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terça-feira, 21 de abril de 2015

Primeiros passos a dar ao chegar a Inglaterra


O país que nos acolhe é, de uma maneira geral, diferente do nosso, desde a cultura, a língua, o nível de vida, as pessoas, as condições climatéricas, por isso a mudança para outro país implica um grande esforço em todos os níveis.
Para quem muda de país as dúvidas são mais que muitas. Nesse sentido é legitimo ajudar a esclarecer algumas questões como: Quais os primeiros passos a dar quando se chega, neste caso, a Inglaterra?

Partindo do princípio que já terás onde deixar a bagagem e dormir ao sair do aeroporto. Deixa-me que te guie nos teus primeiros dias de terras britânicas.
Quando cheguei a Inglaterra já tinha um quarto para ficar mas foi só. Não tinha trabalho e nem sabia muito bem o que me esperava numa cidade que, apesar de não ser Londres, era já bem maior do que a pequena aldeia de onde tinha saído. Uma realidade absolutamente diferente. Um mundo totalmente estranho. Um tanto de coisas para tratar e decidir que nem sabemos muito bem por onde começar. Deixo-te com os passos essenciais a dar por ordem de importância enquanto procuras frenéticamente o teu primeiro trabalho. Uma check list a não perderes de vista quando chegares a terras de sua majestade!

  1. Arranjar um cartão SIM, caso tenhas trazido contigo um telemóvel desbloqueado conforme sugerimos neste texto. Em alternativa comprar um telemóvel e respectivo catão SIM. Este é dos passos mais importantes para te tornares fácilmente contactável neste país. É imprescindivel na tua procura de emprego e dar-te-á uma autonomia que de outra forma é impensável.
  2. Abrires conta bancária  irá facilitar-te a vida em muito. Para além de poderes depositar ou transferir o valor que tens disponivel para as primeiras despesas e usá-lo de forma mais segura e com menos custos de taxas bancárias. Será ainda uma mais valia quando fizeres o teu contrato de trabalho. O que precisas para abrir conta em Inglaterra depende muito de banco para banco mas normalmente são solicitados um ou dois comprovativos de identidade e comprovativo de morada no Reino Unido.
  3. Inscreveres-te no National Insurance Number (NIN) ajudará a abrir portas na tua procura de trabalho. Este é o correspondente ao Número da Segurança Social + Número de Identificação Fiscal em Portugal. Para adquirir o NIN tens de marcar previamente uma entrevista no Jobcentre Plus - National Insurance number allocation service através do número de telefone 0345 600 0643 (de segunda a sexta das 8 às 18).
  4. Próximo passo é escolheres e inscreveres-te num centro de saúde (GP). Nunca se sabe quando podemos ficar doentes ou a precisar de qualquer tipo de assistência médica, receita, etc. Inclusivé, se usas como meio de contracepção a pilula, esta pode ser adquirida gratuitamente logo que estejas inscrita num GP (Centro de Saúde) e tenhas tido uma primeira consulta.
  5. No caso de teres filhos e os teres trazido contigo podes de imediato solicitar o Child Benefit que corresponde ao Abono. Este ainda levará cerca de 3 meses a ser processado após teres dado entrada dos papeis. Não te esqueças de dar baixa do Abono em Portugal para que o possas receber em Inglaterra.
  6. A escolha de escola para as crianças e respectiva inscrição na mesma é absolutamente obrigatória e urgente mas iremos abordar com maior pormenor brevemente aqui no Sunny Dot.
Se tiveres de malas prontas para te mudares para Inglaterra não hesites em conhecer alguns serviços que temos disponíveis para te ajudar nesta transição e adaptação. Envia-nos um email ou preenche o formulário de contacto na barra lateral direita do blogue e teremos todo o gosto em te esclarecer.

Background Photo | Foto de fundo: Blaze Press



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Escola... uma escolha dificil


Pois é, prometi voltar e aqui estou desta vez para vos contar os procedimentos gerais necessários para a integração das crianças na escola pela primeira vez, neste caso na pré-escola ou Year R- Reception como aqui no Reino Unido é conhecido.

