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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

FAQs de quem quer emigrar [ A escola dos filhos e o trabalho dos pais ]


As perguntas são muitas e variadas e muitas vezes até já foram dadas as respostas aqui no Sunny Dot. Por isso decidimos, em jeito de recapitulação ou de organização, para que não seja demasiado exaustiva a vossa busca aqui no blog, criar uma nova categoria "FAQ" que podem encontrar no menú das CATEGORIAS à vossa direita.
Vamos criar uma série de posts onde iremos, da melhor maneira possível, responder às perguntas que mais frequêntemente vocês colocam ou por escrito ou nas consultas via Skype.
Porque esta é uma preocupação genuina e de primeira instância vamos começar com a  compatibilidade entre ter filhos em idade escolar e a necessidade que normalmente o casal tem de trabalhar:

Como fundiona o sistema escolar em Inglaterra? A partir de que idade poderei colocar o meu filho na escola? Existem opções válidas para o colocar depois da escola sendo que poderei estar ainda a trabalhar?
Há creches que aceitam bebés pequenos normalmente a partir dos 6 meses porém as mais comuns só abrem a porta a crianças dos 2 aos 5 anos. Em qualquer dos casos a oferta é normalmente muita mas a procura é imensa e por isso existem, na maioria das vezes, listas de espera. Qualquer criança a partir dos 3 anos tem direito a 15 horas semanais de creche/pre-escola pagas pelo Estado.
Conforme já falámos aqui a idade de ingresso para a escola pode variar entre os 4 e os 5 anos de acordo com a data de nascimeno da criança. 
O período de aulas pode variar de escola para escola mas começará entre as 8 e as 9 da manhã e terminará entre as 3 e as 4 horas da tarde. As crianças ficarão na escola cerca de 6 a 7 horas seguidas. 

Tendo em conta que um horário normal de trabalho será normalmente 8 horas e tendo em conta que a criança fica na escola 6 horas no mínimo a melhor opção e a mais barata será jogar com os horários de trabalho do pai e da mãe de modo a que estejam disponíveis alternadamente para irem buscar a criança. Outras opções: há escolas que têm clubes após o tempo de aulas, como alternativa, mas mais dispendiosa, há locais, muitas vezes funcionam também como creches, que também promovem estes clubes após o horário escolar, as amas (childminder) também são uma opção viável e muito usada.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O que 2 anos podem mudar numa vida


Faz no sábado 2 anos e um mês que cheguei ao Reino Unido. Trazia comigo uma mala cheia de sonhos e uma vontade enorme de conquistar. Recordo-me como se fosse hoje a chegada ao aeroporto, a chuva que batia na vidraça afirmando um dia de Inverno. Os dias que antecederam a partida foram de ansiedade, insegurança e algum medo. Medo porque estaria sózinha nesta aventura, iria sair da minha zona de conforto, porém estava determinada, sabia que, embora indo em busca de algo ainda desconhecido, aquele era o meu caminho.
Hoje, e passados mais de 2 anos, muita coisa mudou na minha vida. Reuni condições para trazer as minhas filhas para junto de mim. Felizmente a adaptação foi pacífica e aos poucos tudo se foi encaixando naturalmente.
Aprendi que se formos à luta, com determinação e persistência, os objectivos vão sendo alcançados, até o que à primeira vista parece impossível de alcançar, se torna possível.
A minha vida deu uma volta de 180 graus a nível pessoal e profissional. A nível pessoal redescobri-me a mim própria e embora a nível profissional haja muito ainda para fazer sei que se estivesse no meu País de origem não teria tantas oportunidades como tenho aqui.
Fiz amizades para a vida e hoje são a minha família de coração. O meu mundo ficou certamente mais rico. A minha experiência tem sido muito positiva. Estou feliz e segura do que quero para o meu futuro!

Background photo by | Foto de fundo por: 89 home

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Ideias para um Halloween arrepiante


Já falámos aqui do Halloween, da sua origem e do seu aspecto actualmente cultural e popular entre os mais pequenos. No entanto o dia está de novo a chegar e antes do dia (noite) de Halloween temos ainda mais "assustadora" semana de férias dos miúdos. O que fazer para os manter entretidos é sempre a pergunta que se impõe a cada intervalo escolar. Em forma de (auto) ajuda hoje trazemos algumas ideias que irão tornar estes dias menos penosos para os pais e mais criativos e entusiasmantes para as crianças. 



1 - Morcegos decorativos
2 - Jogo da aranha
3 - Morcegos decorativos 2
4 - Faz o teu monstro
5 - Chapéu aranha
6 - Jogo das latas

para terminar, uma noite das bruxas em família a jogar o Bingo e um fim de férias em grande, cheio de momentos divertidos e em família, menos stress e mais crianças felizes ;)


...faz o download e imprime

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A escolha da escola em Inglaterra


