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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

No último dia do mês...

O ano começou cheio de resoluções e compromissos. 
Este é um projecto mais ambicioso do que poderia algum dia ter imaginado.
São muitos os Portugueses que não estão bem no país de origem. São muitos aqueles que nos procuram com perguntas que muitas vezes não sabemos responder mas tudo temos feito para nos informar e esclarecer. São muitas as vezes que ajudamos pessoalmente quem decide dar o passo para o país para onde emigrámos. Assim fizemos amizades, assim o CPI cresceu.


No inicio do mês falámos de motivação, apoio, suporte... Este tem sido um espaço regido apenas por uma equipa de voluntárias. Mulheres com filhos, casa para gerir, trabalho, família, amigos... Comecámos com 3, passámos a 4, a 5 e depois a 4. Sempre mulheres com filhos, trabalho, casa, família, amigos...
Alguns objectivos não foram alcançados. Tem sido demasiado difícil encontrar solidariedade, é quase a mendigar que temos conseguido o apoio de quem sempre nos acompanha, muitas vezes no anonimato, não se querendo envolver, não querendo se comprometer. E esse "não querer" condiciona-nos. Chegámos a cerca de 40 seguidores aqui no blogue, possivelmente muitos mais nos acompanham. Porque não o mostram publicamente? Não sabemos. Sabemos sim que a falta de suporte explicito inviabiliza este espaço.

Com o novo ano, e vivendo num país de oportunidades (ainda) todas nós iniciámos, reatámos ou alterámos projectos nas nossas vidas, especialmente a nível profissional, projectos que requerem empenho, tempo e compromisso. Com o novo ano, tivemos de fazer escolhas, tomar decisões, tentar adaptar-nos, priorizar opções.
Tinhamos muitos sonhos, planos, ideias para o CPI. Tinhamos em vista crescer e que crescessem connosco. Ao fim de mais de 6 meses o crescimento não correspondeu ao nosso empenho. As horas do dia esgotam-se e temos de nos focar no que nos acrescenta valor, no que nos realiza e motiva.

Viemos aqui partilhar pedaços das nossas vidas, publicámos informações úteis, noticiámos curiosidades, divulgámos experiências de vários cantos do Mundo (a quem muito agradecemos a partilha). Deixámos aqui muitas horas dos nossos dias, num projecto que muito nos orgulhou e orgulha. Muito aprendemos com as questões que nos colocaram. Muito crescemos como individuos.

Domingo, dia 19 deste mês, reunimos de urgência para decidir o futuro do CPI. Desta reunião, mais descontraída do que as anteriores, talvez pela seriedade e responsabilidade do assunto em pauta ser maior, saíu uma decisão. O CPI chegaria hoje ao fim.
Muito temos a agradecer a quem nos acompanhou, acreditou em nós e demonstrou o seu suporte e carinho pelo projecto. Apresentamos as nossas desculpas a quem não conseguimos ajudar, a quem não nos foi permitido responder porque o nosso dia também só tem 24 horas. Desejamos do fundo do nosso coração imenso sucesso e muita sorte a quem decidir partir nesta aventura de emigrar e abraçar o desconhecido.

Sejam felizes aqui ou em qualquer outro lugar do Mundo!
A equipa do CPI,
Cris
Ana F.
Ana D.
Sandra

Nota: O blogue do CPI ficará aberto a fim de partilhar o conhecimento nele existente com quem aqui vier parar. A página do Facebook será encerrada por questões de segurança, assim como a participação do CPI no twitter.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cinco desejos de Feliz Natal!

A noite mais especial do ano chegou! Para uns trará harmonia, a família reunida, o barulho alegre das crianças... para outros acredito que não passará da noite mais difícil do ano, onde a solidão se acentua e o frio arrefece até a alma.
É com estes últimos no pensamento que me sinto uma previligiada. É certo que estou longe dos meus pais e irmão. Não teremos, com certeza, a árvore carregada de prendas nem a mesa farta em iguarias Natalicias, que vão sendo "namoradas" entre conversas calorosas com entes queridos que já não se vê há meses. Mas não sinto frio, nem no corpo nem na alma. Muito menos solidão.