Como já tinha publicado no meu post anterior, aqui no Reino Unido a escolaridade obrigatória inicia-se aos 5 anos. Mas o meu filho começou a “pré” aos 4 porque, de acordo com a lei Inglesa, aqui as crianças que completam o seu 4º aniversário até inícios de Setembro têm de integrar a pré-escola mais cedo. 

Depois das peripécias de tentar arranjar três escolas na minha área de residência, sim temos de fazer a difícil selecção de três escolhas possíveis para que, no caso de não poderem ficar na nossa primeira opção, ficarem na segunda ou terceira consoante haja vaga, percebi que escolher uma escola adequada tem o que se lhe diga e com isso quase que reviramos meio mundo. São precisas pesquisas e muitas leituras para seleccionar a escolinha certa para os nossos filhos. Para isso é sempre importante ler o relatório das próprias escolas e consultar a OFSTED, a organização que trata de toda a informação necessária para a divulgação da política interna de cada escolas 

O passo seguinte é fazer a inscrição no site do Council da sua área de residência. Eles vão solicitar que faça a inscrição online ou caso prefira pode solicitar que lhe enviem a inscrição por correio e depois de preenchida envia novamente para eles, a recepção da aplicação é-lhe informado por carta. Depois é aguardar alguns mesinhos, 3 meses mais coisa menos coisa, para saber em que escola o seu filho ficou colocado.

O meu piolho, por acaso, não ficou na minha primeira opção, muito em parte por causa da distância. Eles no acto de selecção da escola, procuram sempre colocar as crianças o mais perto possível de casa, porque são muitas as crianças que fazem todos os dias a caminhada de casa-escola e escola-casa. No meu caso como a distância era ainda significativa percebi a decisão tomada por eles. O piolho ficou então na minha segunda opção. Sendo católicos, esta segunda escola que segue o regime católico, foi uma boa opção. Depois são enviadas cartas com dados necessários à integração da criança na nova escola. Na escola onde o meu filho foi colocado, os próprios professores fazem uma visita a casa dos alunos para conhecerem os pais, os alunos, o local e o ambiente onde vivem. Falam com toda a família para obterem a máxima informação e fica tudo registado.

Antes do começo do ano lectivo, a única preocupação é comprar a farda e o calçado específicos de cada escola para o ano todo, tudo o resto é suportado pelas escolas, muitas com Fundações a apoia-las. Horas extra curriculares são por conta dos pais, assim como todos os serviços inerentes às crianças, que citarei em seguida, são os olhos da cara! Falo nisso porque, sendo emigrante e trabalhadora e sem familiares a viverem por perto, vejo muita dificuldade em ter ajuda complementar em relação ao ir buscar o piolho à escola por exemplo. As escolas no Reino Unido terminam cedo, muitas delas pelas 3 horas da tarde, no meu caso é-me difícil conciliar o meu horário de trabalho com a hora de saída do meu filho. A única maneira possível é contar com a disponibilidade dos amigos próximos e do pai, quando este pode ir busca-lo. Mas sei que existe casos em que se pode solicitar ajuda ao governo através do site deles. Basta ir a https://www.gov.uk/help-with-childcare-costs e aí vem discriminado quem pode pedir ajuda e explicam a melhor forma de fazer o seu pedido/claim.

Depois é aguardar ansiosamente pelo começo do ano lectivo e pela adaptação da criança a um novo mundo. O mundo da “escola dos grande”, como diz o meu filho!

Links úteis: http://www.admin.cam.ac.uk/univ/childcare/student/nonuniv2.html

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Integração na escola inglesa.



Uma das grandes preocupações de uma mãe é certamente o bem estar dos seus filhos. Inicialmente o plano de emigrar para junto do  marido, estava previsto para o final do ano escolar... mas as coisas alteraram-se. Na altura o D., com 8 anos, andava  na terceira classe em Portugal. E a R., entao com 4 anos, andava na creche. Para o D. o pai teve sempre um papel muito especial, o D.  via-o como um herói e ainda hoje assim é. Com o pai emigrado, ele andava mais inquieto e traquinas. De vez enquando perguntava se ele vinha mesmo, pois o amigo lá da escola tinha o pai em Angola e nunca mais o vira. Felizmente que ele ia verbalizando os seus medos dando-me hipótese de convencê-lo do contrário.

