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terça-feira, 21 de julho de 2015

Entrevista via Skype


As entrevistas por Skype são cada vez mais usadas, especialmente em empresas que pretendem recrutar pessoas oriundas de outros países.
Para o entrevistador este tipo de entrevista é perfeita porque gere a  sua economia com logística e agilidade permitindo várias entrevistas num curto período de tempo. Mesmo à distância, se houver interesse por parte da empresa, esta assegurará uma entrevista presencial posteriormente.

Para o candidato a preparação para este tipo de entrevista é diferente das outras entrevistas de que já falámos aqui e aqui, pelo que vos deixamos algumas dicas que vos poderão, eventualmente, ajudar:
  • Olha para a câmara e não para o monitor, é necessário manter o contacto visual para que do outro lado a pessoa tenha a certeza que estás atento à entrevista e interagindo com ela.
  • Veste-te adequadamente, mesmo estando em casa a entrevista é de cariz profissional e por isso exige uma vestimenta adequada à situação. Imagina que por algum motiva necessitas de te levantar durante a entrevista e de repente vê-se o teu calção florido. Inaceitável! Veste-te por completo como se de uma entrevista presencial se tratasse.
  • Escolhe um cenário tranquilo (sem fundo), para que sejas tu o foco e não a envolvente. Mantem o ambiente neutro.
  • Faz um teste. Se não estás muito à vontade com a câmara e o Skype convoca um amigo e realiza uma vídeo chamada para te familiarizares com todas as funções do Skype, incluindo o som, o monitor, etc. Evita assim que não hajam distracções e nervosismos na hora da entrevista.
  • No decorrer da entrevista assegura-te que não tens outros programas ligados no computador, estes podem causar interropeções e demonstram pouco profissionalismo.
  • Mantém um nível profissional. Ao contrário de uma entrevista pessoal, a primeira impressão que vais passar não vai ser as palavras ou acções. A primeira coisa que o entrevistador vai ver é o teu nome de usuário no Skype assim como a imagem do teu perfil, por isso certifica-te que estão adequadas à imagem séria e confiável que queres passar.
  • Nem todos os gestos são captados pela câmara, cuidado com as expressões corporais, as que passam para o monitor serão muito mais definitivas na opinião que o entrevistador construirá a teu respeito.
  • Certifica-te que o entrevistador está envolvido, pára de vez em quando e observa se o entrevistador está a acompanhar o que estás a dizer, é fundamental captar a atenção do entrevistador
Para que tudo corra bem é necessário uma preparação prévia e embora este tipo de entrevista possa ser realizada em casa, os detalhes não devem ser esquecidos. Posto isto... boa sorte!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Como escolher o país certo para emigrar