Nesta noite de consoada, deitam-se as filhas à hora do costume (21:00). De pijamas vestidos, põe-se a toalha na mesa, pão acabado de cozer, um queijo português, quem sabe se um chouriço assado, as azevias de grão que tanto adoro, as rabanadas acabadas de fritar, o arroz doce ainda morno, uma pequena travessa de camarões assados no forno e um jarro de sangria. Nao faltarão os crackers a dar o toque britânico à noite. Cá em casa seguimos apenas uma tradição, a nossa.
A dois, brindamos a nós e às nossas pérolas que nos vieram enriquecer a vida. Fazemos planos para o futuro próximo, partilhamos sonhos, trocamos postais renovando sentimentos por vezes diminuidos com o correr da vida... e ao fim de dois copos de sangria é chegada a hora de subir as escadas antes que as pernas pesem demais. Nesta noite, de paz e amor, não se trocam prendas... trocam-se carinhos, palavras e sentimentos.
Assim será hoje cá em casa, longe da terra que nos viu nascer e crescer mas sem solidão, tristeza ou saudade, apenas fisicamente longe.

Desejo a todos aqueles que nos têm vindo a acompanhar, conhecer e ver crescer, um Natal calmo e acolhedor na companhia de quem não vos permita sentir sós, seja em que canto do Mundo for.

Escrito por Cris

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Já lá vai o tempo que esta era uma noite agitada e repleta de animação. Uma noite em que crianças e adultos sonhavam com a magia do Natal. Noite em que um adulto se vestia de Pai Natal e entregava uma prendinha a uma das crianças da família. O Pai Natal tocava à campainha e as crianças excitadíssimas corriam pela casa. O Pai Natal apenas entregava uma prenda, essa seria a prenda solicitada por carta pela criança, sempre organizadas com a ajuda da mãe ou pai. Sim porque a última vez que nos reunimos todos (Natal 2009), eram 13 crianças e 15 adultos e toda a ajuda é pouca. Sinto falta dessas noites, mas não sendo possível este ano irmos a Portugal estar junto dos nossos, resta-me as memórias desses natais.


As crianças tinham um papel activo na noite, as mais velhas organizavam actividades com as mais novas, havia côro com músicas natalícias,  peça de natal ou poesia à mesa. Depois da meia-noite e acabados os comes e bebes, dava-se a distribuição de prendas durante uma hora ou duas.
Nesta noite, o bacalhau é sempre presença assídua na nossa mesa. Não somos apreciadores de bacalhau tradicional, pelo que costumamos fazer uma variante, bacalhau espiritual, com broa ou com natas. No entanto, como gosto de roupa velha, peço à minha mãe para cozer bacalhau com couves, para no dia 25, poder comer antes do prato de carne.
Mas voltando à temática da magia do Natal, e vivendo agora sob a influência inglesa, vejo agora alterada algumas rotinas, como por exemplo, para além de deixar o copo de leite e uma 'mince pie' para o Pai Natal, não posso esquecer de deixar também uma cenoura para a Rena que traz o Pai Natal. A minha R. de 9 anos, ainda acredita e faço questão de continuar a alimentar esta fantasia.

Por aqui espero ter uma noite bem calma na companhia da minha família mais directa, marido e filhos e também de uma amiga, também ela longe da sua família e da sua terra. Ficam por isso, os meus mais sinceros votos de uma noite santa para todos os nossos leitores e um beijinho especial para os emigrantes longe dos seus entes mais queridos.

Escrito por Carla

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Este dia de tamanha importância para mim e para os meus, este ano vai ser passado de uma maneira diferente. Com muito menos pessoas, por diversas circunstâncias, mas nunca esquecendo as nossas tradições, os nossos costumes, as nossas origens! De certo que quem faz o Natal para mim são as crianças, e este ano apenas terei na minha companhia o meu piolho, que com certeza fará a nossa alegria. É um dia que gostamos de fazer coisas em família e claro começa-mos pelos comes e bebes, falamos muito, rimo-nos imenso e pela noite dentro fazemos alguns jogos também.


Pelas 7h, começamos a preparar a mesa para a consoada, com diversas iguarias. Estando fora do nosso país de origem por vezes dificulta um pouco ter tudo o que mais gostamos nesta época à mesa, mas com o que conseguimos arranjar, muitas vezes encomendando e comprando nas lojas portuguesas em Londres, fazemos com que a diferença não se note tanto. Na nossa ementa nunca faltam o camarão cozido ou frito, o prato de bacalhau, seja ele cozido, frito, desfiado, ou assado, é presença assídua neste dia, e os doces típicos da época também, tais como as rabanadas, filhoses, azevias, molotoff e lampreia de ovos. A harmonia e o calor são evidentes. E as saudades dos entes mais queridos também. Mas não há tempo para a tristeza, pois neste dia é celebrado o renascer de uma nova luz que nos dá alento e força para continuar! Não posso esquecer de mencionar que também neste dia gostamos de vestir algo novo, na cor vermelha ou branca. Cores que significam para mim, Natal e pureza! À meia-noite, já dia 25, abrem-se os presentes e depois disso vamo-nos deitar.

