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segunda-feira, 25 de maio de 2015

W E L C O M E . pack


Hoje vimos apresentar o primeiro de uma série de serviços que o Sunny Dot irá disponibilizar a quem está, ou quer, mudar de vida. Seja uma mudança de país, o início de um novo negócio, a construção de uma nova carreira,... estamos aqui para te ajudar a alcançares os teus objectivos da forma mais directa e menos difícil possivel. O W E L C O M E . pack foi criado para aqueles que decidem emigrar com a cara e a coragem, como se costuma dizer. O início de uma nova vida noutro país não precisa ser solitário e stressante. Sabemos por experiência própria que as primeiras horas desta grande aventura são determinantes para um começo bom e optimista e por isso criámos este serviço para ti.

Emigrares sózinho para um país que não conheces não tem de ser uma gigante dor de barriga e uma estranha dor de cabeça. Saber que ao chegarmos teremos um rosto conhecido, um sorriso familiar, uma palavra de incentivo, fará toda a diferença na forma como encararás o dia seguinte. Não te preocupes com onde vais apanhar o comboio, quantas linhas de metro tens de percorrer, que taxi chamar, deixa isso connosco, quando te deres conta já estarás relaxadamente a desfazer as malas no lugar que escolheste para morar.

Para saberes todos os detalhes sobre este serviço assim como para pedires orçamento entra em contacto connosco, não hesites, preenche já o formulário disponivel no blog. Somos breves a responder e não deixaremos ninguém sem resposta. Este serviço está desde hoje disponivel aqui e apenas para as zonas de Londres e Kent, em Inglaterra.

Background photo by | Foto de fundo por: Benoit Courti

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Entrevista com ...

Como a maioria de vós já estará a par a equipa do CPI está, no momento, totalmente localizada no Reino Unido, por esse motivo toda a nossa experiência, assim como as experiências que recolhemos através das entrevistas que fazemos, baseiam-se essencialmente nesta zona do globo terrestre. O André Magalhães, é o nosso entrevistado de hoje e não é excepção. Inglaterra torna-se cada vez mais o destino de eleição para os emigrantes portugueses pelos mais variados motivos e o André é mais um exemplo vivo disso. Com 30 anos, solteiro, vive em Inglaterra desde Setembro de 2012. É estudante de doutoramento e professor assistente na School of Sport and Exercise Sciences da University of Kent. Bem-vindo ao CPI André!


O que te motivou a emigrar?
Aquilo que me motivou a emigrar foi em primeiro lugar o procurar de uma carreira académica internacional e também um pouco de espirito de aventura. O fato de não me sentir satisfeito com a minha carreira profissional em Portugal e aquela sensação um pouco fatalista de que as coisas teriam tendencia para piorar e não para melhorar no curto e médio-prazo também contribuiram para a minha decisão.  

Porquê a escolha da Inglaterra?
Posso dizer que desde miudo a ideia de poder estudar fora do país sempre me fascinou. A escolha de Inglaterra para emigrar esteve diretamente relacionada com a qualidade do ensino superior e de investigaçao na minha área que é feita cá. Vir viver para Kent não posso dizer que foi uma decisão minha, tendo em conta que concorri a duas bolsas de doutoramento em duas Universidades diferentes mas acabei por ganhar a bolsa da University of Kent.

Como foi o teu principio?
Cheguei a Inglaterra sozinho, em Kent não conhecia praticamente ninguém. A adpatação ao emprego, neste caso à Faculdade, foi bastante fácil, as pessoas foram impecáveis comigo e em poucos dias entrei na rotina. O alojamento foi um pouco complicado porque fiquei na residência académica e não gostei muito de lá ter morado, o ambiente e a relação preço-qualidade não eram os melhores. Tratar de todas as burocracias inerentes à mudança para Inglaterra não foi muito agradável nem rápido, o exemplo máximo disso foi a abertura de conta no banco que demorou quase 6 semanas. 

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
O meu processo de adaptação acho que não foi muito complicado, os primeiros 3 meses foram os mais “chatos”. Nesse periodo as saudades da familia, amigos e das minhas rotinas anteriores apareciam mais frequentemente. Por vezes sentia-me um pouco perdido mas por outro lado todos os dias eram, e acho que por vezes ainda são, uma aventura, o que é bom!
  
Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
Aspectos positivos: sentir que de certa forma controlo o meu destino; sentimento de realização profissional; melhores prespectivas futuras.
Aspectos negativos: saudades da familia e amigos; criar um novo grupo de amigos e uma vida social para além do trabalho; burocracias; inverno frio e chuvoso; comida muito pouco saudável.

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Até agora tem correspondido às minhas expectativas. Em termos profissionais sinto-me mais valorizado aqui do que era em Portugal mas principalmente sinto que se trabalhar e esforçar-me as coisas acabam por acontecer. Aqui a meritocracia parece existir ao contrário do que acontece em Portugal onde é apenas uma palavra bonita.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Acho que entre um 7-8.

De que mais sentes falta?
Sinto mais falta da minha familia e amigos como é obvio. Tenho saudades da nossa comida em particular do peixe e também daqueles almoços em familia que demoram horas. Sinto saudades do sitio onde morava em Vila Nova de Gaia, de ver o mar e sentir o cheiro a maresia quando chegava a casa do trabalho.

De que forma matas a saudade de Portugal?
Via skype e com viagens regulares a Portugal.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Acho que sim mas não de uma forma planeada ou muito organizada. No entanto, acho que no meu dia-a-dia vou passando um pouco da nossa cultura e “vendendo” Portugal junto dos meus amigos estrangeiros em Inglaterra.  

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
O meu apelido (Magalhães) é uma fonte regular de episódios caricatos em Inglaterra. Em qualquer sitio onde tenha que dizer o meu apelido sei sempre que vai haver confusão! Nunca percebem, por norma tenho que repetir 5 vezes, depois desistem e pedem-me para soletrar e/ou escrever num papel. Mesmo assim muitas vezes enganam-se.
  
Farias tudo de novo ou o que mudarias?
A minha mudança é relativamente recente por isso, até agora, não me arrependo de nada. Se calhar a única coisa que eventualmente poderia mudar era ter tentado emigrar mais cedo.

Voltarias a viver em Portugal?
Sim, mas não a curto-prazo.  

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Como não faço planos a longo prazo é uma pergunta dificil de responder de forma objetiva. Mas fazendo um esforço para responder, onde, não sei, e profissionalmente gostaria de continuar ligado à investigação e ao mundo académico. 

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Primeiro e mais importante na minha opinião é planear bem antes de se emigrar e se possível ter alguma segurança quanto aquilo que se vai fazer. Ter um nivel razoável da lingua do país para onde se vai emigrar é fundamental também.

Obrigada pela partilha André! Desejamos-te sucesso na conclusão do teu doutoramento.
Código Postal Internacional - BLOG

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Em Entrevista

 

De volta ao Reino Unido viemos conhecer um pouco da experiência da Leonor Silva de Mattos, 34 anos, casada e com uma filha linda de 2 anos. A Leonor emigrou em 2004 para o Reino Unido e por aqui foi ficando.


O que te motivou a emigrar?
Eu vim para o Reino Unido com o intuito de estudar. Em Portugal ainda cheguei a entrar na Universidade de Lisboa, mas achei o meu curso pouco flexível, os académicos extremamente inacessíveis e o sistema educacional antiquado. Acabei por desistir a meio do curso e decidi ir trabalhar, mas o bichinho de tirar um curso superior nunca desapareceu. Quando a oportunidade de estudar em Inglaterra surgiu, atirei-me de cabeça.

Porquê a escolha do Reino Unido?
Desde miúda que sempre tive um fascínio pelo Reino Unido, e principalmente pela Inglaterra. Sempre fui boa aluna em Inglês, dominava bem a língua, conhecia a cultura minimamente e portanto sabia que a adaptação não seria muito dificil. Tudo isto mais a vantagem de estar a menos de 3 horas da família ajudou e muito na decisão.

Como foi o teu princípio?
Começar num país novo tem os seus desafios. Eu vim para estudar e deixei para trás uma carreira promissora no aeroporto de Lisboa (que eu gostava muito), a minha família (da qual eu nunca me tinha afastado antes), amigos e animais de estimação. Para mim isso foi provavelmente o mais difícil.

