinco anos em Inglaterra, tive as minhas duas filhas cá e não me vejo a viver noutro lado, a mudar radicalmente de vida de novo. Preciso de algo que me permita alguma estabilidade e que não me faça sentir com a corda na garganta sempre que o raio dos imigrantes parecem ser a "praga" que causa todos os problemas deste país. Enquanto os ingleses vão vivendo iludidos com esta ideia e vão pensando nas medidas a tomar para controlar esta "contaminação" eu vou tentar me prevenir, a mim e à minha família.

A razão deste post vem no sentido de tentar esclarecer que, quem tem os mesmos receios que eu, poderá eventualmente pedir o "Permanent Resident in UK card/document" caso viva no Reino Unido há, no minimo, 5 anos consecutivos e cumprir um dos requisitos abaixo:

  • Seres uma pessoa qualificada, isto é, empregado por conta de outrém ou por conta-própria, auto-suficiente, estudante ou à procura de emprego, com naturalidade de um país da Comunidade Europeia.
  • Seres um familiar de uma pessoa qualificada da Comunidade Europeia ou já residente permanente
  • Um ex-membro da família de um nacional da Comunidade Europeia se mantiveste o teu direito de residência após a sua morte ou ter deixado o Reino Unido ou o divorcio/separação
  • Seres familiar de um cidadão britânico que trabalhou noutro país da Comunidade Europeia antes de regressar ao Reino Unido.
Se cumprires os requisitos necessários aqui fica o formulário que precisarás se estiveres interessado em tornar permanente a tua vida no Reino Unido. Deves enviar para a morada indicada no documento do link acima, um formulário preenchido por pessoa com o pagamento de £65 também por pessoa.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

No último dia do mês...

O ano começou cheio de resoluções e compromissos. 
Este é um projecto mais ambicioso do que poderia algum dia ter imaginado.
São muitos os Portugueses que não estão bem no país de origem. São muitos aqueles que nos procuram com perguntas que muitas vezes não sabemos responder mas tudo temos feito para nos informar e esclarecer. São muitas as vezes que ajudamos pessoalmente quem decide dar o passo para o país para onde emigrámos. Assim fizemos amizades, assim o CPI cresceu.


No inicio do mês falámos de motivação, apoio, suporte... Este tem sido um espaço regido apenas por uma equipa de voluntárias. Mulheres com filhos, casa para gerir, trabalho, família, amigos... Comecámos com 3, passámos a 4, a 5 e depois a 4. Sempre mulheres com filhos, trabalho, casa, família, amigos...
Alguns objectivos não foram alcançados. Tem sido demasiado difícil encontrar solidariedade, é quase a mendigar que temos conseguido o apoio de quem sempre nos acompanha, muitas vezes no anonimato, não se querendo envolver, não querendo se comprometer. E esse "não querer" condiciona-nos. Chegámos a cerca de 40 seguidores aqui no blogue, possivelmente muitos mais nos acompanham. Porque não o mostram publicamente? Não sabemos. Sabemos sim que a falta de suporte explicito inviabiliza este espaço.

Com o novo ano, e vivendo num país de oportunidades (ainda) todas nós iniciámos, reatámos ou alterámos projectos nas nossas vidas, especialmente a nível profissional, projectos que requerem empenho, tempo e compromisso. Com o novo ano, tivemos de fazer escolhas, tomar decisões, tentar adaptar-nos, priorizar opções.
Tinhamos muitos sonhos, planos, ideias para o CPI. Tinhamos em vista crescer e que crescessem connosco. Ao fim de mais de 6 meses o crescimento não correspondeu ao nosso empenho. As horas do dia esgotam-se e temos de nos focar no que nos acrescenta valor, no que nos realiza e motiva.

Viemos aqui partilhar pedaços das nossas vidas, publicámos informações úteis, noticiámos curiosidades, divulgámos experiências de vários cantos do Mundo (a quem muito agradecemos a partilha). Deixámos aqui muitas horas dos nossos dias, num projecto que muito nos orgulhou e orgulha. Muito aprendemos com as questões que nos colocaram. Muito crescemos como individuos.

Domingo, dia 19 deste mês, reunimos de urgência para decidir o futuro do CPI. Desta reunião, mais descontraída do que as anteriores, talvez pela seriedade e responsabilidade do assunto em pauta ser maior, saíu uma decisão. O CPI chegaria hoje ao fim.
Muito temos a agradecer a quem nos acompanhou, acreditou em nós e demonstrou o seu suporte e carinho pelo projecto. Apresentamos as nossas desculpas a quem não conseguimos ajudar, a quem não nos foi permitido responder porque o nosso dia também só tem 24 horas. Desejamos do fundo do nosso coração imenso sucesso e muita sorte a quem decidir partir nesta aventura de emigrar e abraçar o desconhecido.

Sejam felizes aqui ou em qualquer outro lugar do Mundo!
A equipa do CPI,
Cris
Ana F.
Ana D.
Sandra

Nota: O blogue do CPI ficará aberto a fim de partilhar o conhecimento nele existente com quem aqui vier parar. A página do Facebook será encerrada por questões de segurança, assim como a participação do CPI no twitter.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

E já lá vão 5 anos ...


Faz hoje precisamente 5 anos que viémos viver na Inglaterra ... mas antes disso, deixem-me contar como foi o antes de ... fazia 6 meses que o meu marido estava a viver na Inglaterra e eu estava a trabalhar a tempo inteiro e com duas crianças e um cão. Era um cão de casa e por isso, equivalente a um terceiro filho, a quem eu tinha que passear no minimo 2 vezes por dia.
Corria tudo bem quando não era altura de cio das cadelas, aí era a loucura total. O que queria era ir para a rua, atrás do rasto e às vezes andava desaparecido horas, perdia sempre o apetite e emagrecia. Mas lembro-me de uma semana em particular, nunca o tinha visto assim, chorava durante a noite, pedia-me que lhe abrisse a porta da rua, não só não me deixava dormir como temia que acordasse as crianças. Como passei umas quantas noites sem dormir o necessário, comecei a ter enxaquecas, já sem recursos, pedi ao veterinário que me receitasse alguma coisa para o 4 patas para que ele acalmasse. Nesse mesmo dia, e sem a dita medicação, ficou tudo mais calmo, pude finalmente respirar de alivio e dormir uma noite completa.

Os míudos com 4 e 8 anos, precisavam ainda de quem lhes desse banho e fizesse jantar, organizar roupas, trabalhos de casa e tudo o resto inerente à organização de uma família e casa. Isto para dizer, que pouco tempo tinha para pensar que estava tudo ao meu cargo e nem assim cruzei os braços.
Importante era mesmo manter a rotina, pois assim o tempo passava mais depressa e os míudos não sentiam tanto a ausência do pai. Era sempre uma luta para conseguir ter tempo para estar em frente ao pc a determinadas horas para falar com a cara metade pelo skype. Naturalmente também ele queria falar com os meninos e com escola no dia seguinte, as conversas eram curtas. Nada fácil para quem está longe nem para quem ficou. Mas o que é certo, é que se iam alimentando sonhos e o tempo ia passando.
O dia começava bem cedo, a passear o cão na rua, depois os pequenos-almoços aos meninos e depois a deixar um deles em casa dos meus pais e outro na creche, depois um trajecto de 1 hora na IC19. Depois seguiam-se 8 horas de trabalho (minimo), com interrupção na hora de almoço para correr ao supermercado ou ao banco tratar de algum assunto. Ao final do dia, era outra correria, buscar os dois aos avós, seguia-se novo passeio do 4 patas, banho e jantar. Meninos na cama e mais um último passeio do 4 patas. Seguiam-se alguns telefonemas com a família e amigos, algumas tarefas da casa e finalmente tempo para estar ao pc. Uff ... todos os dias uma correria.

