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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O que 2 anos podem mudar numa vida


Faz no sábado 2 anos e um mês que cheguei ao Reino Unido. Trazia comigo uma mala cheia de sonhos e uma vontade enorme de conquistar. Recordo-me como se fosse hoje a chegada ao aeroporto, a chuva que batia na vidraça afirmando um dia de Inverno. Os dias que antecederam a partida foram de ansiedade, insegurança e algum medo. Medo porque estaria sózinha nesta aventura, iria sair da minha zona de conforto, porém estava determinada, sabia que, embora indo em busca de algo ainda desconhecido, aquele era o meu caminho.
Hoje, e passados mais de 2 anos, muita coisa mudou na minha vida. Reuni condições para trazer as minhas filhas para junto de mim. Felizmente a adaptação foi pacífica e aos poucos tudo se foi encaixando naturalmente.
Aprendi que se formos à luta, com determinação e persistência, os objectivos vão sendo alcançados, até o que à primeira vista parece impossível de alcançar, se torna possível.
A minha vida deu uma volta de 180 graus a nível pessoal e profissional. A nível pessoal redescobri-me a mim própria e embora a nível profissional haja muito ainda para fazer sei que se estivesse no meu País de origem não teria tantas oportunidades como tenho aqui.
Fiz amizades para a vida e hoje são a minha família de coração. O meu mundo ficou certamente mais rico. A minha experiência tem sido muito positiva. Estou feliz e segura do que quero para o meu futuro!

Background photo by | Foto de fundo por: 89 home

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Viajar de carro com crianças

 

Hoje escrevo-vos um texto pessoal resultado de uma experiência particular e recente, não revelará nada mais do que a realidade de uma família portuguesa, emigrada em Inglaterra e que decide ir de férias a Portugal. Dirão vocês: que tem isso de especial? De facto nada tem de especial ou de novo. Ou talvez não tenha nada de especial para quem já fez esta viagem de carro com 2 crianças pequenas e saberá bem com o que poderá contar. Este testemunho é porém para aqueles que nunca o fizeram mas que, volta e meia, até se lembram de que talvez não fosse má ideia.
Neste sentido venho partilhar algumas ilações que retirei da minha experiência pessoal. No dia 14 de Outubro saí de casa em Kent, Inglaterra, rumo a Portugal. No carro eramos 4, eu, ele, a mais nova de quase 2 anos e a mais velha de quase 4 anos. Resolvemos sair ao fim do dia porque achámos que conseguiamos aproveitar a noite para fazermos a maior parte do percurso de França com elas a dormir e desta forma parariamos menos vezes. De facto, pouco depois de entrarmos em França as pequenas dormiram umas 4 a 5 horas seguidas, o que nos permitiu um grande avanço, mas o certo é que uma noite a dormirem no carro deixou-as mal dispostas e chatas tornando a viagem durante o dia num autêntico pesadelo. Desde vomitarem, comerem mal, mal dormirem e não pararem de reclamar, gritar e chorar, tivemos um puco de tudo. A mais velha até se portou mais ou menos, dadas as circunstâncias acho que não poderia pedir mais. Já a mais nova... 
A viagem de regresso correu um pouco melhor, ficámos algumas horas num hotel onde conseguimos descansar com maior conforto, especialmente elas, e a viagem decorreu mais à luz do dia tornando-se menos chata para elas e consequentemente também para nós.

Conclusões que tirei desta aventura:
  • o avião não nos dá a verdadeira noção do quanto estamos distantes do nosso país de origem
  • viajar com crianças pequenas é completamente diferente do que viajar sózinhos ou com crianças/adolescentes que já não precisem de cadeira de segurança.
  • não viajar longas distâncias com crianças de idade inferior a 3/4 anos
  • viagens que necessitem de mais de 12 horas até ao destino devem ser intervaladas com noite em hotel (mesmo que seja apenas uma dormida de 5 ou 6 horas)
  • evitar tablets, filmes e livros no caso de crianças que enjoem com facilidade, bonecas e carros também são um bom meio de os entreter sem enjoarem tão facilmente
  • evitar que as crianças comam muito no carro, parar para fazer as refeições principais é a melhor forma de ter uma melhor alimentação, além da oportunidade perfeita para esticar o corpo.
  • os meses de primavera e verão são as melhores alturas para fazer este tipo de viagens longas, a claridade mantem-se por mais tempo fazendo-se a maior parte da viagem de dia, além da probabilidade de apanhar melhor tempo ser maior.
  • usar as cadeiras de segurança para crianças na posição mais vertical possivel.
Background photo | Foto de fundo:  Jake Olson Studios

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Emigrar na pele de uma adolescente

Hoje temos uma publicação muito especial aqui no Sunny Dot. Tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas a uma adolescente que se mudou para Inglaterra há menos de um ano. Quisemos saber um pouco o que passa pela cabeça dos mais novos quando os pais tomam esta decisão tão difícil de abandonar tudo e recomeçar de novo longe da família, amigos e de realidades que já conhecem tão bem. A Alice (nome ficticio) tem 12 anos e um dia ficou a saber que a sua vida iria mudar para sempre. Mãe da Alice: “Foi num dia de Verão que disse à Alice que em Outubro iria para Inglaterra. Sabia que a mudança iria ser drástica para todos. Nós estávamos muito apegadas.
Um dia, já a pensar na partida, disse-lhe: Imagina um barco no mar, ele durante a sua viagem tem de navegar estável e seguro, por mais que as ondas balancem, para chegar a bom porto. Assim seremos nós!”