Depois tinha também outras preocupações. Quando cheguei ao país tinha pouco mais de £300 no bolso e o meu alojamento na universidade só estava pago até Dezembro. Tinha uma bolsa de estudo que me pagava as propinas, mas mesmo assim sabia que tinha de arranjar emprego e rápido! Ao fim de um mês à procura, lá consegui arranjar um emprego a part-time, na altura a vender malas e carteiras e a ganhar cerca de £4.60 à hora. Entre ir à universidade e o trabalho, sobrava-me mesmo muito pouco tempo para conhecer a cidade onde eu estáva, quanto mais o país...

Na universidade as coisas também não foram fáceis de início. O sistema educacional daqui é muito diferente do português, e demorei um semestre a tentar perceber exactamente como é que as coisas funcionavam. O choque de culturas também contribuiu para me sentir um pouco deslocada e isolada. Não tinha muitos amigos e enquanto a maior parte dos estudantes esbanjavam dinheiro em alcool, festas e noitadas, eu tinha que poupar e ir para a cama cedo para ir trabalhar no dia seguinte. A minha atitude e espírito de sacrifício contribuiu e muito para que as coisas corressem geralmente bem e sem grandes sobressaltos, mas não foi sempre fácil.

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Tudo era novidade para mim, e amei cada minuto. Lembro-me muito bem das caminhadas entre universidade, alojamento e trabalho em dias gelados, do cheiro do meu quarto, das plantas diferentes que vi, das pessoas a falarem Inglês constantemente, dos supermercados abertos 24 horas, dos corredores cheios de estudantes na universidade... Tudo isto são boas lembranças dos meus primeiros tempos por cá. Depois lembro-me também de algumas coisas menos boas. Por ser estrangeira, sofri alguma discriminação no trabalho e na universidade, e isso foi talvez o único ponto negativo da minha experiencia como emigrante.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
O que mais me surpreendeu foi o sistema daqui – há regras para tudo, e as coisas funcionam! E quando não funcionam, basta escrever uma carta de reclamação que o assunto é geralmente resolvido em menos de uma semana. Depois há supermercados abertos 24 horas que vendem coisas super baratas como conjuntos de talheres e pratos por £5, refeições de comida congelada para a semana toda por £3, ou shampoos por 50p! E zonas verdes, muito verdes, esteja sol, chuva ou vento... A natureza neste país é intensa e extensa.
Os aspectos menos bons são talvez os preços excessivos dos quartos e das casas, bem como o número e o valor das contas que se têm de pagar. Os meus primeiros 6 anos foram passados a saltitar de casa em casa, normalmente em quartos alugados, e as coisas nem sempre corriam bem com as pessoas com quem eu morava. Outro dos aspectos negativos está relacionado com discriminação, nomeadamente com o tipo de tratamento que as pessoas nos dão assim que descobrem que somos estrangeiros. Tem tendencia a melhorar com o tempo, mas para quem não está habituado este pode ser um sapo difícil de engolir. O tempo aqui também é muito cinzento e ao fim de alguns anos a pessoa começa a sentir falta do sol e do calor.

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Sem dúvida! No início eu nem vim para ficar! A minha ideia era mesmo tirar a minha licenciatura e voltar para Portugal. Mas as coisas foram caminhando gradualmente de tal forma que eu acabei por ficar para tirar o mestrado, e depois fui convidada para gerir uma consultadoria e dar aulas - com este tipo de propostas e oportunidades seria uma loucura fazer as malas e ir embora, principalmente porque em Portugal estas oportunidades não estariam sequer ao meu alcance. Depois conheci o meu marido, casei e construimos família... E com tudo isso fui ficando onde estou até hoje, e estou feliz porque faço o que gosto, sou paga razoavelmente bem, tenho tempo para a minha família e para continuar a estudar como parte do meu desenvolvimento profissional.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
Penso que a minha experiência em geral se resume a um 8. Nunca será 10 porque há muitas coisas das quais sinto falta.

Do que mais sentes falta?
Da minha família, das comidas, e das praias de areia fina e mar transparente.