Desejo a todos os que nos acompanham e nos apoiam um Santo Natal, se possível na companhia de quem mais amam!

Escrito por AnaF

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Desde que me conheço como gente, sempre me lembro de A-D-O-R-A-R o Natal… para mim é de longe a época com mais magia do ano!!!! Começo sempre a pensar no Natal super cedo, no inicio de Outubro já costumo começar a comprar os meus presentes, contudo o povo inglês supera- me e devo confessar que este ano até me aborreci, porque receber postais a desejar boas festas em Agosto é cedo demais!!!!!
Sempre tive Natais com muita gente, rodeada da família toda, no natal de 2010, o ano em que perdi o meu pai, como estava de coração vazio resolvi juntar 60 pessoas… pobre pai natal, quase nem jantou pois esteve quase a noite toda a separar os presentes para as crianças que eram mais de 20.


Contudo este ano será em tudo diferente… mas estou muito entusiasmada na mesma…. As diferenças começam logo pelo facto de que este ano pela primeira vez na minha vida estou a trabalhar no dia 24 até às 10 da noite logo, vai ser um natal dividido entre colegas de trabalho e família, mas como vejo sempre que “o copo está meio cheio e não meio vazio” estou feliz pois vou ter um triplo natal…. e isto porquê?? Porque vou ter um natal com as tradições polacas (a grande maioria dos meus colegas de trabalho são polacos), inglesas (sim, porque eu já encarnei no espirito british) e como não podia deixar de ser, portuguesas, com o pão, vinho, bacalhau e café sobre a mesa. Contudo em vez de 60 vamos passar a ser 6… enfim, mas o coração vai estar cheio e os outros 54 também vão cá estar!!!
Depois do trabalho venho a voar até casa onde vou comer as rabanadas da minha mãe primeiro que tudo, porque só assim é que começa o natal, depois vou ter que responder de 5 em cinco minutos à minha filha que já falta pouco… sentar na mesa, comer como se não houvesse amanhã, esperar que o pai natal venha (fazer a cena do costume de alguém se mascarar de pai natal mas ser sempre apanhado pelo meu filho), e por último, a cereja no topo do bolo, ver a cara deles de alegria e excitação a abrir os presentes… e uns minutos depois, quando tudo acaba, fico sempre a pensar que foi tudo tão rápido.

No fim da noite é hora de deitar fora os papeis e os cartões todos (sabendo bem que no dia seguinte vou ter que ir ao lixo e remexer tudo outra vez porque deitei fora livros de instruções, peças e acessórios, alguns microscópicos outros nem tanto dos presentes dos meninos), tomar 2 Renies, ir para a cama, dormir sentada porque comi demais e pedir muito, mas mesmo muito, ao pai natal que, antes de regressar ao polo norte, mande a fada da limpeza cá a casa e deixe tudo limpinho para o dia seguinte. Por fim, mas o mais importante de todo este meu ritual natalicio, começar a torcer para que ainda falte muitíssimo para o dia de desfazer a árvore de natal, tarefa que D-E-T-E-S-T-O!!!!

Desejo a todos um natal maravilhoso, cheio de coisas boas, com muita tranquilidade, paz de espirito e principalmente muita saúde!!!! Ho ho ho!!! Merry Christmas…

Escrito por Ana Dias

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O Natal trás consigo uma carga emotiva muito grande, além de toda a sua história com o nascimento de Jesus, transporta-nos à nossa infância e trás consigo a alegria de recordar os momentos vividos na nossa meninice. O dia começava bem cedo, e a agitação entre irmãos e primos fazia-se sentir pelo corredor de casa dos meus pais, era lá que a família se reunia pelo jantar. Onde se compunha a mesa com iguarias tradicionais, e não faltava o bacalhau, o peru assado e as filhóses que só a avó, deliciosamente, fazia. O momento mais esperado era à meia-noite quando a criançada podia abrir as prendas e, ali, reinava a alegria, a harmonia, a magia do Natal…



Este ano o Natal será, para mim, diferente, mas não menos importante.
Diferente porque pela primeira vez, vou estar fisicamente longe da minha família mas, com certeza, presente em pensamento e não menos importante, porque vou estar entre amigos de coração e por isso também bem acompanhada.
Desejo a todos um Santo Natal, repleto de muito Amor, Alegria e Esperança. Que a magia do Natal reconforte os vossos corações.


