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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Viajar de carro com crianças

 

Hoje escrevo-vos um texto pessoal resultado de uma experiência particular e recente, não revelará nada mais do que a realidade de uma família portuguesa, emigrada em Inglaterra e que decide ir de férias a Portugal. Dirão vocês: que tem isso de especial? De facto nada tem de especial ou de novo. Ou talvez não tenha nada de especial para quem já fez esta viagem de carro com 2 crianças pequenas e saberá bem com o que poderá contar. Este testemunho é porém para aqueles que nunca o fizeram mas que, volta e meia, até se lembram de que talvez não fosse má ideia.
Neste sentido venho partilhar algumas ilações que retirei da minha experiência pessoal. No dia 14 de Outubro saí de casa em Kent, Inglaterra, rumo a Portugal. No carro eramos 4, eu, ele, a mais nova de quase 2 anos e a mais velha de quase 4 anos. Resolvemos sair ao fim do dia porque achámos que conseguiamos aproveitar a noite para fazermos a maior parte do percurso de França com elas a dormir e desta forma parariamos menos vezes. De facto, pouco depois de entrarmos em França as pequenas dormiram umas 4 a 5 horas seguidas, o que nos permitiu um grande avanço, mas o certo é que uma noite a dormirem no carro deixou-as mal dispostas e chatas tornando a viagem durante o dia num autêntico pesadelo. Desde vomitarem, comerem mal, mal dormirem e não pararem de reclamar, gritar e chorar, tivemos um puco de tudo. A mais velha até se portou mais ou menos, dadas as circunstâncias acho que não poderia pedir mais. Já a mais nova... 
A viagem de regresso correu um pouco melhor, ficámos algumas horas num hotel onde conseguimos descansar com maior conforto, especialmente elas, e a viagem decorreu mais à luz do dia tornando-se menos chata para elas e consequentemente também para nós.

Conclusões que tirei desta aventura:
  • o avião não nos dá a verdadeira noção do quanto estamos distantes do nosso país de origem
  • viajar com crianças pequenas é completamente diferente do que viajar sózinhos ou com crianças/adolescentes que já não precisem de cadeira de segurança.
  • não viajar longas distâncias com crianças de idade inferior a 3/4 anos
  • viagens que necessitem de mais de 12 horas até ao destino devem ser intervaladas com noite em hotel (mesmo que seja apenas uma dormida de 5 ou 6 horas)
  • evitar tablets, filmes e livros no caso de crianças que enjoem com facilidade, bonecas e carros também são um bom meio de os entreter sem enjoarem tão facilmente
  • evitar que as crianças comam muito no carro, parar para fazer as refeições principais é a melhor forma de ter uma melhor alimentação, além da oportunidade perfeita para esticar o corpo.
  • os meses de primavera e verão são as melhores alturas para fazer este tipo de viagens longas, a claridade mantem-se por mais tempo fazendo-se a maior parte da viagem de dia, além da probabilidade de apanhar melhor tempo ser maior.
  • usar as cadeiras de segurança para crianças na posição mais vertical possivel.
Background photo | Foto de fundo:  Jake Olson Studios

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como emigrar quando se tem família



Já aqui falámos de como a família pode pesar quando temos de decidir onde iremos viver quando emigramos para Inglaterra. Hoje vimos fundamentar algumas razões pelas quais se deve opta por emigrar sózinho, como casal ou com os filhos.
Emigrar com a Família significa falta total de opções no país de origem. Quando num casal ambos estão desempregados e não têm como pagar as contas em Portugal e mais as contas no país onde irão recomeçar. A opção de sair toda a família para esta nova aventura poderá parecer a mais sensata porém, dependendo da idade dos filhos, se estes poderem ficar alguns meses com os avós enquanto os pais se acomodam no novo país, embora sendo uma opção difícil, poderá ser talvez a mais fácil e que menos irá chocar com a vida e a rotina da criança. Há ainda a ter em conta a altura do ano em que se decide emigrar. Se considerarem emigrar com os filhos o ideal é chegarem a tempo deles começarem o ano lectivo a par com as restantes crianças, sentir-se-ão com certeza mais integrados do que se o começarem a meio. No caso de serem ainda pequenos e não em idade escolar é fundamental pensarem onde deixar a criança caso ambos os pais tenham de trabalhar. A maioria das creches a meio do ano lectivo já não possuem vagas pelo que terá de ficar em lista de espera condicionando assim a disponibilidade do casal para reconstruir a vida.