O futuro ia sendo desenhado através de pesquisas no pc e em conversas com a cara metade, mesmo por Skype. Recordo-me da procura pelo apartamento certo, tentavamos visualizar o mesmo apartamento e discutir as condições de aluguer, um de um lado do pc e o outro do outro lado a 2200 km de distância. O mesmo se passou em relação à escola dos míudos e planeamento de viagens.

Era chegada a véspera do grande acontecimento, mas antes havia ainda lugar a um jantar de natal com os colegas de empresa. O meu último dia de trabalho, que foi tudo menos calmo, o tempo voou e quando dei conta estava na hora de fechar o pc e retirar os bens pessoais. Já o pessoal estava a anunciar as suas saídas para o restaurante escolhido pela Administração e eu ainda a tentar refletir se nao havia deixado algo para trás. O jantar correu às mil maravilhas, o ambiente estava deveras acolhedor e animado.O fim da noite fez também anunciar a hora de despedida e eu só queria parar e saborear aquele momento. Ouvi mensagens muito calorosas dos patrões, colegas e amigos, daqueles que pensamos às vezes que passamos indiferentes e afinal têm muito carinho por nós. O meu coração estava derretido! Não queria despedir-me nem acabar com aquele momento. Foi muito bom! Fui muito feliz neste emprego, os colegas eram excepcionais.
O meu coração estava dividido, já cheia de saudades pelos que ia deixar para trás e espectante pelo que se iria seguir nas próximas horas.
No dia seguinte, era dia de ir ao aeroporto de Lisboa buscar a cara metade que já não via há 3 meses. Os míudos excitadíssimos, não havia quem os sossega-se, na verdade também eu estava com borboletas na barriga, as mesmas que há 14 anos me visitavam quando ainda namoravamos. Esta é mesmo a parte boa de 2 pessoas que vivem com distância. Sim,  O reencontro foi vivido com muita emoção e carinho. Sim, é mesmo possível ter um relacionamento à distância quando é alimentado.
O Natal passou e o dia 27 chegou! Os poucos detalhes de que me lembro, foi ter malas abertas e andar perdida a tentar enfiar mais isto e aquilo que me podia fazer falta, já que nem saberia quando estaria de volta a minha casa. Houve tempo ainda de uma grande amiga aparecer lá em casa e se despedir. O dia passou rápido e as despedidas sucederam-se em casa de familiares. Ficou o sentimento de que iriam sentir muito a nossa falta, e que estavam a torcer por nós. Lembro-me que o dia estava muito feio, muito vento, escuro e com chuva violenta. Houve momentos de dor física, de sentir um nó na garganta e de não querer prolongar algumas despedidas de tão doloroso que estavam a ser.
Lembro-me de a viagem ser rápida e chegarmos a Londres já no fim da noite. Estavam 2º e não parecia ser tão mau assim. Estavamos todos espectantes por uma vida nova, por esta nova aventura que ninguém sabia ao certo que destino havia de ter.
Hoje, passados 5 anos, só nos arrependemos de não termos vindo mais cedo. Adoro o meu país e tentamos ir lá 1 a 2 vezes por ano, mas não me vejo a viver lá de novo, pelo menos num futuro tão próximo. Gostamos muito de aqui estar. Os piores momentos são quando temos alguém doente e pouco podemos fazer para ajudar, é um sentimento de impotência, mas a vida não é perfeita e há que ser positiva e ver o lado bom das situações. Quero deixar aqui uma mensagem de esperança para quem como eu também deseja mudar de vida. Sou filha única e muito agarrada aos meus pais, na altura não foi fácil, mas hoje acredito que cresci muito e Portugal tem agora um espaço mais especial no meu coração. Tenho muito orgulho de ser portuguesa e tento manter esse sentimento entre os meus. Lembrem-se se há alguém que pode mudar a vossa vida, são vocês mesmos! Como se diz na giria portuguesa, o caminho é para a frente. Lancem-se sem medos!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cinco desejos de Feliz Natal!

A noite mais especial do ano chegou! Para uns trará harmonia, a família reunida, o barulho alegre das crianças... para outros acredito que não passará da noite mais difícil do ano, onde a solidão se acentua e o frio arrefece até a alma.
É com estes últimos no pensamento que me sinto uma previligiada. É certo que estou longe dos meus pais e irmão. Não teremos, com certeza, a árvore carregada de prendas nem a mesa farta em iguarias Natalicias, que vão sendo "namoradas" entre conversas calorosas com entes queridos que já não se vê há meses. Mas não sinto frio, nem no corpo nem na alma. Muito menos solidão.


Nesta noite de consoada, deitam-se as filhas à hora do costume (21:00). De pijamas vestidos, põe-se a toalha na mesa, pão acabado de cozer, um queijo português, quem sabe se um chouriço assado, as azevias de grão que tanto adoro, as rabanadas acabadas de fritar, o arroz doce ainda morno, uma pequena travessa de camarões assados no forno e um jarro de sangria. Nao faltarão os crackers a dar o toque britânico à noite. Cá em casa seguimos apenas uma tradição, a nossa.
A dois, brindamos a nós e às nossas pérolas que nos vieram enriquecer a vida. Fazemos planos para o futuro próximo, partilhamos sonhos, trocamos postais renovando sentimentos por vezes diminuidos com o correr da vida... e ao fim de dois copos de sangria é chegada a hora de subir as escadas antes que as pernas pesem demais. Nesta noite, de paz e amor, não se trocam prendas... trocam-se carinhos, palavras e sentimentos.
Assim será hoje cá em casa, longe da terra que nos viu nascer e crescer mas sem solidão, tristeza ou saudade, apenas fisicamente longe.

Desejo a todos aqueles que nos têm vindo a acompanhar, conhecer e ver crescer, um Natal calmo e acolhedor na companhia de quem não vos permita sentir sós, seja em que canto do Mundo for.

Escrito por Cris

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Já lá vai o tempo que esta era uma noite agitada e repleta de animação. Uma noite em que crianças e adultos sonhavam com a magia do Natal. Noite em que um adulto se vestia de Pai Natal e entregava uma prendinha a uma das crianças da família. O Pai Natal tocava à campainha e as crianças excitadíssimas corriam pela casa. O Pai Natal apenas entregava uma prenda, essa seria a prenda solicitada por carta pela criança, sempre organizadas com a ajuda da mãe ou pai. Sim porque a última vez que nos reunimos todos (Natal 2009), eram 13 crianças e 15 adultos e toda a ajuda é pouca. Sinto falta dessas noites, mas não sendo possível este ano irmos a Portugal estar junto dos nossos, resta-me as memórias desses natais.