De que forma matas a saudade de Portugal?
Tenho um grupinho de amigos portugueses que se junta quase todos os fins de semana para matar saudades. Quando tenho mesmo muitas saudades de Portugal e não tenho oportunidade de lá dar um pulinho, vejo tv portuguesa online, ou oiço rádio portuguesa, falo com a família, leio as notícias do Público e do Jornal de Notícias, ou as notícias locais do Rostos. Se tiver tempo (o que é raro) até sou capaz de dar um pulo a Stockwell (onde há imensos restaurantes portugueses) para almoçar.

* Stockwell - localidade na zona sudoeste de Londres onde se encontra uma vasta comunidade portuguesa, e por isso bastante comércio e serviços portugueses (mercearias, clubes, cafés, restaurantes, cabeleireiros, etc)

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Quando vem à conversa sim, mas não imponho as minhas ideias ou conhecimentos de fado, ou literatura, ou música sem me serem pedidos.

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Para quem não está habituado, ir ao supermercado às 2 da manhã tem das suas coisas engraçadas. Lembro-me que da primeira vez que fui a um supermercado a essa hora vi muita gente a fazer compras de pijama. Para mim, isso foi super engraçado.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Sim, sem dúvida. O balanço desta experiência é positivo.

Pensas voltar a viver em Portugal?
Nesta altura não está nos meus planos voltar, mas gostaria de ter uma casinha um dia para ir passar férias.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Não sei, sinceramente. Não sou de me acomodar e quando as coisas não me estiverem mais a fazer feliz, não tenho medo de mudar para melhor, seja aqui ou noutro país qualquer.

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Para emigrar é preciso ter a coragem de dar esse passo, mas também fazê-lo com cabecinha. É preciso ponderar custos, criar planos A e B, e vir sempre com espírito de sacrifício, isto é, estar sempre disposto a fazer qualquer coisa para ganhar algum dinheiro honesto, mesmo que isso signifique começar por baixo. E depois de se conseguir um ganha-pão, é só mesmo uma questão de tempo até se conseguir fazer aquilo que realmente se quer fazer, mas nunca se deve ficar em casa de braços cruzados à espera que as oportunidades caiam do céu. Aqui, quem vai à luta é quem consegue as melhores coisas...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Em Entrevista


A Sandra Moreno é a nossa entrevistada de hoje. Com idade compreendida entre os 30 e os 35 anos a Sandra está emigrada no Reino Unido há 14 anos e conta-nos hoje um pouco da sua experiência.

O que te motivou a emigrar?
Educação – Universidade

Porquê a escolha do Reino Unido, particularmente Liverpool?
Escolhi Liverpool, Reino Unido, pois oferecia o curso que eu procurava. E uma das minhas amigas tinha lá uma prima.

Como foi o teu princípio?
Vim com as minhas duas melhores amigas. A inscrição na faculdade foi feita em Portugal através do British Council, o processo demorou um ano. O alojamento também foi arranjado ainda em Portugal, portanto foi só uma questão de aterrar e ir logo para a residência de estudantes. Chegámos uma semana antes do início do ano lectivo o que nos facilitou conhecer a cidade, as pessoas, comprar umas coisinhas para o quarto e claro aproveitar o “freshers week”.

* “freshers week” - correspondente à semana do caloiro em Portugal

Qual foi o sentimento dos primeiros dias / meses?
Nas primeiras semanas foi um sentimento de alegria, entusiasmo e orgulho. Era jovem, encontrava-me longe de casa com as minhas melhores amigas. Mas passado uns meses sofri bastante por não ter a família por perto, chorava muito, etc.. esse sentimento persistiu por um ano e pouco a pouco fui-me habituando à minha nova vida.

Que aspectos positivos/ negativos recordas aquando da mudança?
Positivos: Cresci muito como pessoa, aprendi a conviver com pessoas e situações completamente diferentes da minha realidade. Conheci países, cidades, culturas diferentes.

Negativos: Uma coisa muito pequena, mas que tem um grande impacto, hoje noto que não toco muito nas pessoas como uma boa portuguesa/caboverdeana. Explicando: muito raramente dou beijinhos às pessoas (incluindo os da minha cultura). Não brinco tanto com as crianças na rua (pois aqui existe um exagero que os adultos não devem falar ou brincar com as crianças, sem que os pais façam uma cara feia).
E por último, infelizmente começo a perder a fluidez da língua portuguesa (falada e escrita).