Depois de entendermos o processo e a altura em que devemos matricular os nossos filhos na escola primária, chega-nos à mente a pergunta fatal: que escola escolher?
Há vários aspectos que podemos considerar na escolha da escola para os nossos pequenos mas a ordem de prioridades que esses aspectos tomam na nossa lista será sempre muito pessoal e de acordo com cada agregado familiar.
Ao preenchermos os documentos para iniciar o processo de admissão à escola primária é-nos permitido colocar 6 opções de escolas por ordem de preferência e o ideal será mesmo preencher esses 6 espaços ou, no pior dos casos, os primeiros 3.
Sendo esta uma escolha tão importante para uma integração escolar bem sucedida, é aconcelhável que se visite as escolas mais próximas da nossa residência, a proximidade à residência vai ser o critério mais provável para a selecção, por parte dos orgãos públicos, da escola do teu filho. A consulta do Ofsted report de cada escola poderá te dar uma ideia da sua classificação académica, porém nunca devemos deixar de ter em conta a nossa própria estrutura e realidade familiar. Uma escola com um bom relatório não significa por si só que seja a melhor escola para o nosso filho, por exemplo: o nível de ensino pode ser demasiado elevado o que pode levar a que a criança se sinta desenquadrado e perca o interesse na escola. O nível social e económico ser muito acima da média do agredado familiar pode dificultar à socialização da criança, originando a sua exclusão e isolamento. 
Com isto em mente, deixo em seguida os principais aspectos que se devem colocar em cima da mesa na hora de escolher a escola dos nossos filhos. A prioridade que cada aspecto toma na decisão que temos de tomar é estipulaada por cada um em particular e de acordo com a própria realidade:
  • Desempenho académico (ofsted report)
  • Próximidade de casa
  • Qualidade do espaço e do equipamento
  • Os outros pais e alunos
  • Rigor e disciplina 
  • Apoio especial 
  • Religião
  • Desporto de competição
  • Música
  • Teatro
  • Escola masculina, feminina ou mista

terça-feira, 14 de julho de 2015

Viajar com crianças de pais separados


Nesta época, em particular muitas são as pessoas que viajam à sua terra natal. Hoje damos particular atenção ao casal que está separado ou em processo de separação e em que um dos pais pretende viajar com o filho ou filhos.
Em primeiro lugar há a preocupação de fazer conciliar as férias escolares com as do pai e as da mãe, o que se pode agravar no caso dos pais viverem em países distintos tendo em conta que nem sempre as férias escolares coincidem com o tempo de férias do pai ou da mãe. A verdade é que os filhos que não convivem diariamente com um dos pais esperam ansiosos por estas datas, seja no Verão, no Natal, na Páscoa ou mesmo nos aniversários, pelo que temos de juntar esforços para que as dificuldades sejam ultrapassadas. Depois das férias combinadas e marcadas há que tratar de fazer chegar os filhos ao território nacional. Não viajando eles com pai e mãe em simultâneo ou mesmo sem a presença de nenhum dos dois, a lei Portuguesa dita alguns requisitos para a entrada e (em especial) saída de menores de nacionalidade portuguesa (ou estrangeira a residir em Portugal) em território português, neste contexto estamos aqui para ajudar e informar:
  • Se o menor é filho de pais divorciados judicialmente, deverá ser feita uma declaração pelo parente a quem foi confiado e/ou com quem reside. Esta declaração deverá ser reconhecida notarialmente no Posto Consular da área de residência e deve nela constar a assinatura, assim como o intervalo de tempo em que a criança tem permissão explicita para viajar. Sendo o regime normal, em caso de divórcio, a responsabilidade parental é conjunta pelo que o menor poderá sair com qualquer um dos pais logo que não haja oposição explicita do outro.
  • Em caso de pais separados (onde nunca existiu compromisso legal) uma declaração deverá ser emitida pela parte parental que não viajar com a criança.  
  • Se o menor é filho de pais casados mas nenhum deles estará presente, a declaração deve ser emitida e assinada por um dos progenitores apenas.
Para vos facilitar a vida deixamos aqui uma minuta que poderá ser preenchida e impressa e assinada/reconhecida na presença de um  notário:

AUTORIZAÇÃO DE SAÍDA DE MENOR DE TERRITÓRIO NACIONAL

(legalmente certificada)


________________________________________(nome completo), residente em ______________________________­­­­­­­­­­­­­____________, portador do(a) * BI-CC-Passaporte-Título/Autorização de Residência, nº. ________________________ emitido aos ______________ e válido até _______________, ___________________________(relação de parentesco com o menor, se a houver), titular do poder paternal, declaro que autorizo o menor ___________________________________ (nome completo), de nacionalidade _________________ (portuguesa ou outra quando titular de Título/Autorização de Residência), nascido aos ___________________, em ________________________, titular do(a) BI-CC-Passaporte-Título/Autorização de Residência, nº. ________________, emitido a __________ e válido até ________________, a ausentar-se de território nacional.


** O menor viaja na companhia de ________________________________________ (nome completo), titular do(a) BI-CC-Passaporte-Título/Autorização de Residência, nº. __________________, emitido aos ______________ e válido até ______________ residente em _________________________­­­­­­­­­­____________.
* (Anexar cópia do documento)
** (A preencher quando aplicável)


(Local e data) ________________________________________

Assinatura(s) __________________________________

Background photo by | Foto de fundo por: Wes Head

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Inscrição na escola primária inglesa


As crianças em Inglaterra começam a escola primária no início do ano escolar em que a criança atinge 5 anos de idade. As inscrições são normalmente feitas entre Novembro e Janeiro do ano lectivo que antecede o ano escolar em que a criança entra na escola. Assim, se a criança fizer os 5 anos em Novembro (por exemplo) ela começará as suas aulas em Setembro do ano em que fará os 5 anos, ou seja, começará ainda com 4 anos de idade. Em caso de dúvida aqui fica uma calculadora que te ajudará a saber quando é que deverás fazer a inscrição.
A inscrição na escola primária pode ser feita online ou através de formulário fornecido pelo council da tua zona de residência. Em breve iremos lançar um post que te irá ajudar na escolha da escola certa para os teus filhos, fica atento!
Qualquer questão que nos queiras colocar preenche o formulário à direita e envia-nos, respondemos a todos os emails que nos chegam (tem em consideração que emails enviados a partir das 13 horas de sexta-feira poderão só ser respondidos na segunda-feira seguinte).
Lembramos também que se estiveres a pensar em emigrar para Inglaterra mas não tens a certeza se tens perfil para isso ou se as tuas condicionantes te permitirão fazê-lo, teremos todo o gosto em falar um bocadinho contigo na tentativa de veres as tuas dúvidas esclarecidas de forma realista e prática.