As crianças tinham um papel activo na noite, as mais velhas organizavam actividades com as mais novas, havia côro com músicas natalícias,  peça de natal ou poesia à mesa. Depois da meia-noite e acabados os comes e bebes, dava-se a distribuição de prendas durante uma hora ou duas.
Nesta noite, o bacalhau é sempre presença assídua na nossa mesa. Não somos apreciadores de bacalhau tradicional, pelo que costumamos fazer uma variante, bacalhau espiritual, com broa ou com natas. No entanto, como gosto de roupa velha, peço à minha mãe para cozer bacalhau com couves, para no dia 25, poder comer antes do prato de carne.
Mas voltando à temática da magia do Natal, e vivendo agora sob a influência inglesa, vejo agora alterada algumas rotinas, como por exemplo, para além de deixar o copo de leite e uma 'mince pie' para o Pai Natal, não posso esquecer de deixar também uma cenoura para a Rena que traz o Pai Natal. A minha R. de 9 anos, ainda acredita e faço questão de continuar a alimentar esta fantasia.

Por aqui espero ter uma noite bem calma na companhia da minha família mais directa, marido e filhos e também de uma amiga, também ela longe da sua família e da sua terra. Ficam por isso, os meus mais sinceros votos de uma noite santa para todos os nossos leitores e um beijinho especial para os emigrantes longe dos seus entes mais queridos.

Escrito por Carla

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Este dia de tamanha importância para mim e para os meus, este ano vai ser passado de uma maneira diferente. Com muito menos pessoas, por diversas circunstâncias, mas nunca esquecendo as nossas tradições, os nossos costumes, as nossas origens! De certo que quem faz o Natal para mim são as crianças, e este ano apenas terei na minha companhia o meu piolho, que com certeza fará a nossa alegria. É um dia que gostamos de fazer coisas em família e claro começa-mos pelos comes e bebes, falamos muito, rimo-nos imenso e pela noite dentro fazemos alguns jogos também.


Pelas 7h, começamos a preparar a mesa para a consoada, com diversas iguarias. Estando fora do nosso país de origem por vezes dificulta um pouco ter tudo o que mais gostamos nesta época à mesa, mas com o que conseguimos arranjar, muitas vezes encomendando e comprando nas lojas portuguesas em Londres, fazemos com que a diferença não se note tanto. Na nossa ementa nunca faltam o camarão cozido ou frito, o prato de bacalhau, seja ele cozido, frito, desfiado, ou assado, é presença assídua neste dia, e os doces típicos da época também, tais como as rabanadas, filhoses, azevias, molotoff e lampreia de ovos. A harmonia e o calor são evidentes. E as saudades dos entes mais queridos também. Mas não há tempo para a tristeza, pois neste dia é celebrado o renascer de uma nova luz que nos dá alento e força para continuar! Não posso esquecer de mencionar que também neste dia gostamos de vestir algo novo, na cor vermelha ou branca. Cores que significam para mim, Natal e pureza! À meia-noite, já dia 25, abrem-se os presentes e depois disso vamo-nos deitar.

Desejo a todos os que nos acompanham e nos apoiam um Santo Natal, se possível na companhia de quem mais amam!

Escrito por AnaF

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Desde que me conheço como gente, sempre me lembro de A-D-O-R-A-R o Natal… para mim é de longe a época com mais magia do ano!!!! Começo sempre a pensar no Natal super cedo, no inicio de Outubro já costumo começar a comprar os meus presentes, contudo o povo inglês supera- me e devo confessar que este ano até me aborreci, porque receber postais a desejar boas festas em Agosto é cedo demais!!!!!
Sempre tive Natais com muita gente, rodeada da família toda, no natal de 2010, o ano em que perdi o meu pai, como estava de coração vazio resolvi juntar 60 pessoas… pobre pai natal, quase nem jantou pois esteve quase a noite toda a separar os presentes para as crianças que eram mais de 20.


Contudo este ano será em tudo diferente… mas estou muito entusiasmada na mesma…. As diferenças começam logo pelo facto de que este ano pela primeira vez na minha vida estou a trabalhar no dia 24 até às 10 da noite logo, vai ser um natal dividido entre colegas de trabalho e família, mas como vejo sempre que “o copo está meio cheio e não meio vazio” estou feliz pois vou ter um triplo natal…. e isto porquê?? Porque vou ter um natal com as tradições polacas (a grande maioria dos meus colegas de trabalho são polacos), inglesas (sim, porque eu já encarnei no espirito british) e como não podia deixar de ser, portuguesas, com o pão, vinho, bacalhau e café sobre a mesa. Contudo em vez de 60 vamos passar a ser 6… enfim, mas o coração vai estar cheio e os outros 54 também vão cá estar!!!
Depois do trabalho venho a voar até casa onde vou comer as rabanadas da minha mãe primeiro que tudo, porque só assim é que começa o natal, depois vou ter que responder de 5 em cinco minutos à minha filha que já falta pouco… sentar na mesa, comer como se não houvesse amanhã, esperar que o pai natal venha (fazer a cena do costume de alguém se mascarar de pai natal mas ser sempre apanhado pelo meu filho), e por último, a cereja no topo do bolo, ver a cara deles de alegria e excitação a abrir os presentes… e uns minutos depois, quando tudo acaba, fico sempre a pensar que foi tudo tão rápido.

No fim da noite é hora de deitar fora os papeis e os cartões todos (sabendo bem que no dia seguinte vou ter que ir ao lixo e remexer tudo outra vez porque deitei fora livros de instruções, peças e acessórios, alguns microscópicos outros nem tanto dos presentes dos meninos), tomar 2 Renies, ir para a cama, dormir sentada porque comi demais e pedir muito, mas mesmo muito, ao pai natal que, antes de regressar ao polo norte, mande a fada da limpeza cá a casa e deixe tudo limpinho para o dia seguinte. Por fim, mas o mais importante de todo este meu ritual natalicio, começar a torcer para que ainda falte muitíssimo para o dia de desfazer a árvore de natal, tarefa que D-E-T-E-S-T-O!!!!

Desejo a todos um natal maravilhoso, cheio de coisas boas, com muita tranquilidade, paz de espirito e principalmente muita saúde!!!! Ho ho ho!!! Merry Christmas…

Escrito por Ana Dias

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O Natal trás consigo uma carga emotiva muito grande, além de toda a sua história com o nascimento de Jesus, transporta-nos à nossa infância e trás consigo a alegria de recordar os momentos vividos na nossa meninice. O dia começava bem cedo, e a agitação entre irmãos e primos fazia-se sentir pelo corredor de casa dos meus pais, era lá que a família se reunia pelo jantar. Onde se compunha a mesa com iguarias tradicionais, e não faltava o bacalhau, o peru assado e as filhóses que só a avó, deliciosamente, fazia. O momento mais esperado era à meia-noite quando a criançada podia abrir as prendas e, ali, reinava a alegria, a harmonia, a magia do Natal…



Este ano o Natal será, para mim, diferente, mas não menos importante.
Diferente porque pela primeira vez, vou estar fisicamente longe da minha família mas, com certeza, presente em pensamento e não menos importante, porque vou estar entre amigos de coração e por isso também bem acompanhada.
Desejo a todos um Santo Natal, repleto de muito Amor, Alegria e Esperança. Que a magia do Natal reconforte os vossos corações.