  • Alice, como te descreves? Sou uma pessoa calma, quando não me irritam. Sou sonhadora, meiga e super teimosa.
  • És uma boa estudante? Sim. Tens boas notas? Normalmente, sim.
  • Consideraste uma rapariga com inteligência acima da média, ou tudo o que tens conseguido devesse ao fruto do teu trabalho e empenho? Eu não acho que seja uma rapariga inteligente mas acho que também não sou burrinha, mas sou aplicada e gosto de estudar.
  • Quais os teus passatempos favoritos? Os meus passatempos favoritos são ouvir musica, ler, ver televisão, gosto de escrever quando estou inspirada e estar com a família e amigos. Também gosto de passear e conhecer novas terras
  • Um dia a tua mãe disse-te que iriam morar noutro país. O que pensaste? Na altura não tinha bem noção do que era ir morar para outro país por isso estava um pouco confusa. Que dúvidas tiveste? Não tive dúvidas porque não conseguia imaginar não sabia a gravidade que era para ter duvidas porque nunca me tinha acontecido tal coisa. Que emoções sentiste? Muita coisa, senti-me muito confusa e não sabia que fazer, eu sentia-me incerta e as coisas estavam incertas.
  • E quando a tua mãe te disse que ela iria primeiro e depois te viria buscar a ti e à tua irmã, o que sentiste? Senti que a minha mãe ia fazer o que estava a dizer uma vez que temos uma relação muito próxima. E ela não nos iria deixar porque o que ela estava a fazer era também a pensar no nosso futuro quando crescermos.
  • Em algum momento tiveste medo? Sim. No primeiro dia que ela partiu. Sentia-me muito  sozinha e sem o suporte que ela me dava, sem os seus conselhos e avisos. Tinha medo que a nossa relação mudasse para sempre.
  • Era claro para ti que ela te iria buscar?  Sim, sem dúvidas. Sonhavas com esse dia? Sonhei que me iria encontrar com a minha mãe, e daríamos um grande abraço, que ela iria agarrar-me e nunca mais me largar.
  • Como descreves a tua mãe? A minha mãe é aventureira, sonhadora, amiga, teimosa, é a  minha confidente. Ela é, ás vezes, misteriosa.
  • Em algum momento quiseste ficar em Portugal? Sim. Nos dois últimos dias antes de vir para Inglaterra. Eu ouvia os meus amigos a falar de planos e coisas para o próximo ano, eu também queria participar mas não podia porque iria partir noutra aventura.
  • Como foi a partida para Inglaterra? Foi calma, tudo normal eu pensava que ia andar agitada mas estive muito calma.  O que esperavas encontrar? Esperava encontrar a minha mãe e frio.
  • Como viste e sentiste o teu primeiro dia em Inglaterra? O meu primeiro dia foi estranho,  não parava de olhar para as pessoas, as casas, a paisagem. Estava eu concentrada a admirar tudo quando olho para o lado e vejo um camião sem ninguém a conduzir, entrei quase em pânico porque o camião podia causar um acidente. Mas na verdade as pessoas conduzem cá ao contrário.
  • Ao fim de 10 meses em terras Britânicas, achas que te adaptaste a esta nova vida? Foi, ou tem sido, uma adaptação difícil? Sim. Adaptei-me melhor do que esperava. Quando iniciei a escola em Inglaterra estava com muito medo, não conhecia ninguém e era outra língua. Aos poucos fui-me integrando na escola. Os professores eram simpáticos e ajudaram muito. Hoje já tenho mais amigos.
  • Que diferenças encontraste nas meninas da tua idade inglesas em relação às portuguesas? As meninas de Inglaterra são muito mais descontraídas, mais para a brincadeira, são um pouco mais chiques. Enquanto que as meninas Portuguesas são um pouco mais stressadas porque a escola é mais exigente.
  • Na tua perspectiva achas que mudaste com a vinda para Inglaterra? Sim. Mudei a minha maneira de pensar, e estou a aprender outra cultura. Posso dar um exemplo, quando estava em Portugal se visse uma pessoa com cabelo verde era uma loucura. Aqui ver uma pessoa com o cabelo verde é normal, é uma opção dela.
  • Tens saudades de Portugal? Sim, tenho saudades da família que vive lá, do tempo ameno, do cheirinho do mar.
  • Conhecendo agora as duas realidades distintas onde te sentes mais feliz?Sinto-me mais feliz onde estou, em Inglaterra. Porquê?Não sei bem explicar, eu amo este pais e acho que um iman me atrai aqui e não me apetece mudar, sinto-me bem. Não consigo explicar, talvez porque vejo uma luz lá ao fundo. Sinto que aqui é melhor para mim.
  • O que dirias a uma menina portuguesa que estivesse de malas feitas para vir para Inglaterra? Diria "Vai e não tenhas medo. Viver noutro país não é tão difícil como parece."
  • O que achas que te reserva o futuro? O futuro reserva-me muitos desafios e coisas novas. Sei que vou aprender muito. Mas respondendo mais à pergunta o meu futuro ainda é incerto.
  • Descreve o que, para ti, seria um dia perfeito. Seria ir ao Algarve, à praia, enterrar-me na areia tal como fiz quando era pequena e divirtir-me à grande com a minha família.
Às vezes achamos que os nossos filhos vão sofrer com uma mudança tão grande nas suas vidas. Que vão ficar traumatizados ou frustrados. A verdade é que quanto mais crescidos somos mais difícil é para nós mudar-nos e desapegarmo-nos das coisas qua achamos ter como garantidas. Os mais novos adaptam-se muito melhor que nós a uma nova realidade e aprendem a viver nela com uma facilidade inspiradora. Somos nós, os adultos, que sobredimensionamos as emoções, a dor, a saudade, a tristeza, a necessidade. Eles acabam por viver com a nova realidade e a encontrarem, com grande facilidade, a parte positiva da mudança centrando as suas energias apenas nela.