Nem acredito que terei de inscrever a minha filha mais velha já no final deste ano... o tempo voa!

terça-feira, 16 de junho de 2015

O que fazer com as crianças em tempo de férias


Não trago nenhuma informação que provávelmente não saibas ou resolução milagrosa para o problema que hoje levanto aqui. A verdade é que, quem vive longe da família, em especial dos avós (pais), não tem grandes alternativas no que diz respeito às férias de Verão das crianças, ou tiramos férias ao mesmo tempo que elas (se tivermos essa possibilidade), ou tentamos enviá-los para Portugal com o coração apertado e desejando que o mês acabe pois as saudades são muitas, ou vimos aqui pedir sugestões de ocupações para os mais pequenos enquanto os pais vão trabalhar.
No tempo em que nós eramos da idade deles, em Portugal, lembro-me que havia as colónias de férias, OTLs, etc., este vai ser o meu primeiro ano em que me vou deparar com este problema mais realisticamente e a verdade é que não encontro grandes soluções para deixar as crianças durante um dia de trabalho e as que há não são propriamente baratas. Se tiverem ideias do que fazer com os nossos filhos em tempo de férias estando nós a trabalhar, se também se sentirem perdidos como eu sem saber muito bem o que fazer, se já passaram por isto e encontraram uma solução à vossa medida, por favor partilhem, deixem o vosso comentário, quem sabe se reunindo as vossas ideias não conseguiremos fazer um post cheio de soluções milagrosas, até lá... vou deixar aqui uma lista de locais onde podemos encontrar actividades para tornar as nossas férias com os mais pequenos menos stressantes para nós e mais excitantes para eles.
  • No website do teu município e centros turísticos de informação
  • Centros comunitários da tua localidade
  • As bibliotecas públicas também  têm eventos como leitura de histórias, trabalhos manuais e artes. As bibliotecas possuem igualmente outros suportes como computadores, uma grande variedade de livros assim como de filmes que podemos requisitar.
  • Nas piscinas dos municípios, na altura de férias fazem muitas vezes preços simpático e atractivo.
  • Visitar museus e galerias, que têm regularmente exibições e eventos para toda a família, pode ser também uma forma de estimular as crianças e mote para posteriores brincadeiras e trabalhos manuais.
Não se esqueçam, deixem as vossas ideias, sugestões e experiências sobre o que fazer com os mais pequenos quando eles estão de férias e nós não.

Background photo by | Foto de fundo de: Paul & Paula

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Como emigrar quando se tem família



Já aqui falámos de como a família pode pesar quando temos de decidir onde iremos viver quando emigramos para Inglaterra. Hoje vimos fundamentar algumas razões pelas quais se deve opta por emigrar sózinho, como casal ou com os filhos.
Emigrar com a Família significa falta total de opções no país de origem. Quando num casal ambos estão desempregados e não têm como pagar as contas em Portugal e mais as contas no país onde irão recomeçar. A opção de sair toda a família para esta nova aventura poderá parecer a mais sensata porém, dependendo da idade dos filhos, se estes poderem ficar alguns meses com os avós enquanto os pais se acomodam no novo país, embora sendo uma opção difícil, poderá ser talvez a mais fácil e que menos irá chocar com a vida e a rotina da criança. Há ainda a ter em conta a altura do ano em que se decide emigrar. Se considerarem emigrar com os filhos o ideal é chegarem a tempo deles começarem o ano lectivo a par com as restantes crianças, sentir-se-ão com certeza mais integrados do que se o começarem a meio. No caso de serem ainda pequenos e não em idade escolar é fundamental pensarem onde deixar a criança caso ambos os pais tenham de trabalhar. A maioria das creches a meio do ano lectivo já não possuem vagas pelo que terá de ficar em lista de espera condicionando assim a disponibilidade do casal para reconstruir a vida.

Se houver a possibilidade de deixar as crianças em Portugal a cargo dos avós enquanto os pais se adaptam a uma nova vida, esta é uma opção que, quanto a mim diminuirá o tempo de separação da família e não trará maior stress aos pais e aos filhos. Os adultos são normalmente mais fáceis de se adaptarem às dificuldades do momento. O custo da transição é menor e a motivação do casal será muito maior porque um motivará o outro, ambos com a motivação acrescida de quererem ter os filhos perto deles o mais breve possível.

image by | imagem por: Kennett Mohrman
A decisão de um membro do casal vir à frente passa um pouco pela ideia de que será mais fácil a fase de transição. Um dos conjuges tem trabaho em Portugal e vai mantendo lá as contas pagas e o outro parte à aventura com a certeza de que: se correr mal pode sempre regressar. Essa certeza, no entanto, pode muitas vezes dar uma estabilidade virtual à situação e quem vem não se entregar por completo a esta nova aventura e acabar por voltar de mãos vazias. Por outro lado, se realmente se adaptar ao país pode perfeitamente resultar e ser a opção que menos confusão poderá fazer na cabeça dos filhos uma vez que parte do agregado familiar manteve-se inalterado. Esta é talvez a opção mais barata. Porém a pessoa que irá enfrentar o desconhecido terá de se mentalizar muito bem para o que vem. Deverá ser independente e sem medo de se colocar constantemente fora da sua zona de conforto. Tem de ser uma pessoa absolutamente motivada e com a certeza absoluta de que este é o caminho certo a seguir. Cabe aos que ficam manter a sua motivação em alta, dar-lhe força e optimismo.