Para onde emigrar? A pergunta é pertinente, complexa e pode ter inúmeras respostas possíveis, mas talvez nem todas prováveis ou ideais.
O local eleito, país e cidade/localidade, deve ser escolhido mediante uma decisão consciente, principalmente se nela incluir família.
Não basta apenas analisar o top de melhores países para emigrar ou mesmo a lista de melhores países para trabalhar. Existem alguns factores determinantes a considerar quando se emigra como pessoa individual ou em contexto familiar.
Se a resposta à pergunta "em que país recomeçar a vida?" não aparecer de forma óbvia então sugerimos-te que analises bem a tua situação em particular e faças uma lista com todos os factores que gostarias de ver satisfeitos. Pergunta-te a ti mesmo qual o verdadeiro motivo pelo qual decidiste sair do teu país. O que esperas conseguir. Que futuro pretendes conquistar e viver. Só então estarás em condições de finalmente procurares o teu destino ideal onde te sentirás mais confortável para assentar.
Nesta procuro deves ter em conta alguns factores, de acordo com as respostas que deste às perguntas acima, escolhe os que melhor se adquam à tua realidade e começa a tua pesquisa:
  • Oportunidades de trabalho, dependendo do que queres fazer a nível profissional convêm estares informado se existem saídas para a tua área profissional. Lembra-te que por vezes não é só chegar concorrer às vagas. Primeiramente terás de te informar se o teu curso te reconhecimento imediato em determinado país ou que procedimentos terás de tomar para o ter.
  • Salário médio, um salário pode ser bom, dependendo de país para país e até mesmo dentro de determinado país de destino. Por exemplo o salário pode ser bom mas arrendar uma casa com despesas acrescidas pode ficar ainda mais dispendioso. Pelo que se torna pertinente analisares também o ponto a seguir.
  • Custo de vida (renda, água, gás electricidade, Internet...) tem em conta que muitas vezes o custo de vida de um país está acima da média e que o que te pareceu à partida um bom vencimento acaba por não conseguir colmatar as despesas essenciais. Tem inclusive em atenção que normalmente, se optares por viver foras dos grandes centros urbanos, o custo de vida tornar-se-á menos pesado principalmente no que diz respeita ao arrendamento da tua futura residência.
  • Escola para os filhos, lembra-te que é essencial que inscrevas as crianças de imediato numa escola para que as consequências de uma mudança tão grande nas vossas vidas sejam as mínimas possíveis. É fundamental perceber quão complicado pode ser o processo e se terás facilidade em conseguir vagas.
  • Língua do país de destino, caso emigres para um país com uma língua diferente da tua e não tiveres um conhecimento mínimo da língua com a qual terás de conviver futuramente, o ideal será voltares à escola e aprenderes a língua local. Dependendo do percurso profissional que tens em mente dependerá também o nível de língua, falada e escrita, que te será exigido. Porém um mínimo de entendimento irá decidir uma mais fácil ou menos fácil integração no país.
  • Se tens alguem conhecido num dos países da tua lista de escolhas possíveis, essa será com certeza uma mais valia determinante na hora de decidires. Porém não faças deste o ponto mais importante da tua escolha, lembra-te para o que vais e o que pretendes conseguir. Lembra-te sempre das respostas às perguntas acima. Se o teu objectivo é construíres carreira na tua área de formação tens de estar perto do local onde existem essas oportunidades e não necessariamente perto da família ou amigos espalhados pelo mundo.
  • Segurança, não sendo um factor determinante na tua procura, pode no entanto ( principalmente se tiveres filhos envolvidos nesta mudança ) ser um factor decisivo. Por muito trabalho ou dinheiro que possas ganhar em determinado país nada compensará pores a tua família em risco. Às vezes nem precisas abdicar da escolha do país que já tens no topo das tuas preferências, basta optares por não residires nas grandes cidades onde o índice de criminalidade é maior. Mesmo que isso te faça perder mais tempo a chegares ao provável local de trabalho, compensará saberes que os teus ficarão mais seguros enquanto tu te ausentas para trabalhar.
Hoje em dia emigrar é mais do que a dificuldade de passar a fronteira. Há muitos pros e contras a considerar e no que diz respeito à escolha do local onde vais reconstruir a tua vida é importante que faças uma escolha acertada e consciente. Há muitos emigrantes que retornam ao seu país porque não se conseguem adaptar a um estilo de vida provavelmente diferente do que estão habituados. Já basta a família e os amigos que deixamos para trás. Mudarmo-nos para um país que não gostamos e nada nos diz é penoso e acabará por nos fazer regressar às origens com a sensação vazia de que não fomos suficientes, mas na verdade a culpa não está em nós e sim na decisão da escolha do país no qual decidimos embarcar. Toma atenção aos detalhes e vai em frente!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Primeiros passos a dar ao chegar a Inglaterra


O país que nos acolhe é, de uma maneira geral, diferente do nosso, desde a cultura, a língua, o nível de vida, as pessoas, as condições climatéricas, por isso a mudança para outro país implica um grande esforço em todos os níveis.
Para quem muda de país as dúvidas são mais que muitas. Nesse sentido é legitimo ajudar a esclarecer algumas questões como: Quais os primeiros passos a dar quando se chega, neste caso, a Inglaterra?

Partindo do princípio que já terás onde deixar a bagagem e dormir ao sair do aeroporto. Deixa-me que te guie nos teus primeiros dias de terras britânicas.
Quando cheguei a Inglaterra já tinha um quarto para ficar mas foi só. Não tinha trabalho e nem sabia muito bem o que me esperava numa cidade que, apesar de não ser Londres, era já bem maior do que a pequena aldeia de onde tinha saído. Uma realidade absolutamente diferente. Um mundo totalmente estranho. Um tanto de coisas para tratar e decidir que nem sabemos muito bem por onde começar. Deixo-te com os passos essenciais a dar por ordem de importância enquanto procuras frenéticamente o teu primeiro trabalho. Uma check list a não perderes de vista quando chegares a terras de sua majestade!