Escrito por Sandra

domingo, 15 de dezembro de 2013

Receita de Natal: Rabanadas

 Background photo | Foto de fundo: Recipe Tin Eats
 
Nem acredito que estamos com o Natal à porta... até parece que foi ontem que saudava o novo ano e agora já ele está no fim e cá em casa já somos mais um.

Desde que eu me conheço por gente que há rabanadas à mesa pela altura do Natal. Quando era pequena eram iguarias feitas pelas mãos da minha avó. Quando o Natal passou a ser comemorado em casa dos pais, as rabanadas saíam da pastelaria do bairro. Agora, aqui, longe de Portugal, do calor familiar e do cheiro a canela, açucar e fritos, as rabanadas passaram a sair da nossa cozinha. Porquê? Porque as da pastelaria não são a mesma coisa, porque é bom sentir o cheiro do açucar e da canela a invadir a casa anunciando a quadra festiva e porque é bom pensar no prazer que a minha avó tinha quando passava o dia 24 na cozinha a preparar isto e aquilo para a chegada da filha, genro e neto (porque a neta [eu] já lá estava a ajudar ou desajudar...), porque no fundo é esse prazer que sinto com uma tarde de trabalho que culmina numa noite aconchegante, mesmo que apenas entre marido e filhas, nada substitui o matar saudades desta doce iguaria tão portuguesa e tão Natalicia que começa logo com a sua confecção.

A receita que deixo aqui é a que faço há 2 anos para cá. Não é dificil de fazer mas requer algum tempo pois é um processo que tem de ser levado do inicio ao fim sem interrupções, mas vale a pena!


Rabanadas

Ingredientes:
leite q.b.
1 pão de forma
5 a 6 ovos
açucar a gosto
casca de meio limão
2 paus de canela
óleo para fritar
açucar e canela em pó q.b.

Preparação:
Normalmente faço as rabanadas um pouco a olho por isso não consigo dizer exactamente as quantidades certas que serão necessárias mas, como o processo é simples, não há muito que enganar.
Deitar num tacho o leite, eu uso cerca de 500ml para que as fatias fiquem bem molhadinhas e por vezes ainda chego a acrescentar mais, a casca de limão, os paus de canela e o açucar, aqui terás de provar à medida que juntas o açucar de forma a obteres o suficiente para conseguir uma mistura doce ao teu gosto. Levar ao lume até levantar fervura. Tirar do lume, retirar os paus de canelas e casca do limão, e deixar arrefecer.
Entretanto corta-se o pão de forma em fatias de aproximadamente um dedo de espessura.
Num recepiente bater os ovos com um garfo e reservar. Noutro recepiente preparar uma mistura de açucar e canela em pó.
Pôr um pouco de óleo a aquecer e quando este estiver quente passar a fatia de pão primeiramente pelo leite, depois pelos ovos batidos e levar a fritar dos dois lados.
Deixar a escorrer em papel absorvente e passar pela mistura de açucar e canela.
Repetir o processo para todas as fatias de pão.

Quando acabar verá que a casa cheira mesmo a Natal!
Bom apetite e Feliz Natal!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

ACREDITAR e mudar


Estas palavras que hoje escrevo são especialmente para quem, como eu, iniciou ou pretende iniciar a sua vida noutro país! Deixo o meu testemunho porque sei que, como eu, existem milhares de pessoas na mesma situação, no mesmo dilema: Ir ou Não ir!

Nunca é fácil tomar a decisão de partir! Deixar a família e tudo o que nos rodeia e ir em busca de uma vida melhor!
Ainda não fez um mês que deixei a minha família em Portugal (marido e filhas). E parti para um país que me acolheu de braços abertos e me deu a oportunidade de poder trabalhar e reconstruir a minha vida! Aos poucos, delineando a minha vida por objectivos, etapas e conquistas! Não adianta ficarmos tristes, frustrados, sem perspectivas de futuro, de braços cruzados. É preciso ir à luta, correr atrás daquilo que “Eu” quero! E dizem vocês: “pode correr mal”, verdade! Mas se nunca tentarmos Nunca saberemos se correu mal ou bem!
E é esse o desafio da vida: ACREDITAR!