Para quem estiver na eminência de enfrentar esta realidade  sózinho, o Sunny Dot está a preparar um serviço de boas-vindas que irá colocar ao dispôr muito em breve, fiquem atentos!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Emigrar na pele de uma adolescente

Hoje temos uma publicação muito especial aqui no Sunny Dot. Tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas a uma adolescente que se mudou para Inglaterra há menos de um ano. Quisemos saber um pouco o que passa pela cabeça dos mais novos quando os pais tomam esta decisão tão difícil de abandonar tudo e recomeçar de novo longe da família, amigos e de realidades que já conhecem tão bem. A Alice (nome ficticio) tem 12 anos e um dia ficou a saber que a sua vida iria mudar para sempre. Mãe da Alice: “Foi num dia de Verão que disse à Alice que em Outubro iria para Inglaterra. Sabia que a mudança iria ser drástica para todos. Nós estávamos muito apegadas.
Um dia, já a pensar na partida, disse-lhe: Imagina um barco no mar, ele durante a sua viagem tem de navegar estável e seguro, por mais que as ondas balancem, para chegar a bom porto. Assim seremos nós!”

  • Alice, como te descreves? Sou uma pessoa calma, quando não me irritam. Sou sonhadora, meiga e super teimosa.
  • És uma boa estudante? Sim. Tens boas notas? Normalmente, sim.
  • Consideraste uma rapariga com inteligência acima da média, ou tudo o que tens conseguido devesse ao fruto do teu trabalho e empenho? Eu não acho que seja uma rapariga inteligente mas acho que também não sou burrinha, mas sou aplicada e gosto de estudar.
  • Quais os teus passatempos favoritos? Os meus passatempos favoritos são ouvir musica, ler, ver televisão, gosto de escrever quando estou inspirada e estar com a família e amigos. Também gosto de passear e conhecer novas terras
  • Um dia a tua mãe disse-te que iriam morar noutro país. O que pensaste? Na altura não tinha bem noção do que era ir morar para outro país por isso estava um pouco confusa. Que dúvidas tiveste? Não tive dúvidas porque não conseguia imaginar não sabia a gravidade que era para ter duvidas porque nunca me tinha acontecido tal coisa. Que emoções sentiste? Muita coisa, senti-me muito confusa e não sabia que fazer, eu sentia-me incerta e as coisas estavam incertas.
  • E quando a tua mãe te disse que ela iria primeiro e depois te viria buscar a ti e à tua irmã, o que sentiste? Senti que a minha mãe ia fazer o que estava a dizer uma vez que temos uma relação muito próxima. E ela não nos iria deixar porque o que ela estava a fazer era também a pensar no nosso futuro quando crescermos.
  • Em algum momento tiveste medo? Sim. No primeiro dia que ela partiu. Sentia-me muito  sozinha e sem o suporte que ela me dava, sem os seus conselhos e avisos. Tinha medo que a nossa relação mudasse para sempre.
  • Era claro para ti que ela te iria buscar?  Sim, sem dúvidas. Sonhavas com esse dia? Sonhei que me iria encontrar com a minha mãe, e daríamos um grande abraço, que ela iria agarrar-me e nunca mais me largar.
  • Como descreves a tua mãe? A minha mãe é aventureira, sonhadora, amiga, teimosa, é a  minha confidente. Ela é, ás vezes, misteriosa.
  • Em algum momento quiseste ficar em Portugal? Sim. Nos dois últimos dias antes de vir para Inglaterra. Eu ouvia os meus amigos a falar de planos e coisas para o próximo ano, eu também queria participar mas não podia porque iria partir noutra aventura.
  • Como foi a partida para Inglaterra? Foi calma, tudo normal eu pensava que ia andar agitada mas estive muito calma.  O que esperavas encontrar? Esperava encontrar a minha mãe e frio.
  • Como viste e sentiste o teu primeiro dia em Inglaterra? O meu primeiro dia foi estranho,  não parava de olhar para as pessoas, as casas, a paisagem. Estava eu concentrada a admirar tudo quando olho para o lado e vejo um camião sem ninguém a conduzir, entrei quase em pânico porque o camião podia causar um acidente. Mas na verdade as pessoas conduzem cá ao contrário.
  • Ao fim de 10 meses em terras Britânicas, achas que te adaptaste a esta nova vida? Foi, ou tem sido, uma adaptação difícil? Sim. Adaptei-me melhor do que esperava. Quando iniciei a escola em Inglaterra estava com muito medo, não conhecia ninguém e era outra língua. Aos poucos fui-me integrando na escola. Os professores eram simpáticos e ajudaram muito. Hoje já tenho mais amigos.
  • Que diferenças encontraste nas meninas da tua idade inglesas em relação às portuguesas? As meninas de Inglaterra são muito mais descontraídas, mais para a brincadeira, são um pouco mais chiques. Enquanto que as meninas Portuguesas são um pouco mais stressadas porque a escola é mais exigente.
  • Na tua perspectiva achas que mudaste com a vinda para Inglaterra? Sim. Mudei a minha maneira de pensar, e estou a aprender outra cultura. Posso dar um exemplo, quando estava em Portugal se visse uma pessoa com cabelo verde era uma loucura. Aqui ver uma pessoa com o cabelo verde é normal, é uma opção dela.
  • Tens saudades de Portugal? Sim, tenho saudades da família que vive lá, do tempo ameno, do cheirinho do mar.
  • Conhecendo agora as duas realidades distintas onde te sentes mais feliz?Sinto-me mais feliz onde estou, em Inglaterra. Porquê?Não sei bem explicar, eu amo este pais e acho que um iman me atrai aqui e não me apetece mudar, sinto-me bem. Não consigo explicar, talvez porque vejo uma luz lá ao fundo. Sinto que aqui é melhor para mim.
  • O que dirias a uma menina portuguesa que estivesse de malas feitas para vir para Inglaterra? Diria "Vai e não tenhas medo. Viver noutro país não é tão difícil como parece."
  • O que achas que te reserva o futuro? O futuro reserva-me muitos desafios e coisas novas. Sei que vou aprender muito. Mas respondendo mais à pergunta o meu futuro ainda é incerto.
  • Descreve o que, para ti, seria um dia perfeito. Seria ir ao Algarve, à praia, enterrar-me na areia tal como fiz quando era pequena e divirtir-me à grande com a minha família.
Às vezes achamos que os nossos filhos vão sofrer com uma mudança tão grande nas suas vidas. Que vão ficar traumatizados ou frustrados. A verdade é que quanto mais crescidos somos mais difícil é para nós mudar-nos e desapegarmo-nos das coisas qua achamos ter como garantidas. Os mais novos adaptam-se muito melhor que nós a uma nova realidade e aprendem a viver nela com uma facilidade inspiradora. Somos nós, os adultos, que sobredimensionamos as emoções, a dor, a saudade, a tristeza, a necessidade. Eles acabam por viver com a nova realidade e a encontrarem, com grande facilidade, a parte positiva da mudança centrando as suas energias apenas nela.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Londres Vs Countryside