Escrito por Sandra

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

12 aspectos a ter em conta antes de emigrar


Ao longo da nossa vida, somos confrontados por situações ou acontecimentos que nos obrigam a tomar a decisão de ter que deixar o nosso país. Falamos concretamente da falta de emprego, da falta de perspetivas futuras, a crescente falta de recursos económicos, a dificuldade constante de  poder proporcionar aos nossos filhos uma vida confortável, mas também falamos daqueles que pensam em progredir na carreira, em continuar os estudos fora da sua zona de conforto, da vontade de ser independente e, por vezes, da curiosidade de viver num país diferente que nos permite ter contacto directo e diário com outros povos, novas culturas e formas de estar, diferentes crenças, raças e religiões.
Com certeza que todos nós nos identificamos mais com um ou outro motivo, mas seja qual for a razão que nos leva a deixar o nosso país, uma coisa que nunca devemos fazer é partir em busca de uma nova vida sem estarmos previamente preparados e informados sobre os país que escolhemos para viver, sendo E-S-S-E-N-C-I-A-L fazermos o trabalho de casa e, partindo do geral para o particular, devemos inicialmente tentar perceber quais são os costumes, hábitos e tradições do país de destino: 
  1. qual a língua oficial e dialetos principais
  2. a moeda
  3. o funcionamento do sistema de saúde
  4. o sistema escolar, se o público funciona bem ou se temos que recorrer ao privado.
  5. o fundionamento do sistema de segurança social, que benefícios poderemos ter direito, quanto iremos receber e se o processo é muito moros.
  6. qual o preço dos bilhetes de avião, ou outros transportes que nos permitam viajar para o país que escolhemos. 
  7. o preço, qualidade e disponibilidade das habitações/quartos
  8. facilidade de inscrição em escolas/creches
  9. preço e periodicidade dos transportes públicos
  10. o custo da alimentação
  11. qual a documentação que teremos que levar, se temos que tratar de vistos, quais os documentos necessários para entrar no país, processo de tradução e autenticação de diplomas, certificados e outros documentos.
  12. por último, mas igualmente importante, se teremos facilidade em comunicar através de telemóveis e internet.
O que referi, são apenas alguns aspectos práticos a ter em conta, contudo, seja qual for o motivo que nos leva a mudar de país, o que não nos pode nunca faltar é, a coragem, a força, a perseverança, a motivação e o espirito vencedor, deixando para trás as nossas inseguranças, permitindo-nos embarcar numa nova aventura, numa nova vida tendo a convicção que só pode dar certo!!!!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Receita de Natal: Rabanadas

 Background photo | Foto de fundo: Recipe Tin Eats
 
Nem acredito que estamos com o Natal à porta... até parece que foi ontem que saudava o novo ano e agora já ele está no fim e cá em casa já somos mais um.

Desde que eu me conheço por gente que há rabanadas à mesa pela altura do Natal. Quando era pequena eram iguarias feitas pelas mãos da minha avó. Quando o Natal passou a ser comemorado em casa dos pais, as rabanadas saíam da pastelaria do bairro. Agora, aqui, longe de Portugal, do calor familiar e do cheiro a canela, açucar e fritos, as rabanadas passaram a sair da nossa cozinha. Porquê? Porque as da pastelaria não são a mesma coisa, porque é bom sentir o cheiro do açucar e da canela a invadir a casa anunciando a quadra festiva e porque é bom pensar no prazer que a minha avó tinha quando passava o dia 24 na cozinha a preparar isto e aquilo para a chegada da filha, genro e neto (porque a neta [eu] já lá estava a ajudar ou desajudar...), porque no fundo é esse prazer que sinto com uma tarde de trabalho que culmina numa noite aconchegante, mesmo que apenas entre marido e filhas, nada substitui o matar saudades desta doce iguaria tão portuguesa e tão Natalicia que começa logo com a sua confecção.

A receita que deixo aqui é a que faço há 2 anos para cá. Não é dificil de fazer mas requer algum tempo pois é um processo que tem de ser levado do inicio ao fim sem interrupções, mas vale a pena!


Rabanadas

Ingredientes:
leite q.b.
1 pão de forma
5 a 6 ovos
açucar a gosto
casca de meio limão
2 paus de canela
óleo para fritar
açucar e canela em pó q.b.

Preparação:
Normalmente faço as rabanadas um pouco a olho por isso não consigo dizer exactamente as quantidades certas que serão necessárias mas, como o processo é simples, não há muito que enganar.
Deitar num tacho o leite, eu uso cerca de 500ml para que as fatias fiquem bem molhadinhas e por vezes ainda chego a acrescentar mais, a casca de limão, os paus de canela e o açucar, aqui terás de provar à medida que juntas o açucar de forma a obteres o suficiente para conseguir uma mistura doce ao teu gosto. Levar ao lume até levantar fervura. Tirar do lume, retirar os paus de canelas e casca do limão, e deixar arrefecer.
Entretanto corta-se o pão de forma em fatias de aproximadamente um dedo de espessura.
Num recepiente bater os ovos com um garfo e reservar. Noutro recepiente preparar uma mistura de açucar e canela em pó.
Pôr um pouco de óleo a aquecer e quando este estiver quente passar a fatia de pão primeiramente pelo leite, depois pelos ovos batidos e levar a fritar dos dois lados.
Deixar a escorrer em papel absorvente e passar pela mistura de açucar e canela.
Repetir o processo para todas as fatias de pão.

Quando acabar verá que a casa cheira mesmo a Natal!
Bom apetite e Feliz Natal!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Crónicas do emigrante: Sede de crescer!

Hoje levei a minha filha e mais duas amigas dela ao cinema para verem o filme dos One Direction, uma boys band muito popular e que tem andado na berra estes últimos tempos.

Todas vestiam t-shirts da banda e levavam malinha ao ombro, uma delas usava ainda maquiagem e sapatinho alto. Em Portugal as raparigas com 9/10 anos de idade são ainda muito meninas, por aqui, na Inglaterra, querem crescer cedo e serem umas jovens adolescêntes.

No filme, os elementos da banda falavam das mudanças da vida de cada um deles após o início da boys band... dei comigo a divagar...

A minha filha R, agora com 9 anos, está a entrar naquela idade em que já não é uma criança mas também ainda não é adolescente. Anda num meio termo, meio ambiguo, pouco claro e por vezes noto que já quer ser vista como uma mulherzinha. Com atitudes já de pre-adolescente, ela e as amigas claro.
Há pouco tempo queria que lhe comprasse bilhete para um dos concertos da referida banda. O preço dos bilhetes, sim porque teria que ser um bilhete para ela e outro para um adulto, ultrapassava as £300, loucura total! Primeiro, acho que é de todo descabido gastar tanto dinheiro para umas horas de diversão e além do mais têm uma vida inteira para ir a concertos.