O que aqui conquistaste corresponde às expectativas que trazias? Em que sentido?
Sim a 90%... Vim para o Reino Unido porque tinha o sonho de expandir a minha mentalidade, conhecer outras culturas, aprender algo novo, viajar, etc.. portanto até hoje tudo isso corresponde à minha expectativa. Os outros 10%, aprendi que a cultura Britânica não é tão romântica como aprendemos em Portugal, que o nível de qualidade da educação escolar não se compara ao nível de Portugal.

Avalia de 0 a 10 (sendo 10 a nota máxima positiva) a tua experiência de forma geral.
10

De que mais sentes falta?
Da família

De que forma matas a saudade de Portugal?
Com a comida (cozinhar em casa ou comer em restaurantes), seguindo as notícias de Portugal (Jornal on line) e falando com os familiares sempre que possível.

Achas-te, como emigrante, responsável pela divulgação da cultura portuguesa?
Não, embora muitas vezes dou por mim a divulgar a comida portuguesa e os habitos alimentares, mas sinceramente não divulgo muito a cultura Portuguesa, creio que um dos motivos deve ser o facto de eu ter nascido em Cabo Verde.

Recordando os primeiros tempos de emigrante, recordas algum episódio engraçado que queiras partilhar?
Tenho tantos episódios mas entre eles há um que se destaca: uma vez fui ao banco com as minhas amigas, e no banco encontrava-se um rapaz muito bem parecido, tal como nós, ele encontrava-se na fila para ser atendido. Esse rapaz tinha a cara cansada e olhos bastante vermelhos. Viro-me para as minhas amigas e digo em Português: “Esse rapaz é lindíssimo, mas tem cara de drogado, o que é uma pena”. Ele olha para trás e diz EM PORTUGUÊS: “Por acaso não me drogo, acabei de acordar...”.

Farias tudo de novo ou o que mudarias?
Faria tudo de novo, igual, sem mudar nada.

Voltarias a viver em Portugal?
Talvez, depois da idade de reforma.

Onde e como te vês daqui a uns 15 ou 20 anos?
Em Inglaterra ou algures em África (Continente).

O que recomendarias a alguém que quisesse emigrar?
Que se prepare MUITO bem antes de emigrar (financeiramente e psicologicamente). Emigrar não é para toda a gente, há pessoas que não se adaptam a viver longe dos familiares e amigos.
Que venha com uma mente aberta sem grandes expectativas sobre o país de acolhimento, e que tenha um propósito.
Que tente arranjar trabalho ainda no país de origem (pois às vezes é muito complicado sobreviver no país de acolhimento sem meio de subsistência).
Acima de tudo, que tenha a noção da realidade do país de acolhimento.

Background photo | Foto de fundo por: Only Deco Love

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Trabalhar como au pair


Em Londres existe muita gente que vem cá com o intuito de aprender inglês e voltar ao seu país com a esperança de encontrar um futuro melhor. Normalmente vêm para estudar umas horas e trabalhar todas as outras. De todos os trabalhos que conseguem, acho o de au pair o mais ingrato. Vivem em casa de uma família e tomam contam das suas crianças, nos intervalos tentam estudar inglês. Ganham uma miséria e não têm horas de começar nem acabar, muitas vêem-se sem fins-de-semana, têm de limpar a casa e ainda conduzir em Londres mesmo não estando habituadas. Contudo, o que mais me choca em muitos destes casais que procuram au pairs, é o desprendimento com que acham que podem fazer o que querem com a vida delas. Amanhã, sábado, preciso de ti, vamos sair e voltamos às 6:30pm. - já acho mal, não é amanhã podes? É amanhã ficas...!!! Pior é quando a pessoa fica, marca coisas para depois das 7 e às 9 os senhores ainda não deram as caras. O telefone toca: Ah desculpa lá mas estamos a caminho, o trânsito está mau e tal... - 2 horas de trânsito? eles acham que a inteligência só os brindou a eles?! -  mais 20 minutos e estamos aí. - 20 minuto?? Só podem estar agora a sair de lá! - Ainda dá para irmos comer qualquer coisa? Ainda não jantámos... - Tenham a santa paciência mas a falta de vergonha na cara tem limites!
Pois bem, eles chegam de trombas, a au pair já sai atrasada e chateada e quando, após o seu jantar, volta a casa cansada, ainda consegue surpreender-se quando tenta abrir a porta da rua sem sucesso, está trancada por dentro.