  1. Arranjar um cartão SIM, caso tenhas trazido contigo um telemóvel desbloqueado conforme sugerimos neste texto. Em alternativa comprar um telemóvel e respectivo catão SIM. Este é dos passos mais importantes para te tornares fácilmente contactável neste país. É imprescindivel na tua procura de emprego e dar-te-á uma autonomia que de outra forma é impensável.
  2. Abrires conta bancária  irá facilitar-te a vida em muito. Para além de poderes depositar ou transferir o valor que tens disponivel para as primeiras despesas e usá-lo de forma mais segura e com menos custos de taxas bancárias. Será ainda uma mais valia quando fizeres o teu contrato de trabalho. O que precisas para abrir conta em Inglaterra depende muito de banco para banco mas normalmente são solicitados um ou dois comprovativos de identidade e comprovativo de morada no Reino Unido.
  3. Inscreveres-te no National Insurance Number (NIN) ajudará a abrir portas na tua procura de trabalho. Este é o correspondente ao Número da Segurança Social + Número de Identificação Fiscal em Portugal. Para adquirir o NIN tens de marcar previamente uma entrevista no Jobcentre Plus - National Insurance number allocation service através do número de telefone 0345 600 0643 (de segunda a sexta das 8 às 18).
  4. Próximo passo é escolheres e inscreveres-te num centro de saúde (GP). Nunca se sabe quando podemos ficar doentes ou a precisar de qualquer tipo de assistência médica, receita, etc. Inclusivé, se usas como meio de contracepção a pilula, esta pode ser adquirida gratuitamente logo que estejas inscrita num GP (Centro de Saúde) e tenhas tido uma primeira consulta.
  5. No caso de teres filhos e os teres trazido contigo podes de imediato solicitar o Child Benefit que corresponde ao Abono. Este ainda levará cerca de 3 meses a ser processado após teres dado entrada dos papeis. Não te esqueças de dar baixa do Abono em Portugal para que o possas receber em Inglaterra.
  6. A escolha de escola para as crianças e respectiva inscrição na mesma é absolutamente obrigatória e urgente mas iremos abordar com maior pormenor brevemente aqui no Sunny Dot.
Se tiveres de malas prontas para te mudares para Inglaterra não hesites em conhecer alguns serviços que temos disponíveis para te ajudar nesta transição e adaptação. Envia-nos um email ou preenche o formulário de contacto na barra lateral direita do blogue e teremos todo o gosto em te esclarecer.

Background Photo | Foto de fundo: Blaze Press



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Países no top das preferências para trabalhar e viver


Quando decidimos tirar um curso superior temos em vista um futuro mais promissor, com mais e melhores oportunidades de trabalho e, supostamente, melhor qualidade de vida. Vão longe os tempos em que acabavamos o curso já integrados no mercado de trabalho. Vão longe os tempos em que a necessidade de estudar, trabalhar ou viver fora de próprio país era para quem queria mesmo visitar mundo mais do que por necessidade. Hoje não é bem assim e são muitos os estudantes que, de canudo na mão, reconhecem o futuro longe do país que os viu nascer.
De acordo com uma pesquisa feita pela Universum (uma marca de recrutamento global) em finais de 2012 principios de 2013, dos mais de 4.300 estudantes de todo o mundo entrevistados 26% elegeu os EUA como o melhor país para viver e trabalhar, optando no entanto por fazer os estudos noutro país. Ainda na lista dos países favoritos dos estudantes estão o Reino Unido (12%), Austrália (8%) e o Canadá (6%) o que se pode explicar pelo facto de todos fazerem uso da língua inglesa.
Nos destinos de língua não inglesa, a Alemanha surge em primeiro lugar (6%), seguida de França, Suíça, Suécia, Japão e Espanha.
Melissa Bauiley, presidente da Universium, diz que os EUA continuam a ser uma terra de oportunidades. Porém uma das razões para os estudantes elegerem aquele país vai mais além do que a já conhecida fama dos EUA como terra de oportunidades. O facto de ser uma das maiores potências económicas mundiais, com grandes empresas que oferecem oportunidades únicas para crescer profissionalmente. está na visão ambiciosa de um recém formado, a busca de uma carreira de sucesso.
Sobre este ponto de vista é natural que Nova Iorque apareça como a cidade que ocupa o topo da preferência de quem quer viver fora do seu país de origem, especialmente pelos estudantes da área económica e financeira. 
Londres e São Francisco vem em segundo e terceiro lugar procuradas especialmente pelos estudantes das áreas de tecnologia. 
Na realidade portuguesa sabe-se que o Reino Unido está no topo das preferências com 30 mil portugueses emigrados este ano. Os números não páram de crescer e Inglaterra começa a adoptar medidas de desincentivo à entrada de estrangeiros no seu território. É difícil imaginar uma Europa de fronteiras fechadas de novo mas já se esteve mais longe disso.

E neste contexto surge a pergunta: Estás a pensar em fazer o teu futuro fora de Portugal? Então tem em atenção que as medidas estão a ser postas em prática em vários países da Europa e mesmo que não seja vedada a entrada de emigrantes é cada vez mais dificultada a sua vida e permanência nestes países de emigração.

Nota: Os inquiridos do estudo acima designado têm uma média de idades 23,7 anos e as suas áreas de atividade são negócios (32%), engenharias (20%), humanidades (17%) e ciências naturais (12%).