Quando decidimos vir viver para Inglaterra (eu e o D.) não tivemos muitas dúvidas na escolha da cidade para onde iriamos: Londres, claro! No nosso caso tornou-se obvio porque tinhamos trabalho em Londres e quem nos desse guarida por alguns dias até alugarmos um espaço para nós.
Começámos então a nossa nova vida em Londres, numa zona feia e não muito segura, mas foi onde conseguimos arranjar um quarto que não fosse muito longe do trabalho. Para quem gosta de luz, ambientes bonitos e organização, não posso dizer que os meus primeiros meses neste país tenham sido do melhor, mas nunca o são, ou raramente o são. Londres tem tudo de muito bom para te apaixonares e tudo de muito mau para quereres regressar ao teu cantinho à beira-mar plantado. Normalmente o muito bom não está ao nível da tua carteira e por isso tentas desesperadamente procurar algum equilibrio que te permita conviver com tudo isto. Londres é uma cidade grande, tal como todas as cidades grandes de Inglaterra, o custo de vida, especialmente, o custo da habitação é extremamente elevado. Casas caras e velhas não faltam e não é por viveres numa zona menos segura que elas deixam de ser caras. Arranjar um sitio para morar em Londres de acordo com a tua carteira, é um autentico desafio. Quando se emigra sózinho, ou como casal, a procura é exaustiva mas possivel. Conseguimos encontrar um quarto ou talvez um estudio por um valor alto mas que conseguimos pagar. Se emigramos com crianças a coisa muda de figura. Encontrar uma casa em Londres com 2 quartos a um preço correspondente à tua realidade é uma missão (quase) impossivel. E isto não muda muito noutras cidades como Manchester, Bristol, etc. mesmo não sendo capitais, os grandes centros urbanos são definitivamente locais caros por excelente. Daí tornar-se pertinente a questão da escolha entre morar numa grande cidade ou num meio mais rural. 
Quando engravidei da minha primeira filha, comecei a minha batalha. Viviamos num bom estudio, num bairro agradável e na zona 3 de Londres mas precisavamos encontrar uma casa com 2 quartos. Vi muitas, mas muitas casas, todas caras e quando eram menos caras eram absolutamente decadentes. Se eu queria que a minha filha vivesse num ambiente assim? Não! Nem pensar! Foi depois de muita procura em Londres que começámos a alargar a nossa área de pesquisa e foi a 30 milhas (cerca de 50km) do trabalho que viemos encontrar o nosso pequeno oasis onde moramos há mais de 4 anos e onde já tivemos outra menina. 
Tendo a experiência de ter vivido nos dois ambiente deixo aqui alguns pontos que podem ajudar na altura de decidir entre o campo e a cidade, de acordo com a vossa própria realidade, na hora de emigrar. Atenção quando falo de campo não falo de isolamento, caminhos de cabras e lamaçal, falo de um bairro, com lojas a 5 minutos a pé, escolas primárias, creches, tudo o necessário para uma vida absolutamente relaxada e com crianças.
  • Se fores um estudante: ficar o mais perto possível da tua Universidade parece-me ser a opção mais inteligente. Alugares um quarto será provavelmente a melhor solução para ti. Não te sentirás tão sózinho e provávelmente até conseguirás encontrar um onde até já estejam outros colegas da mesma Universidade. Um quarto perto de uma Universidade não será barato mas ficarás muito mais ligado ao meio onde queres estar inserido, permitirá fazeres amizades com maior facilidade e não gastarás dinheiro em trasportes que em Inglaterra são extremamente caros.
  • No caso de um individuo só ou um casal: A opção de alugar um quarto o mais perto possível do trabalho é sem dúvida a mais eficaz, a menos que se tenha familia ou amigos que nos permitam aterrar nas suas casas por um valor insignificante, caso contrário a proximidade ao trabalho é uma mais valia. Viver numa grande cidade é, quanto a mim, a melhor opção para quem vai morar sózinho ou até no caso de um casal sem filhos. Se ambos trabalharem conseguem alugar um estúdio e ter uma vida relativamente confortável no reboliço de uma cidade que, se for o caso de Londres, será cosmopolita, non-stop e absolutamente encantadora. Poderá ou poderão ter uma vida social imparável, com eventos diários e mil e uma actividades, dificilmente sentirão aborrecimento. Não precisarão de carro e com sorte ainda poderão ir para o trabalho de bicicleta e poupar em transportes e em ginásio. Terão uma vasta diversidade de oportunidades de trabalho desde mais qualificado a outros sem ser necessário qualificações e/ou experiência. Estarão no centro de tudo.
  • Se houverem crianças envolvidas: não cheguei a viver em Londres com crianças mas sempre que lá vou com as minhas filhas (de 1 e 3 anos) sinto-me minuscula. Londres não é uma cidade prática para andar com carrinhos de bebés. Os acessos ao metro são difíceis, o espaço para parar os carrinhos dentro dos autocarros é limitado a cerca de 2 a 3 carrinhos por veiculo (depende do tamanho dos carrinhos) e se tivermos o azar de aparecer um individuo em cadeira de rodas este terá prioridade e, ou fechas o carrinho ou sais do autocarro e esperas por outro. Terás de procurar casas com 2 ou mais quartos que vão para preços ridiculos e nem por isso são grandes casas ou estão em boas condições. Dificilmente consegues viver perto do centro de Londres ou do teu local de trabalho porque não tens dinheiro para as rendas astronomicas e os valores das creches. Muito provávelmente vais sentir-te inseguro em relação aos teus filhos porque mesmo que consigas pagar uma casa na zona 5 de Londres o mais certo é que esta esteja longe de ser uma das zonas mais seguras da cidade. Claro que há inumeras famílias a viver em Londres mas a maioria ou tem apoios do estado ou pertencem à classe média-alta e alta. Portanto, neste caso, acho que a melhor opção é mesmo optar pela zona rural. Kent é uma optima área para quem trabalha em Londres e quer morar fora da grande cidade. A zona de Kent tem muito bons acessos e ainda não é das piores entradas de Londres a nível de transito automóvel. Neste caso a aquisição de um carro será uma mais valia a considerar dado essencialmente o custo dos transportes para Londres.
Seja qual for a opção que escolheres há uma coisa que eu digo sempre, se possível não morras sem viveres um mês em Londres. É sem dúvida uma experiência inesquecivel, uma realidade totalmente diferente da que os portugueses estão habituados e por isso mesmo uma aventura inesperadamente incrivel. 
Em breve faremos um post com uma simulação de quanto poderá custar uma vida familiar no campo em comparação com a cidade, quais os valores envolvidos, custo da habitação, creche, etc. Fiquem atentos!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Primeiros passos a dar ao chegar a Inglaterra