Se houver a possibilidade de deixar as crianças em Portugal a cargo dos avós enquanto os pais se adaptam a uma nova vida, esta é uma opção que, quanto a mim diminuirá o tempo de separação da família e não trará maior stress aos pais e aos filhos. Os adultos são normalmente mais fáceis de se adaptarem às dificuldades do momento. O custo da transição é menor e a motivação do casal será muito maior porque um motivará o outro, ambos com a motivação acrescida de quererem ter os filhos perto deles o mais breve possível.

image by | imagem por: Kennett Mohrman
A decisão de um membro do casal vir à frente passa um pouco pela ideia de que será mais fácil a fase de transição. Um dos conjuges tem trabaho em Portugal e vai mantendo lá as contas pagas e o outro parte à aventura com a certeza de que: se correr mal pode sempre regressar. Essa certeza, no entanto, pode muitas vezes dar uma estabilidade virtual à situação e quem vem não se entregar por completo a esta nova aventura e acabar por voltar de mãos vazias. Por outro lado, se realmente se adaptar ao país pode perfeitamente resultar e ser a opção que menos confusão poderá fazer na cabeça dos filhos uma vez que parte do agregado familiar manteve-se inalterado. Esta é talvez a opção mais barata. Porém a pessoa que irá enfrentar o desconhecido terá de se mentalizar muito bem para o que vem. Deverá ser independente e sem medo de se colocar constantemente fora da sua zona de conforto. Tem de ser uma pessoa absolutamente motivada e com a certeza absoluta de que este é o caminho certo a seguir. Cabe aos que ficam manter a sua motivação em alta, dar-lhe força e optimismo.

Para quem estiver na eminência de enfrentar esta realidade  sózinho, o Sunny Dot está a preparar um serviço de boas-vindas que irá colocar ao dispôr muito em breve, fiquem atentos!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Da Creche para a "Nursery"


Quando cheguei ao Reino Unido, o meu filho, na altura com 2 anos e três meses, tinha deixado o jardim-de-infância em Portugal onde tinha andado desde os seus seis meses e com o qual estava familiarizado com o ambiente, os amigos e as pessoas que lá trabalhavam, pelo que ficou comigo em casa durante três semanas para se ambientar à grande mudança. No entanto naõ demorou muito e eu comecei à procura de um sítio similar onde o pudesse deixar por umas horas para ver a sua adaptação às novidades e o mais difícil, a uma língua completamente estranha para ele.

Bem perto do sítio onde morava existia um infantário, aqui chamado de Nursery, onde aceitavam crianças com apenas alguns meses de vida e até aos 5 anos. Fui então saber se haveria uma vaga para o meu filho e perguntei quais eram as condições, preços e como procediam quando a criança não falava nada de inglês. O meu filho já falava muita em português, com dois anos de idade ele tinha um vocabulário bastante extenso, mas de inglês ele não sabia uma palavra. Aqui as nurseries são os olhos da cara mas mesmo assim avancei com a ideia de o integrar numa porque sabia ser a forma mais fácil e rápida de contactar com a lingua e uma nova cultura. Ligaram-me no dia seguinte com a notícia de que tinham uma vaga e que o meu filho podia começar na semana seguinte. 
Quando fui conhecer a nursery, desta vez já com o piolho, no hall de entrada vi que existiam fotos das funcionárias, respectivos cargos e seus nomes e fiquei surpresa ao deparar-me com um nome completamente “tuga” claro que fiquei logo curiosa. Perguntei então à gerente se por acaso a pessoa que estava naquela foto era de nacionalidade Portuguesa, ao que ela respondeu afirmativamente, foi como se tivesse ganho o jackpot no Euromilhões. O meu filho ia andar numa creche onde trabalhava uma portuguesa? Era a cereja no topo do bolo, pensei eu.
Nesse mesmo dia, após a visita guiada, o meu filho pôde brincar um pouco e pareceu-me ter gostado do ambiente que o rodeava. O sítio era muito acolhedor, com muitos brinquedos, várias salas e um grande jardim atrás onde as crianças podiam brincar ao ar livre. Gostei do que vi e fiquei bem mais tranquila, sabendo que teria uma portuguesa a olhar por ele.
As primeiras três semanas de adaptação foram terríveis para o meu filho, chorava sempre que o deixava. Teve de voltar a usar fraldas por não o perceberem quando ele pedia para fazer as necessidade. Ele regrediu e eu fiquei preocupada por ele ter esquecido tudo o que lhe tinha ensinado.
Semana após semana, o piolho foi ficando mais confiante! Já não chorava todos os dias quando o deixava e já articulava umas palavrinhas em inglês. Meses mais tarde começou a afeiçoar-se a uma das educadoras o que facilitou.
Foi duro mas foi um grande arranque para reajustá-lo à nova vida, ao novo mundo.
As crianças têm o dom de se adaptarem facilmente às mudanças e o meu não foi excepção à regra. Hoje, com quase 5 anos está na escola e posso afirmar que é uma criança alegre e muito bem disposta, completamente integrada e com um inglês de me fazer inveja…

Background photo by | Foto de fundo de: Varpunen mainio