Background photo by | Foto de fundo por: Paul Jung

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Entrevista com ...

Como a maioria de vós já estará a par a equipa do CPI está, no momento, totalmente localizada no Reino Unido, por esse motivo toda a nossa experiência, assim como as experiências que recolhemos através das entrevistas que fazemos, baseiam-se essencialmente nesta zona do globo terrestre. O André Magalhães, é o nosso entrevistado de hoje e não é excepção. Inglaterra torna-se cada vez mais o destino de eleição para os emigrantes portugueses pelos mais variados motivos e o André é mais um exemplo vivo disso. Com 30 anos, solteiro, vive em Inglaterra desde Setembro de 2012. É estudante de doutoramento e professor assistente na School of Sport and Exercise Sciences da University of Kent. Bem-vindo ao CPI André!


O que te motivou a emigrar?
Aquilo que me motivou a emigrar foi em primeiro lugar o procurar de uma carreira académica internacional e também um pouco de espirito de aventura. O fato de não me sentir satisfeito com a minha carreira profissional em Portugal e aquela sensação um pouco fatalista de que as coisas teriam tendencia para piorar e não para melhorar no curto e médio-prazo também contribuiram para a minha decisão.  

Porquê a escolha da Inglaterra?
Posso dizer que desde miudo a ideia de poder estudar fora do país sempre me fascinou. A escolha de Inglaterra para emigrar esteve diretamente relacionada com a qualidade do ensino superior e de investigaçao na minha área que é feita cá. Vir viver para Kent não posso dizer que foi uma decisão minha, tendo em conta que concorri a duas bolsas de doutoramento em duas Universidades diferentes mas acabei por ganhar a bolsa da University of Kent.

Como foi o teu principio?
Cheguei a Inglaterra sozinho, em Kent não conhecia praticamente ninguém. A adpatação ao emprego, neste caso à Faculdade, foi bastante fácil, as pessoas foram impecáveis comigo e em poucos dias entrei na rotina. O alojamento foi um pouco complicado porque fiquei na residência académica e não gostei muito de lá ter morado, o ambiente e a relação preço-qualidade não eram os melhores. Tratar de todas as burocracias inerentes à mudança para Inglaterra não foi muito agradável nem rápido, o exemplo máximo disso foi a abertura de conta no banco que demorou quase 6 semanas. 

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
O meu processo de adaptação acho que não foi muito complicado, os primeiros 3 meses foram os mais “chatos”. Nesse periodo as saudades da familia, amigos e das minhas rotinas anteriores apareciam mais frequentemente. Por vezes sentia-me um pouco perdido mas por outro lado todos os dias eram, e acho que por vezes ainda são, uma aventura, o que é bom!
  
Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
Aspectos positivos: sentir que de certa forma controlo o meu destino; sentimento de realização profissional; melhores prespectivas futuras.
Aspectos negativos: saudades da familia e amigos; criar um novo grupo de amigos e uma vida social para além do trabalho; burocracias; inverno frio e chuvoso; comida muito pouco saudável.

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Até agora tem correspondido às minhas expectativas. Em termos profissionais sinto-me mais valorizado aqui do que era em Portugal mas principalmente sinto que se trabalhar e esforçar-me as coisas acabam por acontecer. Aqui a meritocracia parece existir ao contrário do que acontece em Portugal onde é apenas uma palavra bonita.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Acho que entre um 7-8.

De que mais sentes falta?
Sinto mais falta da minha familia e amigos como é obvio. Tenho saudades da nossa comida em particular do peixe e também daqueles almoços em familia que demoram horas. Sinto saudades do sitio onde morava em Vila Nova de Gaia, de ver o mar e sentir o cheiro a maresia quando chegava a casa do trabalho.

De que forma matas a saudade de Portugal?
Via skype e com viagens regulares a Portugal.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Acho que sim mas não de uma forma planeada ou muito organizada. No entanto, acho que no meu dia-a-dia vou passando um pouco da nossa cultura e “vendendo” Portugal junto dos meus amigos estrangeiros em Inglaterra.  

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
O meu apelido (Magalhães) é uma fonte regular de episódios caricatos em Inglaterra. Em qualquer sitio onde tenha que dizer o meu apelido sei sempre que vai haver confusão! Nunca percebem, por norma tenho que repetir 5 vezes, depois desistem e pedem-me para soletrar e/ou escrever num papel. Mesmo assim muitas vezes enganam-se.
  
Farias tudo de novo ou o que mudarias?
A minha mudança é relativamente recente por isso, até agora, não me arrependo de nada. Se calhar a única coisa que eventualmente poderia mudar era ter tentado emigrar mais cedo.