Hoje as raparigas querem liberdade e exigem tudo o que as amigas têm. Desejam igualar-se aos seus pares. Para mim, como mãe, não está fácil aceitar esta mudanca, ainda para mais quando estamos inseridos noutras culturas diferentes da nossa.

Serei só eu ou haverá por ai mães com o mesmo problema?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Entrevista com...

Hoje recebemos aqui no CPI para mais uma partilha de experiências a Gracinda Cabral Roças de 40 anos. A Gracinda é casada e mãe de 3 crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Emigrante em França há 2 anos a nossa entrevistada é dona de casa a tempo inteiro e cheia de objectivos para cumprir. Bem-vinda ao CPI Gracinda!



O que te motivou a emigrar?
Na verdade foi uma decisão do meu marido. No início seria apenas ele a emigrar, mas depois de 5 meses ele já tinha tudo preparado para a nossa chegada e estadia, então foi só fazer as malas e virmos para cá.

Porquê a escolha de França?
Foi um convite. Um amigo já havia feito esse convite várias vezes e naquela altura o meu marido estava desempregado e eu também. Ir para França foi uma luz no fundo do túnel.

Como foi o teu princípio?
No início tudo era novo então estava entusiasmada, mesmo sabendo que o meu francês era terrível e teria muitos problemas! No entanto a esposa do amigo do meu marido deu-me o apoio necessário, assim como o patrão do meu marido que também é português.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Eu comecei a ver tudo negro do meu lado! Precisava inscrever os meus filhos nas escolas, precisava fazer compras… ou seja, precisava organizar-me e, o facto de não saber falar e de não os perceber, complicou a minha vida no primeiro mês.
Em Portugal eu vivia em Lisboa e tive de me mudar para Aveiro, mas a mudança não foi tão dolorosa como vir para cá. Sentimo-nos perdidos,  como se fossemos de um outro planeta.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O meu filho de 5 anos não se adaptou muito bem à escola e a minha filha adoeceu, isso para mim foi terrível, mas pude ver que o sistema de saúde aqui é do melhor. Quanto à escola, penso que Portugal tem mais e melhores condições a oferecer aos alunos.

O que aí conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Eu em Portugal não tinha nada, ao ponto de não saber como matar a fome dos meus filhos no dia seguinte ou na semana seguinte. Hoje, depois de um ano, os meus filhos não têm necessidade de nada e vivemos razoavelmente bem.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
9, porque tenho objectivos para alcançar!

Do que mais sentes falta?
Sinto falta de pessoas perto de mim, tenho vizinhos mas a falta de comunicação ainda existe. Então praticamente vivo em silêncio!

De que forma matas a saudade de Portugal?
Bem, por 2 anos tenho ido a Portugal nas férias e também, quase que diariamente, telefono para lá, mas é fácil encontrar aqui comerciantes portugueses a vender produtos portugueses.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Sim claro. Todo o Português vivendo fora do seu país representa-o. Agora parte de cada um se o vai representar bem ou mal!

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Bem! Logo no início, eu e o meu filho fomos às compras, e ao colocar os produtos na mesa rolante da caixa, a senhora que estava ao meu lado deixa uma garrafa de tomate juntar-se às minhas compras, e a senhora da caixa também registra como minha. Eu, apercebendo-me disso, tento dizer à senhora que o frasco não é meu! Tudo parou naquele momento e toda a atenção foi para mim, porque eu gaguejei, fiz gestos e nada! Eu do pouco que aprendi do francês tentei explicar-lhe de que não falava francês e que não estava a perceber o que ela estava a dizer. Entretanto, o gerente apareceu e vocês nem imaginam a festa que eu fiz quando aquele homem abriu a boca e falou português! Bem a partir dali começou a ser mais fácil fazer compras!
Tenho uma outra situação, por exemplo: Os canais de tv aqui são todos franceses ou dobrados para francês, um dia de manhã estavamos a ver as noticias e percebo que: "duas crianças disparu...”; Eu entretanto chamo o meu marido e digo-lhe: - "Olha marido parece que uma criança disparou sobre outra criança.” Bom... durante o dia só falava disso com o meu filho. À noite, quando o meu marido viu as notícias, desata às gargalhadas porque disparu quer dizer desapareceu e não disparou, como eu entendera. A verdade é que as palavras francesas confundem um pouco por serem parecidas às portuguesas mas com significado diferente.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Claro que faria tudo de novo, talvez escolhesse outro pais, mas deixaria Portugal para trás.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Já pensei nisso, mas se isso acontecer será um dia bem lá na frente.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei dizer onde, mas com alguns dos meus projectos realizados, esse é o meu objectivo.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Que comecem a preparar-se, tanto no idioma como psicologicamente, e que não dêem ouvidos ao que as pessoas falam que é para não virem iludidos. Ir para um pais estranho é como ir para a selva, encontramos de tudo, e não é fácil encontrar alguém que nos ajude, temos de ser nós a ir à luta, tomar a iniciativa. Estarem consciente de que não vai ser fácil nos primeiros tempos. No meu caso depois de quase 1 ano e meio é que comecei a ver melhoras na minha vida, porque sem o apoio do estado não conseguimos sobreviver.

Muito obrigada pela partilha Gracinda! Boa sorte e determinação na concretização dos teus objectivos.

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sábado, 5 de outubro de 2013

Destino: Alemanha!

Hoje o CPI traz ao blogue mais um texto sobre a, cada vez mais frequente, emigração. Desta vez o destino dos portugueses é Alemanhã. Mais três testemunhos reunidos pelo Público online através da jornalista Maria João Guimarães.  


"São cada vez mais a chegar: portugueses, gregos, espanhóis. O desemprego, os fracos salários e a falta de oportunidades empurraram-nos para o país que se tem mantido forte durante a crise europeia.
Está sempre a chegar gente, comenta Hugo Estrela, um português a viver em Berlim. "É um amigo, um amigo de um amigo, o primo de um amigo..." - portugueses que, fartos da situação em Portugal, vêm para a Alemanha. "E nem é tanto para Berlim - para Frankfurt, Munique, por exemplo." As situações repetem-se: busca de emprego sem encontrar nada, trabalhos mal pagos, falta de possibilidades de progressão, falta de escolha.

A Alemanha está a receber cada vez mais pessoas dos países da crise. Segundo o Instituto Federal de Estatística, a percentagem de portugueses a chegar à Alemanha aumentou 43% entre 2011 e 2012 (mais 4000 pessoas), a percentagem de gregos corresponde aos mesmos 43% (mais 10 mil), a de espanhóis 45% (9 mil), de italianos, 40% (12 mil).