Esta situação aconteceu a uma amiga minha, de um momento para o outro a vida dela deu uma reviravolta, sózinha por terras Britânicas, teve a sorte de poder contar com os amigos.
Eu nunca me aventuraria a ir para uma cidade onde não conheço ninguém para viver e trabalhar com alguém que nunca vi, com o intuito máximo de estudar, mas isto sou eu... antes ter o meu espacinho e ser waitress ou trabalhar num hotel... trabalho duro por trabalho duro pelo menos chega-se a casa e ninguém chateia!

Londres pode ser um sonho mas em pouco tempo pode virar pesadelo! Obviamente que nem todas as experiências como au pairs são assim, negativas. Por isso é bom que tudo fique bem esclarecido em contrato antes de sairem do país de origem. Se possivel evitar fazer os chamados favores que na maior parte das vezes dá azo a excesso de confiança e pode levar a abuso. Nunca se esqueçam que estão "on your own" e que por muito amigos que se possam tornar das famílias a vontade e necessidade delas estará sempre em primeiro lugar em relação às tuas. Manter as fronteiras bem definidas é uma mais valia para ambas as partes.
Procurem agências inscritas na BAPAA(British Au Pair Agencies Association). Contactem várias vezes com as famílias antes de saírem do vosso país e esclareçam todas as dúvidas assim como definam bem tudo o que acharem importante para um relacionamento cordial e saudável.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma forma "light" de emigrar/viajar

Sair do país temporáriamente ou permanentemente tornou-se quase um objectivo. Num ou noutro caso o mais difícil é o começo. É arranjar uma forma de subsistência durante os primeiros meses enquanto procuramos nos ajustar e adaptar a uma nova realidade.
Margarida Videira da Costa, do Dinheiro Vivo, traz-nos algumas ideias  de como viajar sem carregar connosco todas as nossas ecónomias.


"Dar aulas de português
O português é a língua europeia em maior ritmo de crescimento depois do inglês, e isso pode jogar a seu favor. Nos Estados Unidos, por exemplo, a procura por professores de português é muito superior à oferta, segundo este artigo da especializada Language Magazine.
Ainda que não seja professor especializado, ao ser nativo, as oportunidades surgem informalmente – em tabelas de anúncio públicas e sites em que se oferece para aulas particulares.

Trabalhar num cruzeiro
Arranjar um emprego temporário num cruzeiro combina duas vantagens: viaja muito e tem muito poucas despesas, o que combinado com um bom salário lhe pode valer as poupanças de uma vida. Existem sites especializados no recrutamento para cruzeiros, com este (http://www.cruiselinesjobs.com/current-jobs/office/) que para além das vagas no sector oferece dicas de como se movimentar neste mundo.

Apanhar fruta
É o emprego temporário por excelência, já que lhe permite trabalhar ao dia e ir passando de região a região, conforme a sua rota. O importante é estar atento às temporadas no país de destino. Também este sector se rendeu às novas tecnologias. No site Picking Jobs (http://www.pickingjobs.com/) encontra os contactos dos principais empregadores na maioria dos países europeus, Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia e Austrália.

Fazer “house sitting” ou arrendar a sua casa enquanto não está.
Imagine tomar conta de uma quinta em França ou de um apartamento em Nova Iorque enquanto os proprietários não estão. Não é um cenário assim tão improvável. O “house sitting” existe e permite poupar no alojamento enquanto cuida da casa e animais de estimação de alguém, impedindo roubos ou outros problemas. Esta é uma das redes mais conhecidas para consegui-lo. (http://www.trustedhousesitters.com/). Outra maneira de conseguir dinheiro para as suas férias pode passar por arrendar a sua própria casa (ou parte da casa) no Airbnb (www.airbnb.com) enquanto está fora. É fácil, seguro, e rende muito dinheiro.