Voltarias a viver em Portugal?
Sim, mas não a curto-prazo.  

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Como não faço planos a longo prazo é uma pergunta dificil de responder de forma objetiva. Mas fazendo um esforço para responder, onde, não sei, e profissionalmente gostaria de continuar ligado à investigação e ao mundo académico. 

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Primeiro e mais importante na minha opinião é planear bem antes de se emigrar e se possível ter alguma segurança quanto aquilo que se vai fazer. Ter um nivel razoável da lingua do país para onde se vai emigrar é fundamental também.

Obrigada pela partilha André! Desejamos-te sucesso na conclusão do teu doutoramento.
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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Arquitectos portugueses... uma realidade comum a tantas outras.

A realidade dos Arquitectos portugueses que procuram trabalho no exterior não é diferente da maioria dos emigrantes graduados ou não. São raros os portugueses que escolhem emigrar por opção e não por necessidade. Quem emigra sai, essencialmente, em busca de trabalho, em busca de estabilidade financeira e profissional. 
O texto que partilhamos a seguir é do Diário Imobiliário e retrata a necessidade dos Arquitectos saírem pelo mundo em busca de trabalho e com o que podem ou não contar lá fora.


"Tem apenas 27 anos, é arquitecto e já tem a experiência de trabalhar num grande atelier em Espanha, um dos melhores da Europa. Tiago Antão após terminar o curso de arquitectura, decidiu apostar no mercado internacional e depois da experiência, recomenda a qualquer colega.
Não tem dúvida que foi a melhor opção que tomou tendo em vista o panorama que se vive em Portugal. No escritório que trabalhou, surpreendeu-o a qualidade dos recursos físicos, materiais e humanos, assim como a organização e gestão que o tornava bastante eficiente, produtivo e rentável, o que se reflectia nas boas condições e remunerações oferecidas aos colaboradores. “Nele trabalhei num ambiente multicultural e com pessoas muito competentes, o que me fez evoluir bastante a nível profissional. No escritório elaborávamos constantemente concursos internacionais de arquitectura, onde concorríamos contra os escritórios de arquitectura de topo europeus e mundiais”, lembra.

Tiago Antão é um dos exemplos de muitos jovens arquitectos que ao terminarem o curso não tiveram outra alternativa senão emigrar. Lá fora as oportunidades surgem com mais frequência e as vantagens são muitas mas será que todos têm o sonho e o desejo de irem trabalhar para o estrangeiro? A verdade, é que mais do que vontade é a necessidade que os leva à procura de trabalho pelo Mundo.

O Diário Imobiliário falou com alguns arquitectos, sobretudo aqueles que decidiram ser uma voz e uma ponte de todos os que andam espalhados pelos quatro cantos do Mundo a falarem português e a fazerem o que mais gostam: arquitectura.

Tiago Antão é um deles que juntamente com Vítor Rocha criaram a página web Arquitectos Portugueses no Mundo (APM) em 2011. Uma página que tem vindo a crescer e a proporcionar informação em torno das questões e tendências relativas à emigração dos arquitectos portugueses e à internacionalização das empresas de arquitectura portuguesas.
Bruno Moreira, é outro jovem arquitecto que criou a página Arquitectos pelo Mundo, um mapa dos arquitectos portugueses que se encontram a exercer a sua actividade profissional fora de Portugal que pretende dar visibilidade a uma realidade que afecta estes profissionais, por imperativo ou opção. Bruno revela que já tem cerca de 250 arquitectos registados, mas acredita que este número está muito longe do número real de arquitectos que, efectivamente, se encontram a exercer a actividade profissional de arquitecto fora do país.

Trabalhar fora é uma necessidade e não uma opção
Estes arquitectos têm a noção clara sobre o que leva os arquitectos portugueses a saírem de Portugal. São unânimes em confirmar que a maioria procura trabalho fora do país, não por opção mas sim por necessidade.
Bruno Moreira explica que no âmbito de uma mesa-redonda organizada recentemente pelaOrdem dos Arquitectos Secção Regional Sul (OASRS), os Arquitectos pelo Mundo lançaram um inquérito aos arquitectos registados no mapa. “As 40 respostas que recebemos deram-nos um quadro impressionante sobre a questão, contado na primeira pessoa: percebemos que os arquitectos pelo mundo são efectivamente, na sua maioria, jovens que emigraram recentemente, e é particularmente relevante o facto de 1/4 deles ter referido que não teve qualquer experiência profissional em Portugal. Isto leva-nos a colocar a questão de ‘o que é ser arquitecto português’ sem nunca ter exercido em Portugal; ou se estamos a internacionalizar a arquitectura ou a exportar arquitectos; ou ainda se estes arquitectos regressarão algum dia a Portugal e contribuirão para o seu desenvolvimento”, revela.
Também Tiago Antão e Vítor Rocha referem ainda outra questão importante na emigração dos arquitectos. Apesar de não existirem dados estatísticos, é possível afirmar que o desejo de emigrar, por forma a resolver a falta de trabalho, é crescente. “Contudo, é necessário frisar que conseguir emprego no estrangeiro não é fácil e os arquitectos portugueses não são os únicos a emigrar. Daí que a emigração, embora ajude, não é a solução para o problema causado com a formação excessiva de arquitectos em Portugal”, admitem.