Muitas destas pessoas não queriam sair do seu país. Rita Ferreira já tinha pensado várias vezes nisso, mas "nunca tinha tido coragem". Depois de dois períodos de desemprego, de ter de regressar a casa dos pais (ela é do Algarve, onde tinha trabalhado cinco anos numa agência de comunicação como designer), de tentar tudo e mais alguma coisa e de ver vários amigos sair... "Chegou a altura em que disse: "É a minha vez.""
"Um amigo falou-me de uma vaga na empresa onde trabalhava aqui em Berlim", conta. "Foi tudo muito rápido. Duas entrevistas por telefone e email, e entre ele falar nisso e eu vir para cá, passou-se uma semana." Foi em Maio de 2012, mas a facilidade ainda hoje parece incrível. "A quantidade de currículos que mandei em Portugal e não deu em nada..."
O cargo a que se candidatou na empresa de publicidade online (tem sede em Berlim e escritórios em Londres, EUA, Turquia, e também na Ásia) é de webdesigner. "Que não sou", comenta. Teve formação, ficou à experiência três meses, e agora tem contrato sem termo. Começou a ganhar 2000 euros (brutos) e agora 2500 (cerca de 1600 líquidos). Não tem comparação com o que ganhava em Portugal - mil euros no segundo trabalho e no primeiro "nem isso, cerca de 700".
Em Berlim tem amigos "polacos, italianos, espanhóis, brasileiros, italianos, bielorrussos", enumera. Vai comer a restaurantes de todo o mundo (e ilustra-os no blogue WeAteHipsters). "Aqui não sentimos que estamos na Alemanha", comenta. A língua é, aliás, um problema para Rita, que já começou, desistiu e agora recomeçou a ter aulas de Alemão.
De resto, é a questão de sempre: não há sol. "Este céu cinzento que estás a ver" - e que já começou há umas duas semanas - "vai continuar durante meses."
A cidade tem só mais um defeito. "Sinto-me velha aqui", comenta a rir. "A média de idades na empresa é de 20, 25 anos, incluindo os meus chefes. São novos, mas já têm muito currículo."


Levar troco da troika
Cláudio Vilarinho está "onde está o trabalho". E este tem mudado um pouco nos últimos meses. "Em Maio de 2012 não pensava estar em Londres", e em Setembro lá estava. E quem diria? Agora está sentado numa mesa de um café em Berlim.

Depois de anos em Portugal a trabalhar em arquitectura, com atelier próprio (em sete anos, vários primeiros prémios e outras menções em concursos de arquitectura), começou a ficar farto de, mesmo assim, nunca ter dinheiro suficiente para cobrir as despesas do atelier. "Começa-se a entrar na realidade e a questionar: tenho de procurar um emprego?" Assim, passou um ano a tentar encontrar algo em Portugal: nada. Depois, mandou cerca de 30 currículos para o estrangeiro: Suíça ("Gosto da arquitectura lá"), Londres ("Para melhorar o inglês"), Noruega ("Diz-se que tem qualidade de vida"), Áustria ("Apenas para um atelier porque estava lá um ex-professor").
"Tive sete ou oito respostas - e umas cinco iam em fase adiantada." Passadas duas semanas, decidiu aceitar ir para a capital britânica. Voltas e reviravoltas depois, a Londres chega uma proposta austríaca, e Cláudio decide-se por ela.
Pouco tempo depois, passa para Berlim, para colaborar na mesma empresa - e aqui está ele. Quer dizer, entre lá e cá, porque a cada 15 dias, passa quatro em Portugal. Por várias razões, mas a principal é a família, mulher e duas filhas. "Chego na sexta, pouso a mala e vou buscar as minhas filhas ao jardim-de-infância, e ainda as levo na segunda-feira antes de apanhar o avião", diz. "Mas não é como estar sempre em Portugal."
Vai falando dos projectos em que tem participado - aqui em Berlim, um concurso para uma torre com 48 mil m2, ou um edifício de 17 mil m2 em Munique. Em Portugal, após ter vencido o concurso público de concepção, aguarda o início da construção do Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-sustentabilidade, da Universidade do Minho, 3000 m2, que deverá começar em breve.
Cláudio não arrisca dizer onde estará amanhã. Agora, vai ligando cá e lá: sendo português e passando factura portuguesa pelos serviços de arquitectura, isto é, exportando os serviços que vai prestando na Alemanha, recupera "uma parte do dinheiro que estão a ganhar [com Portugal] com os empréstimos da troika de volta para Portugal", comenta, a rir e com um brilhozinho nos olhos.

Hugo Estrela, 30 anos, está em Berlim há quase três. Não saiu por causa da crise, mas tem "quase a certeza de que lá não conseguiria fazer o que [está] a fazer [em Berlim]". "Pelo que me dizem, saí mesmo na altura certa."

Do Erasmus à fotografia
Começou por vir fazer Erasmus de seis meses (estudou Letras na Universidade de Lisboa), na Universidade de Humboldt, e passado duas semanas ligou à coordenadora do Erasmus dizendo que queria prolongar a estadia por um ano. Terminou o curso, fez um estágio remunerado que tinha mais ou menos a ver com Letras ("Diziam que era edição, mas na verdade era pesquisa e tradução para uma start up") e depois decidiu-se por um curso de fotografia, que já fazia há algum tempo mas "por diversão".
Na Alemanha "há possibilidade de estudar fotografia a sério". Decidiu concorrer à Ostkreuzschule e depois das provas, entrevista, etc., foi admitido. No segundo ano de curso, vai tendo já trabalho de fotografia através da escola. "Há sempre alguém que viu, gostou [e encomenda trabalhos], e aqui é bem pago." Juntamente com part times - "Já trabalhei em bares, cafés, recepção de hotel"- tem dado para a despesa. O part time é num hotel onde ganha cerca de oito euros à hora, com dois a três turnos por semana, de quatro a oito horas.
"Um pouco à justa", diz, mas dá para as despesas e para os projectos do curso - o seu projecto final será agora no Norte da Grécia, na fronteira com a Bulgária e a Turquia. Mas quer desfazer a ideia de que "tudo aqui é maravilhoso", diz. "Tenho colegas que passam algumas dificuldades."
Com a escola,e com amigos e namorada aprendeu alemão. "Fui a duas aulas." E o resto aprendeu o "alemão de rua". Para já, pensa ficar na Alemanha, "sem dúvida". Na sua escola, fazem sempre uma exposição de final de curso que atrai atenções, é "uma rampa de lançamento", e depois não será difícil encontrar trabalho.

(...)"

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/jornal/portugueses-partem-para-a-alemanha-para-estarem-um-passo-a-frente-a-crise-27125231

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entrevista com...

Hoje recebemos o Miguel Coimbra aqui no CPI. Tem 30 anos, vive em união de facto com a sua namorada e têm uma filha de 2 meses. O Miguel está emigrado na Bélgica há mais de 16 anos. Miguel, bem-vindo ao blogue do CPI!


O que te motivou a emigrar?
Eu diria mais, o que me obrigou a emigrar... pois aos 14 anos, não tive outra alternativa, na altura detestei a minha mãe e o meu padastro por terem tomado essa decisão, fiz-lhes a vida negra, penso que a pré-adolescencia é a pior fase para uma mudança tão radical. Hoje, com o meu olhar de adulto e de pai, percebo as razões que eles tinham, e o mais certo é que eu teria feito o mesmo. Na altura, a vaga de emigração era muito fraca e não era muito comum, especialmente para a Bélgica ...
Depois da falência brutal de ambos o restaurante e empresa de confecção que ambos tinham em Portugal, decidiram deixar as dividas e a vida para trás e vir para o centro da Europa para uma segunda chance.
Quanto a mim, acabei o meu 8° ano colectivo, e tive que segui-los.