Arranjar um patrocinador
Se tem boas ideias, sabe escrever ou fotografar, pode “vender” a sua viagem a uma marca. O importante é dar-lhe um tema e promover a viagem num blog ou web. Quer fazer uma rota pela América em bicicleta? Aposte em marcas de desporto. Uma rota gastronómica pela Ásia? Empresas de electrodomésticos ou alimentação. É provável que não cubra todos os gastos mas pode, por exemplo, anular os gastos com transporte."


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Escola... uma escolha dificil


Pois é, prometi voltar e aqui estou desta vez para vos contar os procedimentos gerais necessários para a integração das crianças na escola pela primeira vez, neste caso na pré-escola ou Year R- Reception como aqui no Reino Unido é conhecido.

Como já tinha publicado no meu post anterior, aqui no Reino Unido a escolaridade obrigatória inicia-se aos 5 anos. Mas o meu filho começou a “pré” aos 4 porque, de acordo com a lei Inglesa, aqui as crianças que completam o seu 4º aniversário até inícios de Setembro têm de integrar a pré-escola mais cedo. 

Depois das peripécias de tentar arranjar três escolas na minha área de residência, sim temos de fazer a difícil selecção de três escolhas possíveis para que, no caso de não poderem ficar na nossa primeira opção, ficarem na segunda ou terceira consoante haja vaga, percebi que escolher uma escola adequada tem o que se lhe diga e com isso quase que reviramos meio mundo. São precisas pesquisas e muitas leituras para seleccionar a escolinha certa para os nossos filhos. Para isso é sempre importante ler o relatório das próprias escolas e consultar a OFSTED, a organização que trata de toda a informação necessária para a divulgação da política interna de cada escolas 

O passo seguinte é fazer a inscrição no site do Council da sua área de residência. Eles vão solicitar que faça a inscrição online ou caso prefira pode solicitar que lhe enviem a inscrição por correio e depois de preenchida envia novamente para eles, a recepção da aplicação é-lhe informado por carta. Depois é aguardar alguns mesinhos, 3 meses mais coisa menos coisa, para saber em que escola o seu filho ficou colocado.

O meu piolho, por acaso, não ficou na minha primeira opção, muito em parte por causa da distância. Eles no acto de selecção da escola, procuram sempre colocar as crianças o mais perto possível de casa, porque são muitas as crianças que fazem todos os dias a caminhada de casa-escola e escola-casa. No meu caso como a distância era ainda significativa percebi a decisão tomada por eles. O piolho ficou então na minha segunda opção. Sendo católicos, esta segunda escola que segue o regime católico, foi uma boa opção. Depois são enviadas cartas com dados necessários à integração da criança na nova escola. Na escola onde o meu filho foi colocado, os próprios professores fazem uma visita a casa dos alunos para conhecerem os pais, os alunos, o local e o ambiente onde vivem. Falam com toda a família para obterem a máxima informação e fica tudo registado.

Antes do começo do ano lectivo, a única preocupação é comprar a farda e o calçado específicos de cada escola para o ano todo, tudo o resto é suportado pelas escolas, muitas com Fundações a apoia-las. Horas extra curriculares são por conta dos pais, assim como todos os serviços inerentes às crianças, que citarei em seguida, são os olhos da cara! Falo nisso porque, sendo emigrante e trabalhadora e sem familiares a viverem por perto, vejo muita dificuldade em ter ajuda complementar em relação ao ir buscar o piolho à escola por exemplo. As escolas no Reino Unido terminam cedo, muitas delas pelas 3 horas da tarde, no meu caso é-me difícil conciliar o meu horário de trabalho com a hora de saída do meu filho. A única maneira possível é contar com a disponibilidade dos amigos próximos e do pai, quando este pode ir busca-lo. Mas sei que existe casos em que se pode solicitar ajuda ao governo através do site deles. Basta ir a https://www.gov.uk/help-with-childcare-costs e aí vem discriminado quem pode pedir ajuda e explicam a melhor forma de fazer o seu pedido/claim.

Depois é aguardar ansiosamente pelo começo do ano lectivo e pela adaptação da criança a um novo mundo. O mundo da “escola dos grande”, como diz o meu filho!

Links úteis: http://www.admin.cam.ac.uk/univ/childcare/student/nonuniv2.html