Candidaturas espontâneas ou à descoberta por alguns meses
A forma de os arquitectos encontrarem trabalho fora de Portugal é na maioria das vezes através do envio de currículos com uma candidatura espontânea ou de candidaturas a ofertas via internet. Bruno Moreira refere que a maioria tem experimentado uma estratégia "mista", isto é, não ficam em Portugal a enviar emails e currículos para todo o lado mas também não emigram de forma definitiva sem terem uma perspectiva minimamente segura: optam antes por viajar alguns dias para essas cidades e países, eventualmente ficam em casa de amigos e colegas arquitectos que já lá estão, e percorrem a cidade deixando, pessoalmente, os currículos e portfolios nos gabinetes de arquitectura ou empresas de construção. “É uma forma de demonstrar interesse mais eficaz, provavelmente, do que um email enviado para 300 destinatários”, adianta.
Também para Tiago Antão e Vítor Rocha, no caso dos arquitectos mais jovens o trabalho em empresas estrangeiras é conseguido maioritariamente através de candidatura espontânea ou de candidatura a ofertas via internet, tendo as candidaturas maior taxa de sucesso em empresas de arquitectura de autor. “Já as grandes empresas internacionais de arquitectura comercial, muitas vezes ligadas a construtoras e promotores imobiliários, recrutam sobretudo arquitectos mais experientes. A situação mais comum de saída dos arquitectos é com contrato apalavrado ou assinado, ou pelo menos com entrevistas de trabalho agendadas. Contudo, há sempre quem parta em busca de trabalho sem nada definido, os quais podem passar meses sem conseguir trabalho na área, por vezes conseguem e outras vezes regressam”, explicam.

Europa a mais apetecida e com mais ofertas
A Europa continua a ser o destino mais procurado pelos arquitectos portugueses e o que apresenta também melhores oportunidades. A Europa Central, nomeadamente a Suíça, o Reino Unido, a França e os Países Baixos e alguns países nórdicos, são os que recebem mais portugueses.
O Brasil tem também sido escolhido para alguma procura e “os arquitectos com mais anos de experiência encontram-se sobretudo em países lusófonos, como o Brasil e Angola, e, embora com menos expressão, em países do Médio Oriente, como o Kuwait, Dubai, Qatar e Emirados Árabes Unidos, e da Ásia, como é o caso de Macau e China”, salienta Tiago Antão.

A oportunidade é uma janela estreita que se fecha rapidamente
Contudo, Bruno levanta uma questão que é importante para os arquitectos que pensam em emigrar. “De notar que estas oportunidades poderão tornar-se cada vez mais escassas – a Suíça e o Reino Unido estão a definir ou pensar definir, precisamente, limites à imigração nos seus países. A questão com as ‘oportunidades’ é precisamente essa – elas são uma janela estreita que se fecha rapidamente. Há que estar atento ao panorama económico global, às redes de comunicação internacionais e ao mercado de trabalho porque, muitas vezes, ser seleccionado para um lugar é mais estar no local certo, à hora certa, com vontade de (re)aprender e integrar uma estrutura, do que apresentar um Currículo ou portfolio individual brilhantes”, salienta.

Maioria recebe o suficiente para fazer a sua vida e poupar no final do mês
Para quem tem dúvidas se ir para fora compensa financeiramente, naturalmente que tanto Bruno, como Tiago ou o Vítor, são unânimes em afirmar que sim. Sobretudo, quando não há trabalho em Portugal e quando há, a remuneração é cada vez mais baixa.
Tiago e Vítor revelam que há que separar condições distintas. No estrangeiro, à semelhança de Portugal, existem estagiários não remunerados ou insuficientemente remunerados, contudo a maioria dos estagiários consegue pelo menos não ter prejuízo. Já um jovem arquitecto recebe geralmente o suficiente para fazer a sua vida e poupar no final do mês, neste caso e dependendo do país de destino as poupanças poderão ser boas. “Contudo, é importante ter em conta que um dos motivos que leva uma empresa a contratar um jovem arquitecto estrangeiro, para além das suas competências profissionais, é o facto de ser um trabalhador mais barato relativamente aos nativos. Por fim, um arquitecto com anos de experiência e qualificado, que apresenta um valor acrescentado há empresa, poderá conseguir um ordenado que lhe permite um bom nível de vida e poupanças elevadas”, admite Vítor Rocha.
Contudo, Bruno Moreira alerta para algumas questões. “Testemunhos de colegas desmentem a existência do el-dorado – as remunerações são superiores às praticadas em Portugal, mas também o são o custo de vida, as despesas com habitação, os seguros profissionais e de saúde (por vezes obrigatórios), e… as viagens para Portugal”, adianta.