Das três vezes que o pai veio ver-nos, em seis meses, ele sofria de ansiedade e pesadelos antes e depois. A R. não sentiu tanto. Mas acabámos por antecipar seis meses a nossa vinda para Inglaterra.
Emigrámos logo após o Natal, a 27 de Dezembro de 2008. Quando chegámos a Gravesend as escolas estavam fechadas para férias. Passados os feriados das festas natalícias, liguei para um serviço descrito na página da educação do governo (Education Welfare Officer Joynes House) e falei com a senhora responsável pela colocação dos miúdos entre outras coisas, que tratou de saber a idade e a morada a fim de averiguar as vagas nas escolas mais perto. Decorridos 2 dias, fui informada de 2 opções e fui visitar as escolas em questão.
Recordo-me de me terem dito que a R. teria que ir ao wc sozinha. Aqui não acompanham nem ajudam as crianças. Sempre muito simpáticos, explicaram as regras da escola e lá fui comprar a farda da escola. Os dois foram colocados na mesma escola, um no pre-escolar (reception) e outro na quarta classe. Na véspera de irem para a escola, insisti com eles para aprenderem umas palavras de última hora: como pedir para ir ao wc e pedir água. Nem um nem outro falavam o inglês. Eles estavam expectantes, não fizeram fita. Tirei uma fotografia à porta da escola, onde estavam muito sérios, e a minha mãe mais tarde comentou: "Pareciam tão tristes."

Os dias iam-se passando e a R. começava por choramingar, mas dava a mão ao irmão e seguiam caminho. A escola era muito pequena e havia turmas misturadas com graus de escolaridade diferentes. Quando a R. chorava chamavam o irmão à sala dela e ela acalmava-se. Passou-se um mês nisto e aos poucos foi fazendo amizades.  Porém a forma como os pais se apresentavam para ir buscar os filhos à escola, não me agradava. Sentia que aquilo não correspondia às minhas exigências. Às 15h15m alguns pais vinham de pijama buscar os filhos e tinham um ar desmazelado. Mais tarde, confirmaram-me que a zona onde a escola estava inserida não tinha boa reputação. No final do ano escolar recordo-me do D. ter recebido £25 por ter sido um aluno assíduo.

Posso dizer que, o receio de que eles nao se adaptem  é maior que a realidade. Eles são novos e absorvem tudo o que os rodeia com muita facilidade. A vontade de brincarem e interagirem com os outros da mesma idade, revela-se como um ponto muito positivo no seu crescimento, e a língua é aprendida rapidamente.

Estima-se que um estrangeiro fica ao nível de uma criança nativa ao fim de um ano e meio. Hoje os professores do D. confirmam que estão muito orgulhosos dele, que nem mesmo muitos ingleses aprendem com a facilidade dele e conseguem fazer um trabalho tão bom. A R., ao fim de um ano de permanência aqui, uma das professoras disse que não sabia que ela era estrangeira pois tinha um sotaque muito bom.

Hoje, passados quatro anos e meio, dizem que não gostariam de voltar a estudar em Portugal, estão completamente adaptados. Mantêm algumas amizades lá, mas também as têm aqui.

https://www.gov.uk/schools-admissions/applying

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Será pela segurança?


Quem por aqui vive, já se apercebeu que os ingleses são cautelosos e levam as regras de segurança muito a sério.  

A propósito disto lembro-me de um episódio passado nos primeiros meses que aqui chegámos. Foi num dia de manhã, quando fui levar os meus filhos à escola, que uma das professoras me disse que o meu filho tentou fugir da escola na hora do recreio. Segundo ela, ele estava junto às grades a segurar as barras de metal e tentava fugir. "Felizmente que ainda o apanhámos a tempo!" - disse-me a professora. Fiquei aflita e de imediato perguntei ao meu filho o que tinha acontecido.
Ele respondeu que estava a  ver passar os carros, que não lhe apetecia jogar à bola com os outros meninos. De facto fugir não me parecia coisa que ele fizesse.