O país que nos acolhe é, de uma maneira geral, diferente do nosso, desde a cultura, a língua, o nível de vida, as pessoas, as condições climatéricas, por isso a mudança para outro país implica um grande esforço em todos os níveis.
Para quem muda de país as dúvidas são mais que muitas. Nesse sentido é legitimo ajudar a esclarecer algumas questões como: Quais os primeiros passos a dar quando se chega, neste caso, a Inglaterra?

Partindo do princípio que já terás onde deixar a bagagem e dormir ao sair do aeroporto. Deixa-me que te guie nos teus primeiros dias de terras britânicas.
Quando cheguei a Inglaterra já tinha um quarto para ficar mas foi só. Não tinha trabalho e nem sabia muito bem o que me esperava numa cidade que, apesar de não ser Londres, era já bem maior do que a pequena aldeia de onde tinha saído. Uma realidade absolutamente diferente. Um mundo totalmente estranho. Um tanto de coisas para tratar e decidir que nem sabemos muito bem por onde começar. Deixo-te com os passos essenciais a dar por ordem de importância enquanto procuras frenéticamente o teu primeiro trabalho. Uma check list a não perderes de vista quando chegares a terras de sua majestade!

  1. Arranjar um cartão SIM, caso tenhas trazido contigo um telemóvel desbloqueado conforme sugerimos neste texto. Em alternativa comprar um telemóvel e respectivo catão SIM. Este é dos passos mais importantes para te tornares fácilmente contactável neste país. É imprescindivel na tua procura de emprego e dar-te-á uma autonomia que de outra forma é impensável.
  2. Abrires conta bancária  irá facilitar-te a vida em muito. Para além de poderes depositar ou transferir o valor que tens disponivel para as primeiras despesas e usá-lo de forma mais segura e com menos custos de taxas bancárias. Será ainda uma mais valia quando fizeres o teu contrato de trabalho. O que precisas para abrir conta em Inglaterra depende muito de banco para banco mas normalmente são solicitados um ou dois comprovativos de identidade e comprovativo de morada no Reino Unido.
  3. Inscreveres-te no National Insurance Number (NIN) ajudará a abrir portas na tua procura de trabalho. Este é o correspondente ao Número da Segurança Social + Número de Identificação Fiscal em Portugal. Para adquirir o NIN tens de marcar previamente uma entrevista no Jobcentre Plus - National Insurance number allocation service através do número de telefone 0345 600 0643 (de segunda a sexta das 8 às 18).
  4. Próximo passo é escolheres e inscreveres-te num centro de saúde (GP). Nunca se sabe quando podemos ficar doentes ou a precisar de qualquer tipo de assistência médica, receita, etc. Inclusivé, se usas como meio de contracepção a pilula, esta pode ser adquirida gratuitamente logo que estejas inscrita num GP (Centro de Saúde) e tenhas tido uma primeira consulta.
  5. No caso de teres filhos e os teres trazido contigo podes de imediato solicitar o Child Benefit que corresponde ao Abono. Este ainda levará cerca de 3 meses a ser processado após teres dado entrada dos papeis. Não te esqueças de dar baixa do Abono em Portugal para que o possas receber em Inglaterra.
  6. A escolha de escola para as crianças e respectiva inscrição na mesma é absolutamente obrigatória e urgente mas iremos abordar com maior pormenor brevemente aqui no Sunny Dot.
Se tiveres de malas prontas para te mudares para Inglaterra não hesites em conhecer alguns serviços que temos disponíveis para te ajudar nesta transição e adaptação. Envia-nos um email ou preenche o formulário de contacto na barra lateral direita do blogue e teremos todo o gosto em te esclarecer.

Background Photo | Foto de fundo: Blaze Press