Convém ter um fundo de maneio para o estabelecimento num país
Qualquer um dos responsáveis não consegue encontrar grandes dificuldades na adaptação e na aceitação dos arquitectos portugueses nos locais e nos ateliers onde se instalam. Bruno Moreira, refere que cada país possui as suas condicionantes específicas: apontam-se, sobretudo, dificuldades no reconhecimento da formação profissional e académica, e dificuldades em dominar a língua "técnica" associada à arquitectura e à construção, que vai desde o nome dos processos e fases de um projecto aos materiais de construção. “A língua é uma dificuldade mas, aprendida, é uma mais-valia”, esclarece.
Também Vítor e Tiago revelam que pela experiência o processo de adaptação dos nossos arquitectos é relativamente rápido e sem grandes dificuldades. No entanto aconselham, “convém ter um fundo de maneio para o estabelecimento e para qualquer eventualidade. Poderá existir a questão da língua, e, embora o inglês ajude no início, é necessário aprender a língua local para o quotidiano e para progredir profissionalmente. Contudo, para um arquitecto jovem que cresceu na era da globalização e do mercado global, do Programa Erasmus, dos estágios e bolsas no estrangeiro e dos voos low cost, a deslocação do seu país e permanência num outro para trabalhar é uma situação encarada com relativa naturalidade. Conhecemos também casos de arquitectos mais velhos que partiram para países exóticos e que estão satisfeitos com a decisão e com a mudança que deram à vida”, admitem.

As redes sociais têm sido aliadas fortes nesta caminhada
Os Arquitectos pelo Mundo e os Arquitectos Portugueses no Mundo são alguns exemplos de como a internet e as redes sociais podem ter aqui um papel preponderante para esta caminhada pelo mundo dos arquitectos portugueses. Para alguns esta experiência além-fronteiras pode ser apenas uma experiência temporária e para muitos talvez seja o destino da sua vida.
Mas aqui em Portugal, ou têm de mudar de profissão ou se quiserem seguir o sonho de fazer arquitectura, a única solução é mesmo pegar no currículo e enviar para empresas fora do país.
O arquitecto Eduardo Souto Moura confessa mesmo: “O que tenho aconselhado à minha filha e aos meus amigos é que passem uns tempos fora. Antigamente, as pessoas emigravam e, como existiam 20 mil arquitectos cá, quando regressavam perdiam trabalho. Agora podem ir para fora sossegados, para onde quiserem, porque aqui não se vai fazer nada”."

Fonte: http://www.diarioimobiliario.pt/actualidade/arquitectos-a-procura-de-emprego-pelo-mundo/

Links úteis: http://arquitectospelomundo.com/
http://arquitectosportuguesesnomundo.blogspot.co.uk/

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Trabalhar como au pair


Em Londres existe muita gente que vem cá com o intuito de aprender inglês e voltar ao seu país com a esperança de encontrar um futuro melhor. Normalmente vêm para estudar umas horas e trabalhar todas as outras. De todos os trabalhos que conseguem, acho o de au pair o mais ingrato. Vivem em casa de uma família e tomam contam das suas crianças, nos intervalos tentam estudar inglês. Ganham uma miséria e não têm horas de começar nem acabar, muitas vêem-se sem fins-de-semana, têm de limpar a casa e ainda conduzir em Londres mesmo não estando habituadas. Contudo, o que mais me choca em muitos destes casais que procuram au pairs, é o desprendimento com que acham que podem fazer o que querem com a vida delas. Amanhã, sábado, preciso de ti, vamos sair e voltamos às 6:30pm. - já acho mal, não é amanhã podes? É amanhã ficas...!!! Pior é quando a pessoa fica, marca coisas para depois das 7 e às 9 os senhores ainda não deram as caras. O telefone toca: Ah desculpa lá mas estamos a caminho, o trânsito está mau e tal... - 2 horas de trânsito? eles acham que a inteligência só os brindou a eles?! -  mais 20 minutos e estamos aí. - 20 minuto?? Só podem estar agora a sair de lá! - Ainda dá para irmos comer qualquer coisa? Ainda não jantámos... - Tenham a santa paciência mas a falta de vergonha na cara tem limites!
Pois bem, eles chegam de trombas, a au pair já sai atrasada e chateada e quando, após o seu jantar, volta a casa cansada, ainda consegue surpreender-se quando tenta abrir a porta da rua sem sucesso, está trancada por dentro.