Já agora pergunto, se os professores e assistentes não podem tocar nos miúdos nem para fazer uma festa na cara, como teriam eles impedido o miúdo de fugir, caso ele estivesse mesmo em fuga? Certamente teriam-no deixado fugir e depois chamado a polícia. Eu ainda prefiro a escola portuguesa, onde incentivamos o contacto, onde há calor e não há julgamento de actos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Aprender/Reaprender o Inglês


Quando mudamos para outro país, pensamos que a adaptação será minimamente fácil, tentamos ver tudo de uma maneira positiva, mas muitas vezes as coisas não são como queremos, ficamos confusos e até pensamos em desistir.  

A minha chegada ao Reino Unido foi super empolgante e enervante ao mesmo tempo. Uns meses antes de vir definitivamente para este país comecei a ler e a fazer pesquisas em diversos campos e com a ajuda de pessoas amigas, que já cá viviam a algum tempo, familiarizei-me rapidamente com algumas coisas. Por isso a minha adaptação não foi muito dolorosa.

A língua sim, foi o meu primeiro obstáculo. O inglês falado pelos britânicos não soava bem aos meus ouvido. Fiquei confusa, mas nada apavorada, porque Inglês, pensei eu, sei falar e vou sair-me bem. Mas não foi bem assim. Percebi isso, numa ida a um supermercado quando precisei de ajuda na compra de um produto e dirigi-me a um empregado. A expressão facial do “jovem” disse tudo, “Amiga não te percebo!”. Fiquei para morrer, porque não sabia se o problema era meu ou do rapaz que possivelmente estaria com um problema de audição. Ele levou um tempinho a responder e quando o fez fui eu quem ficou com cara de parva a tentar decifrar que raio tinha ele me respondido. Nessa altura fiz uma pergunta a mim mesma, ou o meu nível de Inglês estaria bem baixo ou, como depois vim a perceber, o inglês falado pelos britânicos era bem diferente do inglês que eu estava habituada a ouvir nos filmes e com o qual estava muito mais familiarizada, o inglês da América.

Depois desse episódio, disse a mim mesma, vais estudar o inglês do Reino Unido porque com o teu inglês “americanizado” não te safas.

Conclusão, acabei por me inscrever numa escola (Gravesend Adult Education Centre) para adultos, bem perto da minha área de residência, onde estudei por dois anos e meio. Comecei por fazer um pré-teste para o ESOL (Skills for Life – Entry Levels 1, 2 e 3), onde qualificaram o meu inglês em cada uma das habilidades, falar e ouvir, ler e escrever. E fiquei surpresa com o resultado, afinal não estava assim tão mal como eu pensara. Fiquei inserida num grupo com o inglês no nível Entry 3 (inglês médio).  Depois de meses a fazer o Entry 3 e de ter passado nos exames foi-me dado o diploma de fim de curso. No ano a seguir fiz o Level 1 (nível a seguir ao Entry 3), também este curso com a mesma politica de avaliação das habilidades e o qual concluí com sucesso. No ano seguinte fiz parte do Level 2 (ler e escrever) também concluído e com diploma. Gostei muito desta experiência não só por ter aperfeiçoado o meu inglês mas porque também acabei por fazer novas amizades de diferentes nacionalidades, com quem ainda hoje mantenho contacto.

Há quase 3 anos a viver no Reino Unido, continuo todos os dias a aprender palavras novas, expressões e tento sempre aperfeiçoar a minha pronúncia.

Nunca serei uma “British” pura a falar mas pelo menos posso dizer que vou tentando!

Existem inumeras escolas a ensinarem inglês para estrangeiros. Procura uma na tua área ou entra em contacto connosco que faremos o nosso melhor para te ajudar a encontrar a opção adquada para ti.