Porquê a escolha da Bélgica?
O meu padastro tinha uma irmã em Bruxelas que tinha aberto um restaurante, decidiram vir trabalhar com eles após uma visita uns tempos antes...

Como foi o teu princípio?
Foi horrível, cheguei a Bruxelas no dia 7 de Julho de 1997, com 2 meses de férias onde a unica coisa a fazer era ver TV em Francês e Holandês (sim, na Bélgica, há 2 linguas nacionais...).

Qual foi o sentimento dos primeiros dias/meses?
Comecei a escola em Setembro, os primeiros dias foram mesmo dificeis, mas tive a sorte de me terem posto num programa para aprender a falar francês para estrangeiros. Por isso o primeiro ano tinha Francês – como língua estrangeira - metade da semana e a outra metada aulas normais como Matemática, Inglês, Física, Química, etc... Mas reprovei aquele ano lectivo, obviamente...

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O mais difícil é ter a impressão de ter perdido os amigos, os primos e todo o resto da família dum dia para o outro. O lado positivo é ter a sorte de estar na capital da europa, nunca tinha visto um eléctrico ou um metro antes, e ver pessoas tão diferentes.

O que aí conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Embora, não tivesse nenhuma espectativa na altura, consegui aprender a falar francês em menos de um ano (pelo menos sem dar muitas "calhoadas"). Todos me diziam que nunca iria perder a pronúncia aportuguesada na altura porque aos 14 anos era tarde demais, mas nada disso é verdade, basta querer... pois o ano a seguir era o melhor da turma.
Na altura, a maior expectativa que tinha era voltar para Portugal o mais rápido possível!! Assim que tivesse 18 anos... mas as expectativas saiem sempre do avesso e entretanto tirei um curso... conheci a minha namorada e arranjei emprego... e foi cada vez mais dificil voltar e deixar tudo o que construi aqui.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Tendo em conta desde que estou aqui diria 7/10. Hoje sinto-me não só Português, mas também metade Belga, fui caloiro na universidade de Bruxelas e vivi momentos inesqueciveis aqui. Afinal, já vivi mais aqui do que em Portugal.

Do que mais sentes falta?
Sem dúvida de namorar em Português, adoraria poder chamar “mor” a alguém!
Dos abraços dos primos e dum cafézinho com os amigos depois duma mariscada à beira-mar numa noite quente.

De que forma matas a saudade de Portugal?
Embora tenha saudades de Portugal todos os dias, é muito raro tentar matá-las aqui e aguardo para quando volto de férias... Mas hoje em dia temos a sorte de poder ver a família, falar com eles pela net e até apanhar o avião dum dia para o outro.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Sim, enquanto estudante participei durante alguns anos muito activamente no site da comunidade portuguesa da Bélgica de divulgação e promoção de lojas, comércios e empresários portugueses, tenho muita honra da minha cultura e partilho muitas vezes com toda a gente com quem falo! É incrivel como somos amados fora do nosso país!!

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Lembro-me de perguntar à professora de Holandês, qual parte do quadro estava escrito em Francês e qual parte estava escrito em Holandês para tentar adivinhar a tradução para Português... ^_^

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
No regrets.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Sim, de certeza absoluta!!!!

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Fora da Bélgica, sim! Quero emigrar da Bélgica como emigrei de Portugal e ir para outro país, sonho em ir morar para São Francisco ou outro país qualquer.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
A minha maior recomendação é de não emigrar na única perspectiva de ganhar dinheiro e voltar para Portugal, comprar um carro e uma casa!! Por favor, não vivemos nos anos 70... Algo que também não suporto é emigrantes a chorarem que em Portugal tudo é melhor, mais bonito e fora tudo é feio e mau e que tão cheios de saudades de tudo e só falam tuga e vêem a RTP i!! A nossa casa é onde dormimos à noite ;-)
Eu sei que por vezes é difícil aceitar a diferença, mas é importante fazer esse esforço. Na minha opinião: emigrar é muito mais do que dinheiro, é enriquecer-se de novas culturas, experiências, aprender novas línguas, e sobretudo ter novas oportunidades para evoluir...
Ou talvez, o que estou a dizer seja tudo mentira e é simplemente para me convencer e esconder as saudades que eu tenho do meu país!!

Obrigada pela partilha Miguel! Esperamos sinceramente que consigas realizar o teu sonho de emigrar de novo. Sucesso!


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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em Entrevista

 

De volta ao Reino Unido viemos conhecer um pouco da experiência da Leonor Silva de Mattos, 34 anos, casada e com uma filha linda de 2 anos. A Leonor emigrou em 2004 para o Reino Unido e por aqui foi ficando.


O que te motivou a emigrar?
Eu vim para o Reino Unido com o intuito de estudar. Em Portugal ainda cheguei a entrar na Universidade de Lisboa, mas achei o meu curso pouco flexível, os académicos extremamente inacessíveis e o sistema educacional antiquado. Acabei por desistir a meio do curso e decidi ir trabalhar, mas o bichinho de tirar um curso superior nunca desapareceu. Quando a oportunidade de estudar em Inglaterra surgiu, atirei-me de cabeça.

Porquê a escolha do Reino Unido?
Desde miúda que sempre tive um fascínio pelo Reino Unido, e principalmente pela Inglaterra. Sempre fui boa aluna em Inglês, dominava bem a língua, conhecia a cultura minimamente e portanto sabia que a adaptação não seria muito dificil. Tudo isto mais a vantagem de estar a menos de 3 horas da família ajudou e muito na decisão.

Como foi o teu princípio?
Começar num país novo tem os seus desafios. Eu vim para estudar e deixei para trás uma carreira promissora no aeroporto de Lisboa (que eu gostava muito), a minha família (da qual eu nunca me tinha afastado antes), amigos e animais de estimação. Para mim isso foi provavelmente o mais difícil.

Depois tinha também outras preocupações. Quando cheguei ao país tinha pouco mais de £300 no bolso e o meu alojamento na universidade só estava pago até Dezembro. Tinha uma bolsa de estudo que me pagava as propinas, mas mesmo assim sabia que tinha de arranjar emprego e rápido! Ao fim de um mês à procura, lá consegui arranjar um emprego a part-time, na altura a vender malas e carteiras e a ganhar cerca de £4.60 à hora. Entre ir à universidade e o trabalho, sobrava-me mesmo muito pouco tempo para conhecer a cidade onde eu estáva, quanto mais o país...