Esta situação aconteceu a uma amiga minha, de um momento para o outro a vida dela deu uma reviravolta, sózinha por terras Britânicas, teve a sorte de poder contar com os amigos.
Eu nunca me aventuraria a ir para uma cidade onde não conheço ninguém para viver e trabalhar com alguém que nunca vi, com o intuito máximo de estudar, mas isto sou eu... antes ter o meu espacinho e ser waitress ou trabalhar num hotel... trabalho duro por trabalho duro pelo menos chega-se a casa e ninguém chateia!

Londres pode ser um sonho mas em pouco tempo pode virar pesadelo! Obviamente que nem todas as experiências como au pairs são assim, negativas. Por isso é bom que tudo fique bem esclarecido em contrato antes de sairem do país de origem. Se possivel evitar fazer os chamados favores que na maior parte das vezes dá azo a excesso de confiança e pode levar a abuso. Nunca se esqueçam que estão "on your own" e que por muito amigos que se possam tornar das famílias a vontade e necessidade delas estará sempre em primeiro lugar em relação às tuas. Manter as fronteiras bem definidas é uma mais valia para ambas as partes.
Procurem agências inscritas na BAPAA(British Au Pair Agencies Association). Contactem várias vezes com as famílias antes de saírem do vosso país e esclareçam todas as dúvidas assim como definam bem tudo o que acharem importante para um relacionamento cordial e saudável.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma forma "light" de emigrar/viajar

Sair do país temporáriamente ou permanentemente tornou-se quase um objectivo. Num ou noutro caso o mais difícil é o começo. É arranjar uma forma de subsistência durante os primeiros meses enquanto procuramos nos ajustar e adaptar a uma nova realidade.
Margarida Videira da Costa, do Dinheiro Vivo, traz-nos algumas ideias  de como viajar sem carregar connosco todas as nossas ecónomias.


"Dar aulas de português
O português é a língua europeia em maior ritmo de crescimento depois do inglês, e isso pode jogar a seu favor. Nos Estados Unidos, por exemplo, a procura por professores de português é muito superior à oferta, segundo este artigo da especializada Language Magazine.
Ainda que não seja professor especializado, ao ser nativo, as oportunidades surgem informalmente – em tabelas de anúncio públicas e sites em que se oferece para aulas particulares.

Trabalhar num cruzeiro
Arranjar um emprego temporário num cruzeiro combina duas vantagens: viaja muito e tem muito poucas despesas, o que combinado com um bom salário lhe pode valer as poupanças de uma vida. Existem sites especializados no recrutamento para cruzeiros, com este (http://www.cruiselinesjobs.com/current-jobs/office/) que para além das vagas no sector oferece dicas de como se movimentar neste mundo.

Apanhar fruta
É o emprego temporário por excelência, já que lhe permite trabalhar ao dia e ir passando de região a região, conforme a sua rota. O importante é estar atento às temporadas no país de destino. Também este sector se rendeu às novas tecnologias. No site Picking Jobs (http://www.pickingjobs.com/) encontra os contactos dos principais empregadores na maioria dos países europeus, Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia e Austrália.

Fazer “house sitting” ou arrendar a sua casa enquanto não está.
Imagine tomar conta de uma quinta em França ou de um apartamento em Nova Iorque enquanto os proprietários não estão. Não é um cenário assim tão improvável. O “house sitting” existe e permite poupar no alojamento enquanto cuida da casa e animais de estimação de alguém, impedindo roubos ou outros problemas. Esta é uma das redes mais conhecidas para consegui-lo. (http://www.trustedhousesitters.com/). Outra maneira de conseguir dinheiro para as suas férias pode passar por arrendar a sua própria casa (ou parte da casa) no Airbnb (www.airbnb.com) enquanto está fora. É fácil, seguro, e rende muito dinheiro.

Arranjar um patrocinador
Se tem boas ideias, sabe escrever ou fotografar, pode “vender” a sua viagem a uma marca. O importante é dar-lhe um tema e promover a viagem num blog ou web. Quer fazer uma rota pela América em bicicleta? Aposte em marcas de desporto. Uma rota gastronómica pela Ásia? Empresas de electrodomésticos ou alimentação. É provável que não cubra todos os gastos mas pode, por exemplo, anular os gastos com transporte."