A minha experiência ainda é muito recente, mas posso dizer-vos que eu ACREDITO, e vou lutar com todas as minhas forças para alcançar os meus objectivos.
Um dia (já velhinha) vou olhar para trás e, numa retrospectiva da vida, dizer: Tentei!
O resto o futuro me dirá!

Sejam felizes!
Sandra

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Entrevista com...

Hoje recebemos aqui no CPI para mais uma partilha de experiências a Gracinda Cabral Roças de 40 anos. A Gracinda é casada e mãe de 3 crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Emigrante em França há 2 anos a nossa entrevistada é dona de casa a tempo inteiro e cheia de objectivos para cumprir. Bem-vinda ao CPI Gracinda!



O que te motivou a emigrar?
Na verdade foi uma decisão do meu marido. No início seria apenas ele a emigrar, mas depois de 5 meses ele já tinha tudo preparado para a nossa chegada e estadia, então foi só fazer as malas e virmos para cá.

Porquê a escolha de França?
Foi um convite. Um amigo já havia feito esse convite várias vezes e naquela altura o meu marido estava desempregado e eu também. Ir para França foi uma luz no fundo do túnel.

Como foi o teu princípio?
No início tudo era novo então estava entusiasmada, mesmo sabendo que o meu francês era terrível e teria muitos problemas! No entanto a esposa do amigo do meu marido deu-me o apoio necessário, assim como o patrão do meu marido que também é português.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Eu comecei a ver tudo negro do meu lado! Precisava inscrever os meus filhos nas escolas, precisava fazer compras… ou seja, precisava organizar-me e, o facto de não saber falar e de não os perceber, complicou a minha vida no primeiro mês.
Em Portugal eu vivia em Lisboa e tive de me mudar para Aveiro, mas a mudança não foi tão dolorosa como vir para cá. Sentimo-nos perdidos,  como se fossemos de um outro planeta.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O meu filho de 5 anos não se adaptou muito bem à escola e a minha filha adoeceu, isso para mim foi terrível, mas pude ver que o sistema de saúde aqui é do melhor. Quanto à escola, penso que Portugal tem mais e melhores condições a oferecer aos alunos.

O que aí conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Eu em Portugal não tinha nada, ao ponto de não saber como matar a fome dos meus filhos no dia seguinte ou na semana seguinte. Hoje, depois de um ano, os meus filhos não têm necessidade de nada e vivemos razoavelmente bem.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
9, porque tenho objectivos para alcançar!

Do que mais sentes falta?
Sinto falta de pessoas perto de mim, tenho vizinhos mas a falta de comunicação ainda existe. Então praticamente vivo em silêncio!

De que forma matas a saudade de Portugal?
Bem, por 2 anos tenho ido a Portugal nas férias e também, quase que diariamente, telefono para lá, mas é fácil encontrar aqui comerciantes portugueses a vender produtos portugueses.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Sim claro. Todo o Português vivendo fora do seu país representa-o. Agora parte de cada um se o vai representar bem ou mal!

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Bem! Logo no início, eu e o meu filho fomos às compras, e ao colocar os produtos na mesa rolante da caixa, a senhora que estava ao meu lado deixa uma garrafa de tomate juntar-se às minhas compras, e a senhora da caixa também registra como minha. Eu, apercebendo-me disso, tento dizer à senhora que o frasco não é meu! Tudo parou naquele momento e toda a atenção foi para mim, porque eu gaguejei, fiz gestos e nada! Eu do pouco que aprendi do francês tentei explicar-lhe de que não falava francês e que não estava a perceber o que ela estava a dizer. Entretanto, o gerente apareceu e vocês nem imaginam a festa que eu fiz quando aquele homem abriu a boca e falou português! Bem a partir dali começou a ser mais fácil fazer compras!
Tenho uma outra situação, por exemplo: Os canais de tv aqui são todos franceses ou dobrados para francês, um dia de manhã estavamos a ver as noticias e percebo que: "duas crianças disparu...”; Eu entretanto chamo o meu marido e digo-lhe: - "Olha marido parece que uma criança disparou sobre outra criança.” Bom... durante o dia só falava disso com o meu filho. À noite, quando o meu marido viu as notícias, desata às gargalhadas porque disparu quer dizer desapareceu e não disparou, como eu entendera. A verdade é que as palavras francesas confundem um pouco por serem parecidas às portuguesas mas com significado diferente.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Claro que faria tudo de novo, talvez escolhesse outro pais, mas deixaria Portugal para trás.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Já pensei nisso, mas se isso acontecer será um dia bem lá na frente.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei dizer onde, mas com alguns dos meus projectos realizados, esse é o meu objectivo.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Que comecem a preparar-se, tanto no idioma como psicologicamente, e que não dêem ouvidos ao que as pessoas falam que é para não virem iludidos. Ir para um pais estranho é como ir para a selva, encontramos de tudo, e não é fácil encontrar alguém que nos ajude, temos de ser nós a ir à luta, tomar a iniciativa. Estarem consciente de que não vai ser fácil nos primeiros tempos. No meu caso depois de quase 1 ano e meio é que comecei a ver melhoras na minha vida, porque sem o apoio do estado não conseguimos sobreviver.