terça-feira, 7 de abril de 2015

9 Passos a dar antes de saires de Portugal


Quando se pensa em emigrar deixa-se para trás a vida que se tinha. Muito há que pensar e preparar. A pensar nisso decidimos dar continuidade a esta publicação feita há algum tempo atrás complementando-a com mais 3. Esta será assim a segunda publicação e tem como objectivo alertar-te para alguns pontos a teres em conta antes de fazeres as malas. 
Como consequência de iniciares uma nova vida num outro país, alguns assuntos não podem ser ignorados sob pena de existirem surpresas desagradável no futuro.
Para que tudo corra bem deixamos-te algumas acções essenciais a tomar antes de saires de Portugal:
  1. Ter a certeza de que o Cartão de Cidadão (i.d.) está dentro da validade. Regra básica, nunca viajar sem um documentos de identificação. Parece-te obvio mas com a abolição das fronteiras na Comunidade Europeia se calhar até já foste a Espanha meter gasolina sem levares o Cartão de Cidadão.
  2. Certifica-te de que não precisas de outro tipo de documentação para entrar no país de destino, por exemplo um Visa, e se for caso disso tratar o quanto antes pois normalmente são burocracias morosas.
  3. Independentemente do país para onde vais emigrar, o ideal é saires do país com duas formas de identificação; Cartão de cidadão (já referido atrás) e o passaporte ou a carta de condução válidos será a opção mais segura. Em certos casos, como por exemplo um emprego, épode ser solicitado mais do que uma forma de identificação.
  4. Obrigatório ir ao Departamento de Finanças informar que irás emigrar. Este procedimento levar-te-á a teres de denominares uma pessoa que possa responder por ti nas Finanças, em qualquer circunstância que possa surgir. Isto evitará tributações indevidas durante o tempo em que estiveres emigrado.
  5. Quem tiver filhos, for emigrar para um país da Comunidade Europeia e os pretenda levar consigo, é importante cancelar os respectivos abonos na Segurança Social em Portugal, para que os possa posteriormente registar no país de destino e recebê-los lá.
  6. Se vieres de carro, é fulcral que faças uma revisão ao veículo, assim como a inspecção. Não esquecer também o autocolante com o P na traseira do carro.
  7. Caso tenhas um curso superior e pretendas procurar trabalho no ramo para o qual te formaste, um Certificado de Curso traduzido para inglês ou para a lingua corrente do país de destino darte-á a possibilidade de te inscreveres nas Associações Profissionais respectivas à tua área de formação a fim de certificares o teu curso e desta forma poderes exercer.
  8. Se tiveres casa própria o ideal será tentares vendê-la ou alugá-la a fim de anular qualquer despesa que possa advir disso. Se achares conveniente faz mesmo uma procuração para delegar poderes de intervenção a terceiros.
  9. Por último, mas não menos importante, se saíres de Portugal sem trabalho garantido faz previamente o CV em inglês, ou na lingua do país de destino, e leva alguns já imprimidos para que possas iniciar a tua procura assim que chegues ao teu destino. A distribuição do CV porta-a-porta ainda é dos meios mais bem sucedidos na hora de procurar alguns tipos de emprego.
Sim, é verdade, emigrar é uma luta. Uma luta que começa quando tomas a decisão de o fazer. Uma luta que muitas vezes te obriga a deixares a família e amigos para trás. Uma luta na conquista dos teus objectivos. Uma luta para te adaptares a novos costumes. Porém, parte dessa batalha pode ser atenuada se houver uma boa preparação e nós estamos aqui para te ajudar nisso.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A importância de aprender português sendo emigrante