Na universidade as coisas também não foram fáceis de início. O sistema educacional daqui é muito diferente do português, e demorei um semestre a tentar perceber exactamente como é que as coisas funcionavam. O choque de culturas também contribuiu para me sentir um pouco deslocada e isolada. Não tinha muitos amigos e enquanto a maior parte dos estudantes esbanjavam dinheiro em alcool, festas e noitadas, eu tinha que poupar e ir para a cama cedo para ir trabalhar no dia seguinte. A minha atitude e espírito de sacrifício contribuiu e muito para que as coisas corressem geralmente bem e sem grandes sobressaltos, mas não foi sempre fácil.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Tudo era novidade para mim, e amei cada minuto. Lembro-me muito bem das caminhadas entre universidade, alojamento e trabalho em dias gelados, do cheiro do meu quarto, das plantas diferentes que vi, das pessoas a falarem Inglês constantemente, dos supermercados abertos 24 horas, dos corredores cheios de estudantes na universidade... Tudo isto são boas lembranças dos meus primeiros tempos por cá. Depois lembro-me também de algumas coisas menos boas. Por ser estrangeira, sofri alguma discriminação no trabalho e na universidade, e isso foi talvez o único ponto negativo da minha experiencia como emigrante.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O que mais me surpreendeu foi o sistema daqui – há regras para tudo, e as coisas funcionam! E quando não funcionam, basta escrever uma carta de reclamação que o assunto é geralmente resolvido em menos de uma semana. Depois há supermercados abertos 24 horas que vendem coisas super baratas como conjuntos de talheres e pratos por £5, refeições de comida congelada para a semana toda por £3, ou shampoos por 50p! E zonas verdes, muito verdes, esteja sol, chuva ou vento... A natureza neste país é intensa e extensa.
Os aspectos menos bons são talvez os preços excessivos dos quartos e das casas, bem como o número e o valor das contas que se têm de pagar. Os meus primeiros 6 anos foram passados a saltitar de casa em casa, normalmente em quartos alugados, e as coisas nem sempre corriam bem com as pessoas com quem eu morava. Outro dos aspectos negativos está relacionado com discriminação, nomeadamente com o tipo de tratamento que as pessoas nos dão assim que descobrem que somos estrangeiros. Tem tendencia a melhorar com o tempo, mas para quem não está habituado este pode ser um sapo difícil de engolir. O tempo aqui também é muito cinzento e ao fim de alguns anos a pessoa começa a sentir falta do sol e do calor.

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Sem dúvida! No início eu nem vim para ficar! A minha ideia era mesmo tirar a minha licenciatura e voltar para Portugal. Mas as coisas foram caminhando gradualmente de tal forma que eu acabei por ficar para tirar o mestrado, e depois fui convidada para gerir uma consultadoria e dar aulas - com este tipo de propostas e oportunidades seria uma loucura fazer as malas e ir embora, principalmente porque em Portugal estas oportunidades não estariam sequer ao meu alcance. Depois conheci o meu marido, casei e construimos família... E com tudo isso fui ficando onde estou até hoje, e estou feliz porque faço o que gosto, sou paga razoavelmente bem, tenho tempo para a minha família e para continuar a estudar como parte do meu desenvolvimento profissional.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Penso que a minha experiência em geral se resume a um 8. Nunca será 10 porque há muitas coisas das quais sinto falta.

Do que mais sentes falta?
Da minha família, das comidas, e das praias de areia fina e mar transparente.

De que forma matas a saudade de Portugal?
Tenho um grupinho de amigos portugueses que se junta quase todos os fins de semana para matar saudades. Quando tenho mesmo muitas saudades de Portugal e não tenho oportunidade de lá dar um pulinho, vejo tv portuguesa online, ou oiço rádio portuguesa, falo com a família, leio as notícias do Público e do Jornal de Notícias, ou as notícias locais do Rostos. Se tiver tempo (o que é raro) até sou capaz de dar um pulo a Stockwell (onde há imensos restaurantes portugueses) para almoçar.

* Stockwell - localidade na zona sudoeste de Londres onde se encontra uma vasta comunidade portuguesa, e por isso bastante comércio e serviços portugueses (mercearias, clubes, cafés, restaurantes, cabeleireiros, etc)

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Quando vem à conversa sim, mas não imponho as minhas ideias ou conhecimentos de fado, ou literatura, ou música sem me serem pedidos.

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Para quem não está habituado, ir ao supermercado às 2 da manhã tem das suas coisas engraçadas. Lembro-me que da primeira vez que fui a um supermercado a essa hora vi muita gente a fazer compras de pijama. Para mim, isso foi super engraçado.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Sim, sem dúvida. O balanço desta experiência é positivo.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Nesta altura não está nos meus planos voltar, mas gostaria de ter uma casinha um dia para ir passar férias.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei, sinceramente. Não sou de me acomodar e quando as coisas não me estiverem mais a fazer feliz, não tenho medo de mudar para melhor, seja aqui ou noutro país qualquer.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Para emigrar é preciso ter a coragem de dar esse passo, mas também fazê-lo com cabecinha. É preciso ponderar custos, criar planos A e B, e vir sempre com espírito de sacrifício, isto é, estar sempre disposto a fazer qualquer coisa para ganhar algum dinheiro honesto, mesmo que isso signifique começar por baixo. E depois de se conseguir um ganha-pão, é só mesmo uma questão de tempo até se conseguir fazer aquilo que realmente se quer fazer, mas nunca se deve ficar em casa de braços cruzados à espera que as oportunidades caiam do céu. Aqui, quem vai à luta é quem consegue as melhores coisas...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Em Entrevista


Hoje temos o previlégio de ter como entrevistada a Cristina Vieira de 38 anos, casada e com uma filha de 4 anos. A Cristina emigrou há cerca de 11 meses para o Dubai, Emirados Árabes Unidos, uma realidade totalmente diferente daquela que temos vindo a abordar com as entrevistas anteriores.


O que te motivou a emigrar?
Primeiro que tudo foi reunir novamente a família, o meu marido já estava a viver no Dubai. Segundo a situação económica em Portugal, apesar de ter emprego garantido decidi sair.

Porquê a escolha do Dubai?
Acima de tudo o ordenado, condições oferecidas, o clima (apesar do calor e da humidade) sabe bem não ter chuva/neve.

Como foi o teu princípio?
Com o apoio do meu marido, foi fácil. Difícil foi lidar com outras culturas outras formas de pensar.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias/meses?
Eu já tinha estado no Dubai duas vezes antes de vir, por isso já conhecia. A nível de trabalho já sabia mais ou menos o que me esperava, pois o meu marido trabalha no mesmo ramo/empresa. Por isso não tive o deslumbre das arabias.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
Positivos uma vida nova. Negativos ter deixado a minha filha em Portugal, apesar de ela ter vindo mais tarde custou-me muito.

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
A nível pessoal a vida melhorou, a nível profissional ainda é muito cedo.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Por enquanto 8

Do que mais sentes falta?
Da família, dos amigos, da comida

De que forma matas a saudade de Portugal?
Facebook, Skype. Ah! e vamos jantar a um restaurante Português maravilhoso que há aqui.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Sim, acho, aliás tenho imensos colegas que ou nem sabem onde Portugal fica ou sabem mas não fazem a mínima ideia do que podem ver/conhecer.

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Chegar ao Dubai no meio do Ramadão, ter vontade de beber água e não poder. Solução beber às escondidas no carro.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Sim, mas tinha vindo mais cedo.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Um dia… não sei.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei, mas fora de Portugal de certeza.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Primeiro que tudo muita força de vontade, arranjar uns amigos no pais de acolhimento. Claro que há muito mais coisas, mas tudo depende para onde se vai.