Muito obrigada pela partilha Gracinda! Boa sorte e determinação na concretização dos teus objectivos.

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Em prol da cultura portuguesa



Quem me conhece, sabe que não sou de desistir facilmente de uma ideia. Quando emigrei para a Inglaterra, vinha determinada a que os meus filhos continuassem a estudar o português.  
Primeiro porque já falavam e não queria de todo que perdessem a língua materna, depois porque os avós maternos não falam inglês e finalmente porque nunca se sabe o dia de amanhã. A esperança de um dia voltar a Portugal para viver não consta da lista por agora, o futuro a eles caberá, mas neste momento quem educa, guia e sabe o melhor para eles somos nós, os pais. Tantas vezes ouvi este dizer da boca dos meus pais e hoje que sou mãe faz todo o sentido.

Estando a viver na zona de Kent e tendo conhecimento de que não havia escola portuguesa para estas bandas, lancei-me ao desafio e procurei respostas às minhas perguntas. Porque razão não haviam aulas de português em Kent? Há 4 anos atrás liguei para o Consulado de Portugal em Londres e explicaram-me o que poderia fazer para criar as condições necessárias a fim de se colocar um professor de português na área.

Pois bem, havia que reunir um número considerável de crianças portuguesas que vivessem físicamente perto e que fossem descendentes de portugueses e, claro, que quisessem estudar o português. Durante muito tempo tentei localizar portugueses a fim de saber se tinham filhos em idade escolar. Corri as lojas de restauração que me tinham indicado onde haviam portugueses a trabalhar e, por fim, uma amiga que aqui vivia há alguns anos  levou-me a conhecer um café português em Maidstone. Um pouco longe da minha área de residência, mas sempre era mais prático do que ir a Londres. Pois bem, meti-me ao caminho e, com a ajuda do Sr. P., colocámos a informação visível aos  clientes/pais portugueses. Foi uma corrida contra o tempo, as férias de verão estavam à porta e tudo ficaria sem efeito se não conseguíssemos um número considerável de alunos. A ajuda do Sr. P foi imprescindível, o processo seguiu com as inscrições para a Coordenação de Ensino no Estrangeiro em Londres e, em Outubro do mesmo ano, ficaram reunidas todas as condições para a realização de aulas de português em Maidstone.
Apesar de fazer uma viagem de 35-45 minutos de carro na autoestrada para que os meus meninos fossem às aulas de português, sentia-me orgulhosa pela concretização de mais um objectivo.
Perguntam vocês: porque razão as aulas se realizaram lá e não perto da minha residência? A resposta é simples, em Maidstone residia o maior número de alunos.

Este ano de 2013, andei também numa roda viva a tentar reunir alunos mais perto da minha área de residência. Fui informada que teria que ter pelo menos 12 alunos para a criação de uma nova turma de português desta feita em Gravesend. Anunciei na internet, através do facebook em grupos de portugueses na área, solicitei a todos os que conhecia que passassem a palavra entre os amigos. A lista dos alunos foi alcançada, inquérito de preços de aluguer de salas em escolas também, resta agora aguardar até Setembro 2013 por uma resposta, espero que positiva.

É com muita alegria e satisfação que vejo o interesse das crianças umas pelas outras nos corredores da escola  quando aguardam pelo início das aulas. Inclusive, o prazer dos pais em trocar palavras e até a travarem amizades com outros pais. Afinal temos um passado comum, uma mesma origem ainda que com algumas diferenças geográficas, mas acho que quando ouvimos falar português sentimos prazer em expressar-nos na nossa própria língua, somos mais espontâneos uns com os outros e acima de tudo sentimos que Portugal está mais perto.

Este tem sido o meu contributo para a comunidade portuguesa em Kent.

Link útil: http://e-portugues.co.uk/?page_id=1620