Pois bem, à primeira vista não parece ser muito importante... falo com muitos pais emigrados que me dizem que os seus filhos falam português em casa e que não precisam de aprender mais, mas será que ponderaram todas as hipoteses antes de decidirem a importância, ou a falta dela, no que diz respeito a saber falar e escrever portugês?Reuni aqui algumas vantagens que, quanto a mim, são relevantes quando se tem de decidir se devemos ou não abandonar as nossas raízes linguisticas:
  • quantos de vós nunca imaginaram vir a ser emigrantes e hoje estão a viver fora do país de origem? O futuro a Deus pertence  e o saber nunca ocupou lugar, toda a minha vida ouvi dizer.
  • quantos empregos pelo mundo se veem circular na internet a pedir fluencia em português? Bastantes e a perspectiva para os próximos anos é elevada. A língua portuguesa é a 6ª língua mais falada em todo o mundo, próximo de 265 milhões de nativos adicionados aos 35 milhões como segunda língua, totalizando 300 milhões de pessoas a falarem português.
  • os lugares reservados ao acesso às universidades públicas portuguesas a filhos de emigrantes portugueses geralmente não é preenchido, o que garante acesso praticamente directo aos estudantes emigrados e o valor das propinas é inferior ao verificado nalguns países da Europa.
  • está provado que crianças bilingue  aprendem línguas estrangeiras com mais facilidade, têm mais facilidade em executar diversas tarefas em simultâneo e podem aprender a ler mais rapidamente.
Um estudo feito junto da comunidade portuguesa em Londres comparou os jovens que não desenvolvem a língua dos pais com os que frequentam aulas de português extracurriculares. O estudo verificou que estes últimos têm mais probabilidades de obter classificações elevadas nos GCSEs (General Certificate of Secondary Education). Aprender português é um direito do emigrante português!! Existe alguma razão fundamentada para não aproveitar?

Background photo by | Foto de fundo por: ali harper photography

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Da Creche para a "Nursery"


Quando cheguei ao Reino Unido, o meu filho, na altura com 2 anos e três meses, tinha deixado o jardim-de-infância em Portugal onde tinha andado desde os seus seis meses e com o qual estava familiarizado com o ambiente, os amigos e as pessoas que lá trabalhavam, pelo que ficou comigo em casa durante três semanas para se ambientar à grande mudança. No entanto naõ demorou muito e eu comecei à procura de um sítio similar onde o pudesse deixar por umas horas para ver a sua adaptação às novidades e o mais difícil, a uma língua completamente estranha para ele.

Bem perto do sítio onde morava existia um infantário, aqui chamado de Nursery, onde aceitavam crianças com apenas alguns meses de vida e até aos 5 anos. Fui então saber se haveria uma vaga para o meu filho e perguntei quais eram as condições, preços e como procediam quando a criança não falava nada de inglês. O meu filho já falava muita em português, com dois anos de idade ele tinha um vocabulário bastante extenso, mas de inglês ele não sabia uma palavra. Aqui as nurseries são os olhos da cara mas mesmo assim avancei com a ideia de o integrar numa porque sabia ser a forma mais fácil e rápida de contactar com a lingua e uma nova cultura. Ligaram-me no dia seguinte com a notícia de que tinham uma vaga e que o meu filho podia começar na semana seguinte. 
Quando fui conhecer a nursery, desta vez já com o piolho, no hall de entrada vi que existiam fotos das funcionárias, respectivos cargos e seus nomes e fiquei surpresa ao deparar-me com um nome completamente “tuga” claro que fiquei logo curiosa. Perguntei então à gerente se por acaso a pessoa que estava naquela foto era de nacionalidade Portuguesa, ao que ela respondeu afirmativamente, foi como se tivesse ganho o jackpot no Euromilhões. O meu filho ia andar numa creche onde trabalhava uma portuguesa? Era a cereja no topo do bolo, pensei eu.
Nesse mesmo dia, após a visita guiada, o meu filho pôde brincar um pouco e pareceu-me ter gostado do ambiente que o rodeava. O sítio era muito acolhedor, com muitos brinquedos, várias salas e um grande jardim atrás onde as crianças podiam brincar ao ar livre. Gostei do que vi e fiquei bem mais tranquila, sabendo que teria uma portuguesa a olhar por ele.
As primeiras três semanas de adaptação foram terríveis para o meu filho, chorava sempre que o deixava. Teve de voltar a usar fraldas por não o perceberem quando ele pedia para fazer as necessidade. Ele regrediu e eu fiquei preocupada por ele ter esquecido tudo o que lhe tinha ensinado.
Semana após semana, o piolho foi ficando mais confiante! Já não chorava todos os dias quando o deixava e já articulava umas palavrinhas em inglês. Meses mais tarde começou a afeiçoar-se a uma das educadoras o que facilitou.
Foi duro mas foi um grande arranque para reajustá-lo à nova vida, ao novo mundo.
As crianças têm o dom de se adaptarem facilmente às mudanças e o meu não foi excepção à regra. Hoje, com quase 5 anos está na escola e posso afirmar que é uma criança alegre e muito bem disposta, completamente integrada e com um inglês de me fazer inveja…

Background photo by | Foto de fundo de: Varpunen mainio